Igreja: Não à promiscuidade!

O cristão deve viver uma vida de santidade. Foto: Reprodução

Um novo tipo de comportamento sexual dentro da Igreja,ditado a partir do modelo do mundo, tem sido o grande desafio a ser vencido por pastores e líderes. O que fazer para conter a “invasão” da Igreja pelo mundo, protegendo o Corpo de Cristo e preservando a santidade?

Sempre existiu e existirá incompatibilidade entre a Igreja e o mundo. O pensamento cristão não se harmoniza com as filosofias de fora.

A fé em Cristo exige renúncia aos valores profanos. O próprio Jesus advertiu a seus discípulos que o mundo odeia a Igreja (João 15:18-19). Então, por que parece que algumas igrejas, erroneamente, têm buscado a aprovação do mundo, ficando cada vez mais parecidas com a secularidade em nome de não perder a audiência em seus templos?

Convencer o mundo de que a Igreja pode ser tão inclusiva, pluralista e“mente aberta” tem trazido um problema que precisa ser administrado com urgência por pastores e líderes: os valores distorcidos sobre o que é certo ou errado do ponto
de vista bíblico.

E uma questão bastante problemática que tem sido observada em muitas das igrejas cristãs diz respeito à sexualidade. É que muito líderes evangélicos têm feito “vistas grossas” ao se deparar com problemas que envolvam o assunto. Segundo o pastor Dinart Barradas, diretor nacional da Universidade da Família (UDF), coisas desse tipo não são novidade, nem criação do século 21. A tolerância com o pecado já era comum em Coríntios, era assunto recorrente nas cartas às igrejas da Ásia em Apocalipse.

“A exposição da sexualidade é uma questão de ibope. Outros pecados de menos visibilidade são igualmente tolerados com menos questionamentos. Em ambos os casos, a tolerância com o pecado trará consequências no devido tempo, tanto para os praticantes quanto para os que fizeram ‘vista grossa’”, avalia o pastor Dinart.

Para o psicólogo Samuel Costa, que ministra o curso Integridade Sexual pela Universidade da Família (UDF), o grande problema na questão de fazer “vista grossa” no que se refere à sexualidade é que a maior parte dos pastores lida com o assunto da forma como aprendeu. “Nos treinamentos que damos para liderança de jovens e adolescentes nas igrejas, normalmente pergunto a eles qual o significado da palavra luxúria, e quase nunca ouço uma resposta bem definida. Normalmente ligam ao luxo, ou excesso de alguma coisa”, diz.

No entanto, o psicólogo alerta para o fato de que a luxúria é a mãe de todos os pecados sexuais, ou como alguns consideram, parte dos sete pecados capitais. Ou seja, a falta de conhecimento é um dos maiores fatores que levam os líderes em geral (incluindo pastores) a se absterem desse tema nos ensinos e sermões.

O tabu é outro fator que os faz deixar de lado esse assunto tão importante. Certos costumes antigos e crenças erradas – e por que não alguns mitos? – a respeito desse tema levam pessoas em posição de liderança de se abster de falar ou falar de forma legalista, de um extremo ao outro.

“Os pastores e a liderança precisam se atualizar, fazer treinamentos e se informar sobre o assunto, conhecer. O pior problema é se omitir na busca de conhecimento, de verdade e de princípios bíblicos sobre o assunto”, destaca Samuel Costa.

O pastor Dinart revela que sexo continua sendo um tema para o qual não há medidas preventivas. Quando há, são de caráter restritivo e não educativo. “Como pastor, basicamente, lidei com sexo fora do casamento somente quando alguém me procurava para confessar a prática ou quando uma consequente gravidez exigia ação disciplinar. Falar em sexo na igreja é como falar sobre dinheiro: se fala muito tem algo errado, se fala de menos é omissão. É difícil mesmo achar o equilíbrio”, contrapõe.

Orientação sexual precisa começar cedo

As consequências da falta de orientação da Igreja quanto ao sexo tem gerado uma juventude que foge do casamento, para a qual o caminho mais próximo para o prazer rápido é não oficializar a relação, relativizando os valores, num comportamento descompromissado diante da Igreja e da sociedade. Em 1 Coríntios 6:18 está escrito: “Fujam da imoralidade sexual. Qualquer outro pecado que alguém comete não afeta o corpo, mas a pessoa que comete imoralidade sexual peca contra o seu próprio corpo”.

O pastor Júnior Fanticelli, diretor de Comunicação, no Espírito Santo, do ministério Casados para Sempre, explica que quando o sexo é pensado apenas como fonte de prazer, eliminam-se os demais aspectos positivos do ato sexual. “Sexo fora do casamento é como comprar um navio que está afundando: investiu errado, não tem qualquer garantia, vai vê-lo indo embora aos poucos e, pior, vai sair no prejuízo”, diz.

