Cães, maridos e filhos

Um dia desses, a revista Época publicou um artigo sobre pais que estão criando os seus filhos usando os princípios do adestramento de cães. Achei muito interessante. Num desses canais de TV por assinatura, também há um programa em que o apresentador ajuda esposas a se relacionarem com seus maridos da mesma maneira que adestra cães. O programa é muito criativo. O marido não sabe que está sendo tratado da mesma forma usada pelo adestrador para disciplinar os cachorrinhos. As esposas têm reuniões periódicas com a adestradora. Câmeras são instaladas para observações, e regras básicas de adestramento são adaptadas para o trato com os maridos.

Achei muita graça quando um marido, no final do programa, revelou que já estava achando estranho, pois todas as vezes que seguia as orientações da esposa, esta dizia: “muito bem, você é um bom rapaz!”.

Pode parecer um pouco exagerado, mas o que eles estão usando nada mais é do que técnicas e princípios do behaviorismo ou comportamentalismo, no qual as respostas e os estímulos são usados sempre. O mais conhecido dos behavioristas é Ivan Pavlov. Muitos já ouviram falar de Pavlov porque foi ele um dos que sistematizou a teoria. Pavlov fez uma experiência interessante com cães. Sempre antes de alimentar um cão, batia-se um sino. O cão então associou o soar do sino à refeição. Todas as vezes que o sino soava, o cão salivava. Estava aí o princípio do estímulo-resposta.

Creio que precisamos, especialmente na criação de filhos, seguir alguns princípios do behaviorismo. Isso não quer dizer que você irá tratar seu filho como um cão, mas usará com frequência o princípio da disciplina, orientações claras, curtas e específicas, mas também estará sempre elogiando e premiando de forma adequada quando os resultados forem alcançados.

Por exemplo, no adestramento de cães, um princípio é sempre lembrado: o dono precisa impor sua autoridade sobre o cão. Já viu como cães adestrados se comportam? Nunca andam à frente, puxando o seu dono, nem atrás, mas ao lado. Ele sabe que quem controla seus passos é o dono. Outro detalhe: para que o cão obedeça, é preciso ordem clara, curta e, logo que atende, um prêmio é oferecido na forma de carinho, uma palavra de elogio ou algo para se comer.

Aplicando isso à educação de filhos. Há muitos filhos que lideram seus pais. Estou cansado de ver isso em shoppings, aeroportos, igrejas. São crianças sem um pingo de disciplina. São como aqueles cães que puxam os seus donos e não andam ao lado, de forma tranquila e disciplinada.

Por outro lado, muitas ordens são dadas de forma dúbia, hesitante e de maneira confusa. A criança não sabe que caminho seguir. Isso sem mencionar a duplicidade de disciplina. O pai diz uma coisa, a mãe outra. Se você deixar o seu cão nas mãos de um adestrador, terá que usar em casa as mesmas palavras faladas pelo profissional no processo do adestramento.

Em muitos lares, não se vê ou não se ouve nenhuma palavra de estímulo, de elogio ou afago. Só a palavras de reprovação, de condenação. Quando a criança faz algo de positivo, impera-se o silêncio.
Existem muitas correntes psicológicas que podem ser usadas na educação de uma criança, mas penso que de uma certa maneira, alguns princípios do behaviorismo deveriam ser aplicados para que haja crianças mais disciplinadas e com a autoestima elevada em nossos lares.

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