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segunda-feira, 22 abril 2024

Pesquisa mostra que o impacto da pandemia persiste causando ansiedade na juventude

Pesquisa Juventude. Imagem: Atlas da Juventude

O Atlas da Juventude lançou a terceira edição da pesquisa “Juventudes e Pandemia: E agora?”. O levantamento ouviu 16 mil jovens de todo o país 

Por Lilia Barros

Jovens com ansiedade e que sentem atraso na aprendizagem. O forte impacto da pandemia na saúde mental de jovens ainda é sentido: 6 a cada 10 participantes passou ou vem passando por ansiedade nos últimos 6 meses e 50% sentem o cansaço e exaustão frequentes como efeitos da pandemia. No levantamento, 18% dos jovens relataram depressão e 9%, automutilação ou pensamento suicida.

Essa é a conclusão da terceira edição da pesquisa “Juventudes e Pandemia” que também revela o que jovens esperam do próximo governo em diversas áreas, incluindo saúde e educação.

Veja as principais conclusões da pesquisa “Juventudes e a Pandemia: E agora?”

 Saúde:

  • Observa-se forte impacto da pandemia do Coronavírus na saúde mental das juventudes. Para 82% dos jovens a pandemia ainda não acabou e para quase 5 a cada 10, a principal preocupação permanece relacionada ao receio de perder familiares ou amigos. E quase 4 a cada 10 se preocupam com a possibilidade de outras pandemias ou tem receio de passar por dificuldades financeiras.
  • Diante dessas preocupações, 6 a cada 10 jovens pesquisados passaram ou vem passando por ansiedade nos últimos 6 meses. Mais de 5 a cada 10 relatam que a pandemia também intensificou o uso exagerado de redes sociais. E 50% sentem cansaço e exaustão frequentes como efeitos da pandemia. E 44% vivem a falta de motivação para as atividades cotidianas.
  • O agravamento da saúde mental levou quase 3 a cada 10 a utilizar aplicativos de saúde mental nos últimos 3 meses. E as atividades que eles mais demandam para conseguir manter a saúde mental estão relacionadas à psicoterapia, enquanto 1/4 cita atividades de socialização, como encontrar amigos, e 4 a cada 10 citam atividades físicas.
  • Quando questionados sobre ações prioritárias para que instituições públicas e privadas ajudem jovens a lidar com efeitos da pandemia, 47% sinalizam o acompanhamento psicológico especializado em jovens na saúde pública. E 39% citam o acompanhamento psicológico nas escolas. E ¼ pedem ações para garantir uma alimentação segura para os mais vulneráveis.
  • Para 74% das juventudes, um dos aprendizados da pandemia é a importância da atenção à saúde mental. No entanto, 64% estão pessimistas em relação à saúde pública.
  • Os e as jovens relataram a manutenção de importantes hábitos adquiridos na pandemia: Mais de 6 a cada 10 vão utilizar a máscara quando estiverem doentes e 7 a cada 10 permanecerão utilizando o álcool em gel ou lavando as mãos com mais frequência. E quase 7 a cada 10 manterão as vacinas em dia.

Educação

De acordo com os jovens, candidatos devem priorizar a educação (63%), a saúde (56%) e a economia, trabalho e renda (49%) e a redução das desigualdades (25%). Se fossem governantes, jovens dizem que investiriam em fortalecimento da educação, combate à fome, fortalecimento do SUS e planejamento para a recuperação econômica.

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Na Educação, 55% dos jovens sentem que ficaram para trás em termos de aprendizagem, como consequência da pandemia. E 11% ainda pensam em deixar de estudar nos últimos 6 meses, enquanto 34% já pensaram mas não querem mais parar. Durante os anos da pandemia, parte dos jovens chegou a interromper os estudos em algum momento: em 2020, foram 28%; em 2021, 16% e em 2022, 3%.

Já em termos de hábitos adquiridos durante a pandemia na educação, quase 7 a cada 10 citam o uso de tecnologias para estudar, e 5 a cada 10 relatam usar a internet para aprofundar os assuntos além do que é trabalhado em sala de aula pelos professores. Para enfrentar os efeitos da pandemia no mundo do trabalho, jovens citam como ações prioritárias a oferta de cursos para a qualificação profissional e editais para fomento de projetos das juventudes.

