O fim do Escola sem Partido no Brasil

Foto: Carta Capital

Um dos motivos para o encerramento do Movimento é a falta de apoio do presidente Jair Bolsonaro

Conhecido como responsável por acabar com a “doutrinação” nas escolas, o movimento Escola sem Partido anunciou seu fim a partir do dia 1º de agosto. A informação foi dada pelo criador do movimento, Miguel Nagib, pelas redes sociais.

Segundo ele, as atividades serão finalizadas, principalmente pela falta de apoio de empresários e também do Presidente da República Jair Bolsonaro. O movimento declara que, a partir do encerramento, denúncias, pedidos de socorro e orientação deverão ser dirigidos ao MEC, Ministério Público e políticos que se elegeram a partir da bandeira.

Em um post publicado nas redes sociais, Nagib explicou com mais detalhes sobre os motivos que levaram ao fim do movimento. E relatou acúmulo de funções e sufocamento financeiro.

Saiba mais sobre o Escola Sem Partido com o criador do movimento

“Quem produz o conteúdo, cuida das páginas, lê e responde e-mails, escuta os áudios, edita os vídeos, analisa o material didático que nos é enviado; redige petições, denúncias e pareceres; orienta os estudantes, pais e políticos, dá palestras e entrevistas sou eu. Além disso, eu que pago todas as despesas relacionadas à nossa associação, às nossas páginas e aos eventos realizados em Brasília.

Se necessário, pago também as minhas passagens e hospedagens quando sou convidado para dar uma palestra fora de Brasília. Não cobro para dar palestras (só fiz isso duas vezes). Se somarmos todas as doações em dinheiro e material (como camisetas, por exemplo) recebidas pelo ESP nos últimos 15 anos, o valor não chega a R$ 10 mil”, declarou.

Ele também relatou “frustração” em relação ao tema ter sumido das atuais propostas presidenciais. Nagib comenta que o presidente Bolsonaro não tocou mais no assunto depois de eleito e que as tentativas de pautar o movimento com o ministro Abraham Weintraub também não tiveram sucesso. E alegou também que a continuidade do projeto dependeria de apoio político e de financiamento.

O movimento

O movimento foi criado em 2004 e disseminado pelo País a partir de uma agenda que propunha combater a doutrinação ideológica nas escolas brasileiras.

No ano passado, o projeto que tramitava na Câmara dos Deputados foi travado e arquivado. O que faria com que o trâmite tivesse que ser reiniciado este ano. Especialistas entendem que o ocorrido foi fundamental para desarticular a bandeira do movimento.

O parecer do relator, o deputado Flavinho (PSC) estabelecia que o poder público não se intrometeria no processo de amadurecimento sexual dos alunos, nem permitiria qualquer forma de “dogmatismo” ou “tentativa de conversão na abordagem das questões de gênero”.

Ainda estabelecia seis deveres aos professores, que deviam ser fixados em cartazes em todas as salas de aula do Ensino Fundamental e Médio do País.

*Com informações de Carta Capital


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