Proteja seu filho das “coisas normais”

Foto ilustrativa

Afinal de contas, o que é e o que não é normal nesse mundo de hoje? Como orientar nossos filhos sobre o que podem ou não participar?

Nessa briga do pode ou não pode, o bem e o mal se confundem e moram lado a lado dentro de casa.

Quem não se lembra da simpática e contagiante gargalhada do Pica-pau ao final de cada uma de suas traiçoeiras ações? E o que dizer do mundo mágico de Harry Potter, cuja saga vendeu milhões de livros ao redor do planeta e ganhou as telonas, batendo recordes de bilheteria em vários países, arrastando aos cinemas multidões de crianças, jovens e seus pais? Crepúsculo, a série juvenil que enfoca relacionamentos entre vampiros e pessoas comuns, percorreu trajetória semelhante. No Brasil, o filho quer comer as balas de Cosme e Damião, a menina quer vestir a roupa da festa junina e a família se diverte com o pequeno que diz repetidamente “Pelas forças do Mal”, imitando o desenho animado.Tudo isso se desenrola na sala de casa.

Expostos vinte e quatro horas por dia a propostas aparentemente inofensivas, mas que na verdade podem não passar de armadilhas, nossos filhos são assediados por mensagens que terão efeitos na sua educação, saúde mental e espiritual. Nessa briga do pode ou não pode, o bem e o mal se confundem e, às vezes, moram lado a lado dentro de casa.

Pastores e profissionais afirmam que a voz de comando dos pais proibindo os filhos de participarem de “coisas normais” já não surtem o mesmo efeito. Eles defendem o uso de “armas” bem mais poderosas para esta batalha de proteger os filhos dos bombardeios de informações e imagens que podem construir e moldar personalidades. E o mais grave: desconstruir valores bíblicos e morais.

A psicopedagoga e psicoterapeuta familiar, especialista em aconselhamento de adultos e crianças, Euzeni Barbosa Dutra, esclarece como se dá essa influência. Ela ressalta que é preciso respeitar o temperamento, a personalidade e a maturidade de cada um.

“O temperamento é herdado geneticamente dos pais e avós e só pode ser modificado pela atuação do Espírito Santo, pois nós apenas o controlamos. Já a personalidade é construída dos quatro meses de gestação atéos seis anos de idade. Cada criança responderá de acordo com o seu temperamento e faixa etária (construção psíquica, cognitiva e emocional), mas posso afirmar que não devemos permitir que  crianças até seis anos participem de festas juninas ou de Halloween. Isso porque não temos como explicar que esta festa é satânica para uma criança nessa idade,que está na fase da imaginação (construção simbólica), com grande capacidade para fantasias. Precisamos tirá-la desse meio, sem proibir, mas substituindo aquelas por outras experiências,como passeios a lugares de que elas gostam. Após os sete anos, é preciso trabalhar com a criança os significados das peças que compõem o cenário atual”, diz.

Euzeni é contra “por tudo o que está embutido simbolicamente. As sensações prazerosas produzidas em uma criança que participa do Dia das Bruxas serão buscadas inconscientemente mais tarde. Na juventude, quando ela vir a abóbora ou os doces novamente, sentirá prazer e se a mãe disser que é pecado, a criança ficará confusa, pois se lembrará de que o que vivenciou nos primeiros seis anos de vida foi bom, e não mau, evai acreditar que a mãe está enganada. Por isso, é melhor evitar que seu filho participe disso oferecendo a ele uma programação substitutiva e saudável. Nunca faça uma proibição sem explicar o porquê, caso contrário o filho obedecerá, mas não compreenderá e nem terá convicção da atitude correta”, explicaEuzeni.

Ela aponta a armadilha dos elementos que compõem as cenas ou as festas. “Se os personagens forem bons e heróicos, sendo bruxos, diabos, feiticeiros, vampiros, espíritos, isso é a armadilha”. A Bíblia diz: Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem mal, que fazem da escuridade luz, e da luz,escuridade, que põem o amargo de doce, e o doce de amargo. Ai dos que são sábios a seus próprios olhos, e prudentes diante de si mesmos”(Isaias 5:20-21). Em I Tim 4.1,2 é dito que muitos afastarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrina de demônios pela hipocrisia dos homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência.

Bom senso e princípios cristãos

Julia de Castro Moraes é pedagoga e educadora cristã. Ela sugere que os pais tenham bom senso na hora de escolher o tipo de programa, festa ou outra diversão para os filhos. “É preciso que eles conheçam a verdade vinda de fonte segura. Precisamos filtrar o que está entrando em nossa casa. A maioria dos programas  estárepleta de estórias com exemplos de falsidade, intrigas familiares, luxúria, traição e armações diversas. O apelo à sexualidade tem tomado conta do diaadia de nossos filhos. ‘Transar’ antes do casamento é normal desde que se use camisinha, mesmo na adolescência. Ser BV (‘boca virgem’) é careta! Não importa a idade da criança ou jovem. Tudo passa a ser natural. Ora, todo mundo faz… Às vezes, nos esquecemos de ensinar aos nossos filhos que todas as coisas nos são lícitas, mas nem todas as coisas nos convêm”, lembra Julia.

