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quinta-feira, 18 agosto 2022

O último texto que você lerá hoje

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O estudo virou muleta para os indispostos a inovar. Milhares de ideias geniais hoje arquivadas nas universidades permanecerão ocultas

Por Atilano Muradas

Espero que este seja o último texto que você lerá hoje. Digo isso, porque, confesso, estou cansado de conversar com gente que lê muito, estuda muito, mas realiza pouco. Temos estudantes demais e fazedores de menos. Citar pensamentos de outras pessoas e realizar longas revisões bibliográficas são coisas admiráveis, mas muito fáceis de se fazer, pois não exigem esforço além de sentar, ler e copiar. Quando tenho brecha para falar com esses pesquisadores “papagaios”, eu pergunto: “E VOCÊ, o que PENSA disso tudo que está repetindo?”.

“Pensar e realizar” exige suor, é desafiador, confronta, mexe com o intelecto, derruba ideias preconcebidas e, às vezes, traz até desilusão. Mas esse é o lucro e o custo de saber pensar. Todavia, o que adquirimos de conhecimento por meio do estudo deve nos levar ao próximo passo, que é refletir sobre esse conhecimento e, em seguida, agirmos. “Citar” pensamentos é apenas continuar no mesmo lugar. Os trabalhos de conclusão de cursos, os famosos TCCs, são bons exemplos disso. Todos, praticamente se resumem a eternos “segundo fulano de tal” e “de acordo com beltrano”. A maioria desses trabalhos não passa de mais do mesmo que já existia. Atitude que é bom, praticamente não se vê!

Infelizmente, o estudo virou muleta para muitos que não estão dispostos a realizar algo novo. Uma prova disso está na relação existente entre o mundo acadêmico e a vida real. Milhares de ideias geniais surgidas na academia “jamais” alcançarão o mundo real, ficarão arquivadas nas universidades e permanecerão ocultas para sempre. Com raríssimas exceções, tais ideias ganharão as ruas e se tornarão úteis. A universidade tem sua parcela de culpa, mas, o maior culpado, mesmo, é o aluno, que quer apenas amontoar diplomas e títulos.

Tive um colega de trabalho que havia feito nada menos que 86 cursos, incluindo faculdades, mestrados, doutorados, pós e pós e pós… Não hesitei em perguntar-lhe: “E quando foi que você trabalhou em alguma das áreas que estudou?”. A verdade é que ele nunca efetivamente trabalhou; e do alto dos seus 60 anos de idade, o cidadão ainda estava se “preparando”. Para agir quando? Para produzir o quê? — eu pergunto!

Sou totalmente a favor do estudo, mas eu já constatei que as pessoas que “realizam” coisas significativas, geralmente, são as que menos estudaram. Há exceções, claro, entretanto, ao revisarmos a História, descobriremos que pessoas que equilibraram o fazer com o estudar, deixaram um legado extraordinário. Cristóvão Colombo, Thomas Edison, Bill Gates são três exemplos clássicos. Eles estudaram, claro, mas não se ativeram ao plano teórico, pois, deram o próximo passo: colocar a mão na massa, a fim de realizarem algo útil. E, assim, abriram um negócio, colocaram ideias em produção, fizeram experimentos, conquistaram seus sonhos, enfim, PENSARAM E AGIRAM, e não apenas repetiram e repetiram o que aprenderam nos livros.

Portanto, espero que este seja o último texto que você lerá hoje. Por isso, sem tomar mais do seu precioso tempo, eu gostaria de incentivá-lo a dar uma parada nas leituras e realizar alguma coisa com tudo o que já estudou até hoje. Conheço algumas crianças e adolescentes que já deixaram suas marcas na História, pois, desde cedo aprenderam a “equilibrar estudo e realização”. Parafraseando Eclesiastes 3.1-8: “há tempo de estudar e há tempo de colocar em prática o que se estudou”. De repente… quem sabe… talvez… HOJE possa ser o seu dia de começar! Vamos nessa?

Atilano Muradas é pastor, jornalista, teólogo, músico, compositor e escritor com vários livros publicados.

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