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quinta-feira, 30 maio 2024

Ricardo Barbosa – Oração: Relacionamento Dinâmico Com Deus

Foto: Adobestock

Ricardo Barbosa estudou na Faculdade Teológica Batista e no Regent College em Vancouver (Canadá). É autor dos títulos “Janelas para a vida” e “O caminho do coração”, entre outros

Orar não é uma prática somente da fé cristã. Todavia, a oração, para os cristãos, representa um ato bíblico, praticado do Antigo ao Novo Testamento para o homem se conectar com Deus, nutrindo seu relacionamento com ele. Ao estudar a Bíblia, é possível encontrar diversos exemplos de contextos em que a oração foi primordial; como cristão, você provavelmente conhece a história de Elias, o profeta, narrada no livro de 1 Reis, que orou e Deus lhe respondeu mandando fogo para consumir o holocausto. Apesar de o tema não ser novidade e de se saber, superficialmente, que orar é uma forma de falar com Deus, é comum surgirem dúvidas, como: “Existe uma forma correta de fazer isso?” ou “Deus ouve todas as minhas orações?”, entre outras.

A boa notícia é que as Escrituras Sagradas permitem conhecer a fundo a temática da oração e, assim, sanar dúvidas. O pastor Ricardo Barbosa estuda a Bíblia há mais de 40 anos e traz aos leitores da Comunhão, à luz das Escrituras, respostas sobre perguntas frequentes referentes à prática da oração no cotidiano. Ele estudou na Faculdade Teológica Batista e no Regent College em Vancouver (Canadá). É pastor da Igreja Presbiteriana do Planalto, escritor e autor dos títulos “Janelas para a vida” e “O caminho do coração”, entre outros.

Confira a entrevista:

Qual a definição bíblica de oração?

A oração, numa perspectiva bíblica, é a forma como entramos e participamos da comunhão com Deus. É um meio de relacionamento. Muitas orações na Bíblia aparecem como uma resposta a Deus. Deus fala e nós respondemos a ele na forma de oração. Um exemplo é a oração de Isaías quando ouve Deus perguntando: “a quem enviarei e quem há de ir por nós?” Ele responde dizendo: “eis-me aqui, envia-me a mim”. O mesmo acontece com Maria quando recebe a visita do anjo do Senhor anunciando o nascimento de Jesus. Ela ora dizendo: “Eis aqui a serva do Senhor, que se cumpra em mim conforme a sua palavra”. Muitas vezes, a oração é uma forma de súplica, gratidão ou louvor. Mas sempre descreve a maneira como participamos de um relacionamento pessoal com Deus.

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Ricardo Barbosa - Oração: Relacionamento Dinâmico Com Deus
“A oração, numa perspectiva bíblica, é a forma como entramos e participamos da comunhão com Deus” – Foto: Arquivo pessoal

Existem, então, tipos diferentes de oração? Quais são eles?

Sendo a oração um meio de relacionamento, existem várias formas desse relacionamento acontecer. Encontramos na Bíblia as orações de lamento, particularmente aquelas em que a expressão “até quando…” (Salmo 13) aparece, nas quais a pessoa que ora não entende o sofrimento e a demora de Deus em agir. Encontramos essas orações nos profetas, e temos um livro inteiro na Bíblia dedicado ao lamento.

Temos também as orações de confissão, tanto pessoal (Salmo 51) como as orações de confissão nacional (Daniel 9). São orações onde se busca a misericórdia e o perdão de Deus diante do pecado da pessoa e do povo.
Temos também as orações de gratidão (Salmo 103) e tantas outras que expressam a alegria por tudo o que Deus tem feito. Encontramos também orações de intercessão, súplica, louvor etc. A linguagem da oração procura expressar diante de Deus sentimentos e emoções como angústia, pesar, culpa, inveja, uma vez que é na presença de Deus onde tudo o que nos aflige precisa ser tratado.

Como a oração se relaciona com a fé?

A oração, como já vimos, é um meio de relacionamento com Deus e esse relacionamento pressupõe fé, requer que aquele que ora creia em Deus Pai, Filho e Espírito Santo. A oração, em si, não é o objeto da fé, mas aquele a quem nos dirigimos em oração, sim. A oração não é um fim em si mesma, é a forma como expressamos nossos anseios, sentimentos, angústias, necessidades e adoração a Deus.

