Freemind aponta que legalização das drogas não é o caminho

Apresentações durante o congresso.

Congresso é referência mundial no debate sobre a drogadição.

São Paulo sediou a quinta edição do Congresso Internacional Freemind entre os dias 19 e 22 de setembro. O tema deste ano foi “Legalização não, Prevenção sim!”

O Freemind aborda a questão das drogas como um problema social e não individual. O evento atrai médicos, psicólogos, conselheiros, professores, advogados, juízes e pastores com o objetivo de discutir, refletir e trazer um levantamento de dados científicos e resultados de pesquisas para contribuir com o tratamento e prevenção das drogas.

Não é de hoje que ocorrem debates inflamados sobre o polêmico assunto em torno da legalização das drogas. A população se divide com opiniões contrárias e favoráveis e, frequentemente, ouvimos os mais diversos e criativos argumentos sobre o tema.

Pode se dizer que, atualmente não existe debate, pelo menos na comunidade científica, sobre os malefícios causados por consumir drogas de modo abusivo e, principalmente, sobre seu uso precoce, como por crianças e adolescentes. Não existe “uso recreativo de drogas” isento de riscos e danos.

A Mobilização Freemind deixa bem claro o seu posicionamento de ser contra a legalização das drogas. Porém, aponta o caminho que é a prevenção, diálogo, e capacitação para o enfrentamento.

Consequências do consumo

Atualmente, as drogas mais consumidas no mundo são justamente as drogas legalizadas. Consequentemente, drogas como a bebida alcoólica e tabaco são as maiores causas de mortes e danos à sociedade.

Várias estatísticas evidenciam os prejuízos à saúde pública, à economia e o quanto cooperam para o aumento de casos relacionados à violência, abusos, quebra de vínculos familiares, prejuízos materiais, acidentes de trânsito, perda de emprego e redução de produtividade, etc.

Apesar disso uma parcela da sociedade advoga a legalização de outras drogas, como, por exemplo, a maconha. Será que a sociedade brasileira está pronta para arcar com as consequências disto? Se já temos que lidar com as mazelas causadas pela legalização do tabaco e do álcool, por que legalizar também o consumo de outras drogas comprovadamente danosas?

A história já nos deu esta lição: nossas crianças e adolescentes já estão consumindo cigarro e bebidas alcoólicas precocemente simplesmente pelo fato de serem legalizadas e consequentemente a terem mais acessos a estas substâncias. Se outras drogas forem legalizadas o mesmo vai acontecer.

Gabriel Rocha
Confira a cobertura

Gabriel Rocha, coach de recuperação, participou e colaborou com a Comunhão na cobertura do evento. Ele atua nessa causa há mais de 7 anos, depois que se recuperou das drogas. Gabriel hoje ajuda famílias que sofrem desse transtorno. Fique por dentro de tudo o que aconteceu no congresso Freemind 2018.

1° dia:

A abertura foi feita com uma mesa composta pelo prefeito de Campos do Jordão dando boas vindas, com palestrantes internacionais, e com a palestra de Augusto Cury, sendo ovacionado por sua brilhante capacidade de inspirar e influenciar pessoas a viverem uma vida feliz.

2° dia:

O Freemind entende a importância da espiritualidade no tratamento da dependência química. As estatísticas comprovam a eficácia da fé e do desenvolvimento espiritual como base fundamental.

Às vezes as pessoas não estão em um caminho porque querem estar, mas por que a vida os colocou nele. Eu uso a estratégia do traficante: eles chegam na criança com 7 anos de idade e a treina para ser soldado do tráfico. Então eu chego neles aos 5, 6 anos e as treino para serem pessoas dignas. Sebastião Dias de Oliveira – coordena um projeto social

Por causa disso, muitos painéis sobre espiritualidade acontecem nesse evento, a fim de romper com os preconceitos e com as barreiras que muitas vezes surgem para que esse trabalho não aconteça. Há um desafio em unir a ciência e a espiritualidade, mas acreditamos ser necessário conversamos sobre isso e chegarmos a um ponto de equilíbrio.

Recebemos o pastor Nelson Massambani da Igreja Batista em Fortaleza, coordenador do Celebrando Recuperação. Um programa de 12 passos fundamentado na Bíblia que atende pessoas com todos os tipos problemas. Nelson se apresentou como um “adicto em recuperação”, estando limpo “só por hoje”. Essa é uma maneira clássica de apresentação de dependentes em recuperação. Ele tem trabalhado em presídios, casas de recuperação e em projetos sociais.