Já na visão do pastor e psicólogo Erasmo Maia, os filhos não precisam ser poupados das informações que recebem. “Não ajudamos nossos filhos isolando-os, colocando-os numa ilha. Essa forma de proteção não funciona. O que importa é passar para eles, desde cedo, os princípios que vão nortear suas vidas. Se estiverem alicerçados não serão afetados pelo que assistem. Qualquer tipo de trauma, mesmo dentro de casa, pode ser anulado pela presença dos pais, que entram substituindo os momentos de dor por momentos de afeto e atenção, que marcarão suas vidas para sempre”, disse.

Julia de Castro defende que impedir os filhos de assistirem a determinados programas não significa aliená-los. “Não creio que uma criança ou adolescente com boa orientação cristã possa se sentir alienada por não participar de certas programações.Algumas festas fazem parte do nosso folclore ou de atividades culturais de outros países, ou seja, de qualquer forma, estarão presentes no cotidiano deles. Isso não quer dizer que eles precisem participar”.

Para Euzeni Dutra, não se pode afirmar que uma criança crente que participe de festas desse tipo se tornará um adulto mal orientado. “Aconselho evitar que participem, porém cada criança tem sua construção psíquica; se essa construção foi embasada nos princípios bíblicos, não haverá consequências e, mesmo que experimentem o que não convém, certamente não irão querer repetir”.

Com relação às cenas de sexo na TV, cada vez mais ousadas e veiculadas mais cedo,Euzeni afirma que ouvir ou assistir precocemente pode prejudicar a construção do conceito de sexualidade da criança. “Essa construção da sexualidade começa desde que nascemos, pois está ligada ao prazer e desprazer. “Até seis anos os pais devem evitar que seus filhos assistam cenas de sexo e após essa idade, somente o beijo, o amor.Cenas de sexo, só as mais superficiais e, mesmo assim, a partir dos 10 anos de idade, tendo a companhia dos pais”.

O poder da bênção dos pais

Evitar, impedir ou proibir podem ser parte da solução para proteger seu filho das coisas que o mundo considera normais, porém outras atitudes surtem mais efeito, porque atuam como armas poderosas que irão consolidar a educação recebida em casa e a orientação recebida na igreja e mostrar caminhos alternativos, que servirão de base segura na hora de o seu filho escolher o que assistir ou participar, mesmo estando longe de você, pai ou mãe.

O pr. Erasmo Maia aponta a leitura bíblica, a oração e o diálogo esclarecedor com os filhos como ferramentas que irão prepará-los para fazer boas escolhas. “O próprio filho terá condição de compreender do que deve ou não participar, porque recebeu em casa todas as instruções necessárias. Independentemente da presença dos pais, ele terá seus princípios bíblicos firmados e forças para dizer não quando for preciso”, disse.

Entretanto, enquanto a criança ou o adolescente ainda estão sendo preparados para aprender a discernir e evitar as coisas “normais” que não convêm, cabe aos pais cumprir uma missão estabelecida por Deus para a segurança dos filhos e que se constitui em mais uma arma poderosa: o poder deabençoar. Sabe aquele “Bença, pai!”, “Bença, mãe!”, de alguns anos passados, tão apressado que quase não se ouvia a resposta? E quando saíamos sem ela, parecia-nos que faltava algo à nossa segurança, proteção ou ao sucesso de nossos planos. Pois é, filhos precisam da proteção dos pais em todos os aspectos, e essa necessidade de cobertura pode ser suprida por palavras abençoadoras dos pais. “A bênção paterna fortalece a casa de seus filhos, a maldição de uma mãe a arrasa até os alicerces” (Ecle 3,11).

O Livro Bar Barakah (Filho da Bênção) traz uma das conotações principais da palavra hebraica Baruch (abençoar), que é autorizar para prosperar. A bênção no período da puberdade autoriza um filho a prosperar em sua idade adulta. Na fase juvenil, há muitas mudanças ocorrendo na mente, nas emoções e no físico.

Os pais buscam liberar seus filhos para alcançarem identidade própria e os propósitos de Deus. Para isso os abençoam e os lançam como flechas ao mundo, com o objetivo de acertarem o alvo. O bom senso e a sabedoria vindos do alto darão o equilíbrio necessário aos pais que querem proteger os filhos das coisas “normais”, sem roubar-lhes o direito de serem livres para experimentarem as propostas que cruzam seu caminho. Com uma boa formação, saberão dizer sim ou não e terão maturidade para assumirem suas escolhas.

A MATÉRIA ACIMA É UMA REPUBLICAÇÃO DA REVISTA COMUNHÃO. FATOS, COMENTÁRIOS E OPINIÕES CONTIDOS NO TEXTO SE REFEREM À ÉPOCA EM QUE A MATÉRIA FOI ESCRITA.


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