Deus ouve todas as orações? O que faz uma oração ser ouvida?

Todas as orações dirigidas a Deus, em nome de Jesus Cristo, Deus ouve. O princípio da aliança estabelece um relacionamento real, pessoal, comunitário e dinâmico entre Deus e seu povo.
O Deus revelado nas escrituras é o nosso Deus que, por meio de Jesus Cristo, fez de nós seus filhos e filhas, de forma que nos tornamos participantes da comunhão divina.

Ao orar por um motivo, significa que Deus fará necessariamente o que estou pedindo?

Claro que não. Se fosse assim, a oração faria de Deus um refém nosso, um tipo de gênio da lâmpada maravilhosa. O profeta deixa claro que os caminhos de Deus não são os nossos caminhos e os pensamentos de Deus não são os nossos. São mais elevados, mais profundos e mais abrangentes. A prática da oração nos abre para compreender e aceitar a vontade de Deus que é melhor do que tudo aquilo que mais anseio. Orar é um ato de submissão, não de dominação. Requer humildade e o reconhecimento de que os caminhos de Deus são melhores que os nossos.

Ricardo Barbosa - Oração: Relacionamento Dinâmico Com Deus
“A alegria que vem da oração não diz respeito, a priori, a nós, mas a Deus, ao seu reino e sua vontade sendo feita” – Foto: Arquivo pessoal

Quais são os benefícios da oração e quem são os beneficiados?

Todo relacionamento, seja humano ou divino, nos proporciona inúmeras bênçãos. É difícil falar em ‘benefícios’ e ‘beneficiados’ porque o fim da oração não somos nós e nossas necessidades, mas Deus e sua glória. Espera-se que todo cristão que ora irá se alegrar no fato de Deus ser glorificado através da vida de obediência e serviço ao seu reino. A alegria que vem da oração não diz respeito, a priori, a nós, mas a Deus, ao seu reino e sua vontade sendo feita aqui na terra como no céu.

Existe uma forma correta de orar? Quais são as orientações?

A forma correta de orar é por meio da fé em Jesus Cristo, numa postura humilde e submissa, buscando sempre a realização dos propósitos de Deus e sua glória.

Oramos para qual pessoa da Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo) e por quê?

Oramos sempre a Deus Pai, pela mediação de Jesus Cristo ou em nome de Jesus Cristo, no poder do Espírito Santo. No entanto, podemos, também, na oração, nos dirigir ao Pai, ao Filho ou ao Espírito Santo, mas sempre pela mediação de Jesus Cristo.
Ele é o mediador entre nós e Deus.

Em que contexto se aplica a “oração do Pai nosso”? O que significa essa oração?

O “Pai Nosso” é a oração que Jesus ensinou aos seus discípulos. Nela encontramos toda a estrutura teológica para a prática da oração. É curioso notar que a oração que Jesus nos ensinou a orar nem sempre é a oração que oramos. Não me refiro aqui a uma mera repetição do Pai Nosso, mas seguir o princípio que a estrutura desta oração nos oferece. Basta olhar para os pronomes que temos uma ideia da estrutura da oração de Jesus: teu (nome), teu (reino), tua (vontade), nosso (pão), nossas (dívidas), nossas (tentações).

Ela começa com Deus, com a agenda de Deus e segue com o povo de Deus. Ela não começa com ‘meu’. É claro que podemos e devemos orar por nós, mas o Pai Nosso nos oferece uma estrutura importante para disciplinar a prática. E devemos, sim, orar o Pai Nosso, repetindo de forma reverente a oração que Jesus nos ensinou, até mesmo para manter a perspectiva de Jesus em relação à oração.

O que significa a expressão bíblica “orai sem cessar”? (1 Ts. 5:17)

Todo relacionamento é dinâmico. A comunhão com Deus é dinâmica. Precisamos cultivar o hábito de separarmos tempo para oração pessoal, com a família e igreja, mas precisamos aprender a invocar e cultivar a presença de Deus em meio aos afazeres diários. A prática da presença de Deus, a consciência de sua presença em nós por meio do Espírito que nos transforma em habitação do Pai e do Filho, torna a oração não apenas em algo que fazemos em alguns momentos, mas numa relação de comunhão viva com a Trindade.

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