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sábado, 27 fevereiro 2021

Trump, Israel, os Árabes e os Acordos de Abraão

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O Acordo é um trunfo do presidente Trump, pois fortalece a diplomacia de Washington ao unir esses importantes aliados americanos

Por Rafael Simões

O povo judeu tem uma das tradições e culturas das mais antigas da humanidade, porém, desde 70 d.C que Israel deixara de existir como um Estado.  Durante séculos os descendentes de Abraão estavam espalhados pelo mundo. Isso mudou em 14 de maio de 1948 quando David Ben- Gurion, sob autorização da Assembleia Geral da ONU, declarou a recriação do Estado judeu no Oriente médio. Desde então várias coalizões de países árabes foram formadas para destruir Israel, mas sem sucesso. Após três guerras, em 1977 o Egito foi o primeiro país da região a assinar um acordo de paz com os judeus, tendo a Jordânia feito o mesmo em 1994. Os demais países se negavam terminantemente a promover o reconhecimento de Israel, ao ponto de imporem a não participação de Israel na aliança contra Saddam Hussein na operação tempestade no Deserto (1991) para apoiá-la. Isso começou a mudar.

Em agosto de 2020 o presidente Donald Trump anunciou o fechamento de um acordo histórico entre Israel, o Bahrein e os Emirados Árabes Unidos (EAU). O tratado denominado de Acordos de Abraão, devido à ascendência abraâmica tanto de judeus quanto de árabes, regulariza as relações entre os três países e o estabelecimento de embaixadas entre eles. Esse acordo deve ser visto como muito importante, tanto que para costurá-lo o mandatário americano nomeou seu genro, Jared Kushner. O tratado engloba não apenas a normalização das relações diplomáticas entre esses importantes países, mas o prenúncio de movimentações das peças do xadrez da política internacional. Para além dos interesses óbvios dos países diretamente evolvidos estão os interesses dos Estados Unidos na região. O Acordo é um trunfo do presidente Trump, pois fortalece a diplomacia de Washington ao unir esses importantes aliados americanos. Isso se torna ainda mais importante após o esfriamento entre os Estados Unidos e a Turquia de Erdogan que está mais inclinada à Rússia.

Inda na região, apesar de negar que esteja prestes a assinar um acordo similar, a Arábia Saudita tem mudado sua abordagem para com Israel. A dinastia Saud proibiu que as mesquitas de Riad ou Meca façam pregações contra os judeus, o que era prática frequente e o ministro das relações exteriores do país tem feito críticas à Autoridade palestina como esta sendo um entrave à paz. Como pano de fundo dessa mudança de postura temos a agressividade Irã que disputa com os sauditas a hegemonia regional. Teerã é vista como agente de desestabilização e é inimiga declarada de Israel, Bahrein, EAU, Arábia Saudita e, evidentemente dos Estados Unidos. Mais do que buscar a normalização das relações os países querem a formação de uma frente única contra às investidas do país dos aiatolás. Esse fato pode ser comprovado pelos sauditas terem cogitado liberar seu espaço aéreo para auxiliar Israel em um eventual ataque contra o Irã.

Como fica bem claro aquilo que rege a política internacional são os interesses de cada um dos países envolvidos. Por mais que haja atritos e por menores o que prevalecerá é o interesse nacional. As mudanças estão ocorrendo de maneira tão vertiginosa que Israel já cogita abrir mão da exclusividade da operação dos caças americanos F-35 Lightning II em favor dos EAU, claro que fazendo imposições equivalentes. Tudo isso para pavimentar uma aliança entre nações antes inimigas, em prol da união entre o inimigo em comum: o Irã.

Rafael Simões é Coach Integral Sistêmico pela Febracis, Bacharelando em Teologia pela Faculdade Unida de Vitória (ES) e graduado em Comércio Exterior pela Faesa (ES). Instagram: @rafaelsimoescoach   

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