Sua palestra descontraída, em tom de um diálogo franco e aberta, deixou a plateia bem à vontade. Com seu jeito simpático trouxe a mensagem de esperança do Evangelho sendo muito bem acolhido pela classe médica que estava presente.

Falou de seu problema com a depressão abertamente, gerando empatia. Disse que precisamos estar vulneráveis para Deus. Que a espiritualidade é a busca pelo amor, e Deus é o amor. Nelson encerrou pedindo para que todos ficassem de pé e fizessem uma oração com ele. As vozes ecoaram o salão em temor e reverência. Fechei meus olhos e senti a igreja de Cristo sendo relevante no Congresso Freemind.

As apresentações artísticas marcaram o evento. Enquanto palestras aconteciam, em outro ambiente, grupos musicais, artistas, palhaços, fizeram um lindo trabalho com crianças e jovens da região. Confesso que muitas vezes deixei de ouvir as palestras técnicas para ver jovens da Casa do Menor, dirigida pelo Padre Renato, exibindo suas performances e encantando a plateia de crianças. O grupo de palhaços nos fazendo rir e chorar com suas apresentações sobre a prevenção ao uso de drogas.

Foi uma aula de pedagógica e prática de como podemos fazer algo diferente para que nossas crianças e jovens recebam a mensagem de maneira impactante e natural.

Sobre a Legalização

Antes de pensar e legalização, deveríamos pensar em estabelecer em primeiro lugar a estabilidade social através da segurança, saúde pública, educação. Ainda que a legalização fosse possível ideologicamente, na prática, diante da epidemia de drogas, de doenças, de crimes, do alto desemprego no país, de famílias desestruturadas e de tantas outras demandas que nos encontramos em desajustes.

São ideias que talvez funcionassem se todas essas causas estivessem em perfeita estabilidade. O que, na prática, sabemos que estamos bem distantes desse aproveitamento.

A legalização das drogas sem dúvida é interessante comercialmente. O dinheiro alimenta o discurso da liberalização, da industrialização e do comercio. Agora por que a raça humana luta pela liberação de algo em torno do lucro, mas que destrói a própria raça? Não se resolve um problema causando um problema ainda maior. Lembramos que, o que está ruim, pode se tornar muito pior. Jesus disse: Não combata o mal com mal, mas fazendo o bem. E fazer o bem não é permitir que crianças e jovens tenham acesso livremente a substâncias que que vão atrasar o desenvolvimento de suas vidas. Já sabemos que drogas causam mortes!

 “Nada que viola a dignidade da pessoa pode ser liberado em prol do lucro. Não podemos patrocinar e assistir passivamente a degradação humana em nosso país. A ideia de paz não pode ser resultante de armas e drogas, mas da fraternidade, da benção de Deus sobre a nossa nação e da mente coletiva que respeita as diferenças com responsabilidade”. Dr. Márcio Fernando Elias Rosa

Do ponto de vista humano, social e cristão, a legalização não é um caminho para liberdade de escolha. Os prejudicados não serão pessoas bem de vida acima dos 30 anos que talvez já atingiram alguma maturidade, fazendo o uso recreativo em uma praia, em uma balada ou ate mesmo em casa. Os maiores prejudicados serão nossas crianças e jovens. Principalmente aqueles que estão desfavorecidos financeiramente em bairros pobres. Pessoas com condições financeiras podem pagar um bom tratamento, ainda sim, conheci muitos que gastaram tudo que tinham para ver seus entes queridos recuperados e muitos não obtiveram sucesso. Sabemos que essa é uma luta infindável para muitos.

Quando pensamos em Brasil em milhares de usuários e famílias sem condições ao um tratamento digno, o discurso de legalização não se sustenta. “Em nenhum lugar no mundo obteve sucesso declarando guerra. Não se chega a paz, declarando a guerra.”

ÚLTIMO DIA

O encerramento do evento teve a presença do ex-jogador e comentarista Carlos Casagrande. Ele tem levantado a bandeira da luta contra a dependência química no Brasil. Seu depoimento na Copa do Mundo teve grande repercussão em que ele disse, em rede nacional, que a maior vitória da vida dele foi ter vivido a primeira Copa do Mundo em abstinência. Hoje ele leva a mensagem de recuperação em muitos projetos e escolas.

Gabriel Rocha

*Com informações do colaborador Gabriel Rocha. Músico, cantor, atua no tratamento e na prevenção da dependência química como conselheiro e personal coach de recuperação.
Siga no Instagram: @gab_rocha


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