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Em busca das pérolas perdidas

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Recentemente, assisti a um documentário sobre um famoso compositor brasileiro. Mesmo sendo um dos protagonistas da MPB dos últimos 50 anos, e já ter cantado com muita gente, ele confessou que, atualmente, tem se surpreendido positivamente ao visitar e conhecer a obra que seus contemporâneos também construíram ao longo de décadas. Escarafunchando esse imenso acervo, esse artista tem descoberto que perdeu um rico universo musical, simplesmente porque estava concentrado em si mesmo, construindo a própria obra. São milhares de músicas e músicos para conhecer. “Olha quanta coisa eu perdi e agora tenho que recuperar”, disse ele.

Saltando para o universo gospel, quando ministro aulas de História da Música Cristã, apresento aos meus alunos os nomes de, aproximadamente, mil artistas e bandas cristãs que atuaram e atuam nos últimos 50 anos. Cada um desses “ministérios”, como dizemos, publicou dezenas e dezenas de trabalhos musicais. Meus alunos, que, em geral, são músicos, não conhecem nem 15% desses “nomes”, que dirá das suas obras. Não há culpa neles. É a história se repetindo com os músicos da igreja, que também necessitam visitar o baú do passado e se regalarem.

Sendo assim, já poderíamos concluir apenas incentivando você a visitar o passado e a se deleitar, como tem feito o pessoal que curte discos de vinil. Mas eu sei que você quer mais motivos. Quais as vantagens de se fazer essa viagem ao passado? O que ganhará conhecendo essa diversidade de autores? O que essas obras lhe acrescentarão?

O clássico verso de Oseias 4:6 vem a calhar: “Um povo é destruído porque lhe falta conhecimento”. E esse conhecimento não se limita apenas a saber os fundamentos bíblicos, as leis, as ciências, a história dos judeus ou a história mundial. Música é parte fundamental do conhecimento humano, sobretudo pela história que ela guarda. Assim como na música secular, por trás da música evangélica existe a história das denominações cristãs que chegaram ao Brasil, do seu desenvolvimento, da sua teologia e da sua influência na sociedade. É inquestionável: a música cristã está por trás do vertiginoso crescimento dos evangélicos.

Em Salmos 78:3-4, Asafe corrobora a mensagem de Oseias: “O que ouvimos e aprendemos, o que nos contaram nossos pais, não o encobriremos aos nossos filhos; contaremos à vindoura geração os louvores do Senhor, e o seu poder, e as maravilhas que fez”.

Os jovens, nossos filhos, netos e sobrinhos, merecem saber o que aconteceu também no campo da música. Dê a eles a chance de, pelo menos, fazer um paralelo e se inspirar. Coisa triste é conversar com gente que acha que a música evangélica foi sempre essa coisa morna e repetitiva de hoje.

Mas visitar o passado musical cristão brasileiro é também se deparar com a dura realidade que uma rica identidade nacional musical que brotou entre os anos 1950 e 1970, foi sufocada pela música estrangeira, e até hoje não se recuperou do nocaute; mas que continuou a existir, todavia, de forma tímida e marginalizada. A música evangélica esconde pérolas cujas letras e melodias são tão ricas quanto as da música secular. Em alguns casos, até muito melhor. Desculpe-me a pouca modéstia, mas é que o Espírito Santo faz a diferença na vida dos nossos artistas. E isso também é inquestionável!

Por fim, que em sua viagem ao passado, o compositor secular do primeiro parágrafo descubra também a música evangélica. Encontre-se com Vencedores por Cristo, Rebanhão, Expresso Luz, Banda Azul, Luiz de Carvalho, Aristeu Pires Júnior, Sérgio Pimenta, Edson e Tita Lobo, Janires, e milhares de outros artistas tão maravilhosos quanto qualquer outro do meio secular. Ah… essa sugestão de mergulho no passado vale também para os evangélicos que ainda não conhecem sua própria história musical. Sempre é tempo de recuperar as pérolas perdidas e voltar a ser rico. Garanto muitas surpresas, emoções e um verdadeiro renovo espiritual.

Pr. Atilano Muradas

 

 

 

 

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