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terça-feira, 27 julho 2021

Covid-19: eles tiveram experiências de quase morte

Cristãos contam como, após semanas intubados, viveram experiências de quase morte e superaram a covid-19

Por Geila Salomão

Conhecido pelo público como produtor musical e descobridor de talentos, Alex Balaio, 47 anos, de Belo Horizonte, enfrentou uma verdadeira batalha para vencer o coronavírus. Diagnosticado com o vírus no final de 2020, ele e a esposa começaram a sentir sintomas leves da doença. “Eu tive dor no corpo, dor de cabeça, falta de olfato e paladar, como tenho asma, fiquei preocupado”. Sete dias depois, as dores diminuíram, mas a saturação estava mais baixa e ele foi levado para o hospital.

Dois dias depois teve que ser intubado. “Fiquei 13 dias na UTI, tive que fazer a traqueostomia, fui sedado, fiquei atormentado, tive muitos pesadelos. “ Foi aí que começou a ter a sua experiência mais próxima com Deus. “Estava muito confuso, queria morrer, achava que estava sendo torturado, ficava nervoso, tenso, achei que era o inferno aqui na Terra. Quando voltei do coma, minha esposa ficou muito feliz e começou a me mostrar como eu era querido, como havia gerado uma mobilização de pessoas orando por mim, gente que eu nem conhecia e gente famosa também como o André Valadão, Fernandinho, Gabriela… as pessoas foram para o monte orar, para a porta da igreja, aquilo foi muito forte e começou a me dar força.”

Foi ali que ele percebeu que a experiência com Deus mudaria sua vida. “Eu pude perceber que eu tinha realmente vivido um milagre”. Ele continua com o seu relato de fé. “A experiência com Deus foi tremenda porque hoje minha fé é muito maior. A minha gratidão é maior ainda. E Deus pôde mostrar que tem pessoas que trabalham para Ele, elas trabalham com Deus. Pra mim foi muito lindo isso, mudou a minha vida.”

Quando desejou a morte, diante de tanto sofrimento, Alex se apegou às orações, após uma pregação de uma pastora, no hospital, ele acreditou que poderia melhorar de vez. Ele acreditou no milagre e citou a passagem bíblica da ressurreição de Lázaro, um dos milagres de Jesus relatado em João 11:1-46, no qual Jesus traz Lázaro de Betânia de volta à vida depois de quatro dias de sepultamento. “Eu sou a ressurreição e a vida. O que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá; e todo o que vive e crê em mim, nunca jamais morrerá; crês isto?” (João 11:25-26).

Para a médica infectologista Jaqueline Rueda, a fé ajuda no tratamento dos pacientes. “É lógico que o lado espiritual acaba fortalecendo o paciente, ele traz esperanças de que dias melhores virão. Deus não desampara.” Traz ainda fortalecimento da fé, não só de quem faz o tratamento, mas de todos que estão atuando na área. “Eu acredito que o amor de Deus está presente entre a gente, e dá força para todas as equipes, incluindo o profissional que dá assistência direta ao paciente ou na retaguarda, que levanta todo dia para fazer o seu trabalho. Os profissionais da saúde também enfrentam uma verdadeira batalha diária para tratar pessoas diagnosticadas pelo novo coronavírus, que não escolhe idade, sexo, classe social, nem condição de vida. Uma doença avassaladora que mudou toda a rotina do mundo inteiro.

Anjo acalmou funcionária pública

Outro caso de fé aconteceu com a funcionária pública, Gelci Ester, de 57 anos. Ela venceu a covid-19 após ficar um mês internada. A gaúcha de Sarandi, Rio Grande do Sul, passou 30 dias no hospital e diz que a fé, esperança e a certeza de que tudo está no controle de Deus a ajudariam a passar pela enfermidade.

Gelci conta que Deus enviou um anjo para tranquilizá-la

Gelci conta que em março, após fazer teste, foi diagnosticada com coronavírus, recebeu medicação e foi solicitado para que ela realizasse o tratamento em casa. Uma semana depois os sintomas começaram a aparecer, ela retornou ao hospital, fez uma nova tomografia dos pulmões que acusou comprometimento dos pulmões de 38%. E foi aí que as maravilhas de Deus começaram a aparecer, segundo ela.