Fanticelli defende que a igreja tem grande responsabilidade na formação dos jovens e para isso precisa investir em ensinos constantes de qualidade. Se ela não trabalhar o tema como faz com outros pilares da vida cristã, os jovens evangélicos terão o mesmo comportamento sexual dos que não são da Igreja. Sexo não pode ser um assunto tratado apenas entre quatro paredes, mas também nos púlpitos e, principalmente, dentro de casa.

“Precisamos urgentemente ensinar nossos adolescentes e, em alguns casos, até mesmo as crianças, sobre namoro e relacionamentos. Eu acho que estamos precisando de ações enérgicas e de cuidar bem dos corações de todas as idades.

A Bíblia não nos proíbe de pensar e nem de falar sobre todos os assuntos. Por que não falar de sexo?”, analisa o pastor. Desta forma, para evitar a relativização de valores e buscando orientar melhor seus membros, a Igreja Bola de Neve é uma das que vem realizando um trabalho diferenciado de discipulado. O pastor Wanderley Piccinini relata que a igreja tem focado no relacionamento, acompanhamento e ensino. Para ele, todos os membros da igreja devem ser orientados por meio de discipulado e ensino sobre como trilhar o caminho de uma vida consagrada e abençoada.

“Para os casais, a maturidade em Cristo e na Palavra deve vir primeiro, levando-os a renovarem os seus entendimentos pelo convencimento do Espírito Santo. Fechar os olhos e não aconselhar é colocar ‘panos quentes’. A Palavra de Deus nunca muda. Ela é eterna e poderosa, atemporal, transcultural e sobrenatural”, destacou. E orienta: “Para essa batalha, é necessária a utilização de linguagem apropriada, visão realista das batalhas enfrentadas, exortando firmemente, sem abandono, sem desqualificar seus membros. Esse é o primeiro passo para levar os jovens a lutarem pelo ideal de um namoro saudável”.

Sexo fora do casamento é pecado! Os pastores são unânimes ao reafirmar o que a Bíblia diz: se as pessoas têm vida sexual fora do casamento, pouco importa se são casadas, solteiras ou divorciadas: é pecado e ponto! Ao que parece, o mundo está moldando as igrejas, quando deveria ser o contrário (Rm 12,2). Há pastores e líderes mais permissivos e menos disciplinadores. Será pelo medo de reduzir seu rol de membros? Segundo o pastor Dinard, a sociedade de hoje tem a cara da igreja de daqui a 20 anos.

Quem diria que 20 anos atrás as pessoas veriam alguns fatos que acontecem hoje, na Igreja? Mas este é o processo do fermento ao qual o apóstolo Paulo se referiu: “Um pouco de fermento leveda toda a massa” (Gl 5:9). Para o pastor, a pequena tolerância de duas décadas atrás abriu o tremendo rombo de hoje. “Mudar este cenário?

Impossível. E que me perdoem os avivalistas de plantão, a previsão é de tempos difíceis e não de grande glória: Mateus 24:12, Lucas 18:8. O pecado vai ficando normal, não ao contrário. O que fazer então? Apocalipse 22:11”, adverte. Pessoas precisam estar menos vulneráveis A promiscuidade é um ponto que deve ser combatido com urgência dentro das igrejas. Mas como um líder ou pastor deve fazer isso, já que a questão ainda é um tabu em muitos templos evangélicos? De acordo com o pastor Dinart, o assunto deve ser trabalhado não somente pelo líder ou pastor, mas por todo chefe de família que quer manter a sua família unida. Alguns pecados pressupõem vulnerabilidade.

Pessoas vulneráveis espiritual e emocionalmente são mais propensas aos pecados de ordem moral. Para o psicólogo Samuel Costa, para resolver o problema é preciso haver envolvimento, capacitação e treinamento. Não se pode ensinar algo que não sabe como e o que falar. Uma sugestão seria ter pessoas capacitadas para lidar com esse assunto, equipadas com conhecimento bíblico, preparadas e sensíveis às necessidades dos outros.

Em nome da saúde da Igreja, a questão da sexualidade deve ser vista com prioridade, sem tabu. Quem já cometeu o pecado deve reconhecer o erro, se arrepender, pedir perdão, ser acolhido e tratado. A Igreja precisa deixar de fazer “vista grossa” e passar a disciplinar com amor suas ovelhas. Fazendo uma analogia, pastores e líderes devem agir como uma mãe quando pega o filho fazendo uma travessura. Ela não deixa de amá-lo, corrige-o e o ensina o caminho certo a andar.

A matéria acima é uma republicação da Revista Comunhão. Fatos, comentários e opiniões contidos no texto se referem à época em que a matéria foi escrita

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