 Educação e aprendizado:

  • Nos últimos 6 meses, 34% já pensaram em parar de estudar e 11% ainda pensam.
  • 55% desses jovens sentem que ficaram para trás, em termos de aprendizagem, como consequência da pandemia.
  • 82% pretendem continuar estudando após a conclusão da etapa que estão atualmente.
  • Contudo, durante os anos da Pandemia boa parte dos jovens chegou a interromper os estudos em algum momento: em 2020, foram 28%; em 2021, 16% e em 2022, 3%.
  • 52% sentem que desenvolveu ou intensificou a dificuldade de manter o foco, 43% de se organizar para os estudos e 32% para falar em público, em função do período remoto.
  • Em termos de hábitos adquiridos, quase 7 a cada 10 citam o uso de tecnologias para estudar. Cinco a cada 10 citam o uso da internet para aprofundar os assuntos e ir além do que é trabalhado em sala de aula pelos professores. Além do uso de ferramentas interativas para a aprendizagem. E 48% relatam que adquiriram o hábito de ler mais.
  • Quase 5 a cada 10 jovens consideram que os conteúdos mais importantes para a escola, estão relacionados a preparação para o mundo do trabalho, e atividades para trabalhar as emoções. Para 1/3, as estratégias para organizar o tempo de estudo são essenciais.
  • Mais de 7 a cada 10 estão otimistas em relação ao seu desenvolvimento nos estudos. E para cada 6 a cada 10 o otimismo prevalece em relação à qualidade do ensino e conexão da educação com o mundo do trabalho. Em relação aos aprendizados que a pandemia deixou para a educação, 9 a cada 10 concordam que as pessoas entenderam que há várias formas de aprender, que a tecnologia está sendo mais bem utilizada na educação e que novas dinâmicas de aula e de avaliação foram adotadas.
  • Pensando no futuro da educação e nas prioridades para apoiar jovens a lidar com os efeitos da pandemia, são destacados, novamente, o apoio psicológico, desta vez para toda a comunidade escolar, a bolsa de estudo e auxílio estudantil e a ampliação de oportunidades para a educação profissionalizante.

“A maior geração de jovens da história do Brasil demanda propostas concretas e um compromisso real de governantes e candidaturas em 2022. A pesquisa revela alguns dos seus principais anseios e aspirações, além dos impactos da pandemia em suas vidas. Esse é um processo que temos conduzido ao longo de 3 anos com centenas de milhares de jovens e poderá contribuir para a definição de prioridades na escolha de que projeto de desenvolvimento e políticas públicas as juventudes querem para o nosso país.”, afirma Marcus Barão, Coordenador Geral do Atlas das Juventudes e Presidente do Conselho Nacional da Juventude.

Diante dos efeitos da pandemia no país, o que os jovens esperam dos governantes, às vésperas das eleições? Os candidatos que quiserem conquistar os votos dos jovens devem mostrar como pretendem investir em educação, combate à fome, fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e recuperação econômica. 

Esta é a terceira edição da série de pesquisas “Juventudes e a Pandemia do Coronavírus”, realizadas também em 2020 e 2021. As três edições juntas somam mais de 118 mil respostas. Na edição de 2022, foram ouvidos 16.326 jovens de 15 a 29 anos, entre os dias 18 de julho a 21 de agosto de 2022. 

Após o isolamento social e a vacinação contra Covid-19, o levantamento ouviu as juventudes para entender os impactos, os hábitos adquiridos e as prioridades para a saúde, educação, trabalho e renda. E, diante do período eleitoral, também foram feitas perguntas sobre o fortalecimento dos processos democráticos. 

A pesquisa foi lançada na última terça-feira, dia 27 de setembro, em debate que reuniu jovens e especialistas das instituições parceiras, com transmissão ao vivo no YouTube do Canal Futura. A terceira edição da pesquisa é coordenada pelo Atlas das Juventudes e realizada em parceria com Conselho Nacional da Juventude (CONJUVE), Em Movimento, Fundação Roberto Marinho, Rede Conhecimento Social, Mapa Educação, Porvir, UNESCO e Visão Mundial, com apoio de Itaú Educação e Trabalho, GOYN-SP e UNICEF.

A terceira edição da pesquisa é coordenada pelo Atlas das Juventudes com apoio Itaú Educação e Trabalho, GOYN-SP e UNICEF e realizada em parceria com Conselho Nacional da Juventude (CONJUVE), Em Movimento, Fundação Roberto Marinho, Rede Conhecimento Social, Mapa Educação, Porvir, UNESCO e Visão Mundial 

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