“Eu precisava ser internada e não havia vaga. Nesse momento, Deus enviou um anjo, em forma de médica, dizendo que havia acabado de desocupar um quarto e que ela já havia colocado o meu nome. Essa já foi a primeira providência divina. Gelci diz que chega a se arrepiar ao relatar a experiência que teve com Deus. “De madrugada, eu me senti sendo transportada, o teto do quarto se abriu, eu me senti sendo carregada pelos braços do Pai e Deus me mostrou quão lindo é o paraíso, e me fez olhar para baixo e ver toda a sujeira do mundo, o quanto as pessoas são egoístas, olhando só para si”. Segundo ela, uma voz suave disse: “Filha minha, não tenha medo, eu estou te segurando nos braços, só vim te mostrar a beleza do lugar para onde vou levar os meus”. Gelci diz que nesse momento, sentiu que estava retornando para a cama. Me senti toda molhada de suor e gritei. Foi quando vi a correria e ouvi uma enfermeira dizendo que não era para eu ter medo, pois eles cuidariam de mim.

Gelci conta que, em seguida, precisou ficar cinco dias recebendo oxigênio, apesar de responder às enfermeiras, ela diz que não se recorda de nada. Na UTI, ela diz que se sentia amarrada. Era um ambiente muito dramático, mas ela afirma que foi cuidada e gradativamente melhorando. Foi quando, também de madrugada, ela relata que novamente uma voz falou: “Minha filha, te levarei de volta fortalecida, renovada e transformada para continuar a obra que ainda deve ser feita na terra, a qual foi ordenada a ti. Eu, Senhor da sua vida, peço que abra a sua boca, que eu colocarei as palavras corretas que deverás falar”. Ela, que sempre foi uma pessoa mais tímida, disse que entendeu a sua missão na terra.

Atuante no trabalho de ação social do Ministério Libertando o Brasil, Gelci diz que não tem o hábito de ver TV, mas naquela madrugada ela viu uma matéria sobre São Paulo, retratando pessoas deitadas no chão, debaixo das marquises, sem cobertas, na chuva, com fome e viu duas senhoras fazendo ação social levando chocolate quente, água mineral, cobertor e marmitex. Nesse momento ela relata “Deus ministrou isso em meu coração. Essa é a minha missão, agora vou falar e ajudar ainda mais”.

Por todo o tempo em que esteve internada, ela afirma que os irmãos em Cristo estavam em oração, e ela sentia paz em todo o tempo. No domingo de Páscoa, no dia da ressurreição de Cristo, ela teve alta da UTI, e considera isso mais uma benção. “A certeza de que Deus estava o tempo todo cuidando de mim, que nem sequela ficou. Minha fé é muito grande. Dou toda a glória e honra ao nosso Senhor Jesus”, finaliza Gelci.

Oração de família e amigos é essencial para pacientes

Muito pode, por sua eficácia, a oração do justo, diz a Bíblia em Tiago 5:16. Para o pastor Linconl Almeida, da Igreja Adventista, a fé tem dupla vertente quando envolve enfermidade: a fé do indivíduo, pois sem fé é impossível agradar a Deus e tudo é possível àquele que crê; e a fé dos amigos e familiares. “Um indivíduo intubado não está orando, está inconsciente, então a fé da família e amigos é muito importante nesse momento.

“Não podemos perder a fé” – Pr. Linconl Almeida, Igreja Adventista (AL)

Apesar disso, ele orienta a ter cuidado. “Vi muita gente que pegou covid e que não foi para o hospital acreditando que Deus ia curar. Deus tem feito muitos milagres, mas não é bem assim que funciona, nós temos que ter as precauções e fazer o tratamento, temos que fazer a nossa parte, e colocar a vontade de Deus acima de tudo. Se a vontade de Deus for a recuperação, louvado seja Ele, se a vontade for o descanso, então também temos que agradecer pela determinação divina. O que não podemos é perder a fé, a confiança de que Deus realmente pode fazer o melhor por nós, nossos familiares e amigos.

Quase um mês após ficar internado, Alex Balaio recebeu alta hospitalar, mas teve que reaprender a andar e falar por causa das sequelas pós-covid. Agora, ele ressalta que a afinidade com Deus está ainda maior. Para quem não se lembra, o primeiro trabalho de Alex, como produtor, “País da Adoração”, interpretado por André Valadão, ganhou o prêmio de melhor videoclipe no Troféu Talento, uma premiação da música gospel. Outro destaque de seus trabalhos é com o grupo Preto No Branco, conhecido pela música “Ninguém Explica Deus”.

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