Coreia do Norte ameaça retroceder em acordo

Pela primeira vez em 65 anos, um líder norte-coreano cruzou a fronteira

A Coreia do Norte anulou o encontro que estava marcado para hoje (16) com a Coreia do Sul, menos de três semanas depois de uma cúpula histórica que juntou Kim Jong-un e Moon Jae-in, no final de abril

As últimas semanas de progresso ao nível diplomático entre Pyongyang, capital da Coreia do Norte, e o resto do mundo podem estar em risco, assim como a reunião entre Donald Trump e o ditador Kim Jong-un prevista para o próximo mês.

As autoridades norte-coreanas alegaram “provocação”, em referência aos exercícios militares conjuntos entre Estados Unidos e Coreia do Sul. “Se eles [Estados Unidos] tentarem encostar-nos a um canto e forçar o abandono unilateral da força nuclear, não estaremos mais interessados neste tipo de conversações e temos de reconsiderar a cimeira que se aproxima”, disse Kim Kye Gwan.

Num comunicado publicado pela agência noticiosa estatal norte-coreana KCNA, Pyongyang não está disposta a aceitar apoio e assistência econômica na troca de um abandono unilateral do seu programa nuclear.

Encontro histórico após 65 anos de conflito

Desde 1953, Kim Jong-Un é o primeiro líder da Coreia do Norte a cruzar fronteira da Coreia do Sul. O líder norte-coreano e o presidente do sul, Moon Jae-in, sentaram-se no dia 27 de abril, em uma mesa oval, para firmar um acordo de paz entre os dois países. O encontro marca um ponto de inflexão após a aproximação diplomática que se seguiu a um período de alta tensão na península. “Uma nova história começa agora, no ponto inicial da história e na era da paz”, apontou a mensagem que Kim escreveu em um livro de visitas no local da cúpula da Casa da Paz. Uma semana depois, a Coreia do Norte ajustou seu fuso horário ao da Coreia do Sul. “A adoção do fuso horário é a primeira medida prática após a histórica terceira cúpula Norte-Sul para acelerar o processo em que o Norte e o Sul vão se tonar um”, informou a agência KCNA.

Relação complicada
Donald Trump, presidente dos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que também dialogaria com Kim Jong-Un, líder supremo da Coreia do Norte. A reunião foi marcada para o dia 12 de junho em Singapura, no Sudeste Asiático, mas agora está ameaçada de acontecer.

Nos últimos meses, o presidente americano e o ditador trocaram farpas e provocações, aumentando o clima de tensão em torno da crise nuclear. Sobre o acordo de paz entre as Coreias, Trump elogiou, mas disse que é preciso cautela com o processo. Em seu Twitter, declarou: “Depois de um ano furioso de lançamento de mísseis e testes nucleares, um encontro histórico entre as Coreias do Norte e do Sul agora fala de paz. Boas coisas estão acontecendo, mas apenas o tempo vai dizer!”, diz a publicação.

China pede calma

O governo da China pediu, nesta quarta-feira (16), aos Estados Unidos e à Coreia do Norte que sejam flexíveis e não desperdicem a “duramente conseguida distensão na Península da Coreia”, em reação ao possível cancelamento da histórica cúpula entre Donald Trump e Kim Jong-un, depois das ameaças de Pyongyang por causa de manobras militares.

“Esta distensão duramente conseguida é uma justificativa para que as distintas partes assumam mudanças, portanto, esperamos que estas possam continuar o espírito de diálogo, reconciliação e cooperação que foi conseguido na Declaração de Panmunjom”, afirmou hoje em entrevista coletiva o porta-voz chinês, Lu Kang.


Leia mais

Encontro das Coreias – Uma nova história de união e paz

Aproveite as promoções especiais na Loja da Comunhão!