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quinta-feira, 6 maio 2021

A urgência da igreja salgar e iluminar a sociedade

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Certamente uma das melhores formas de a igreja salgar e iluminar é trabalhar mecanismos de prevenção e combate entre seus potenciais agressores: os homens

O jornal A Gazeta (datado de 13.06.2020) noticiou o covarde espancamento até a morte, pelo marido, de uma jovem de 25 anos, chamada Celina Conceição Brás, no município de Cariacica, ES. Vizinhos ouviram os gritos da moça pedindo por socorro, mas não chamaram a polícia. Limitaram-se a enviar áudios para o proprietário da casa durante à noite, que só foram ouvidos na manhã seguinte, quando o telefone foi ligado, sendo possível escutar os gritos de terror da moça, momentos antes de sua morte.

Quem chorará a morte de Celina?

Quem começará uma marcha, de proporções mundiais, ao exemplo do que foi feito com o afro-americano George Floyd, por todas as Celinas, Marias, Anas, Filomenas e tantas outras violentadas, espancadas, assassinadas todos os dias no Brasil ou em algum lugar do planeta?

No episódio de Floyd – que foi deitado de bruços e teve seu pescoço sufocado durante 8m e 46s por um policial de Minneapolis –, aprendemos que não somente a vida dos negros importam, mas todas as vidas importam!

Em janeiro de 2019, porém, a BandNews já noticiava que o Brasil ocupara o 5º lugar no ranking mundial de violência contra a mulher. Sabemos que com a pandemia essa estatística aumentou assustadoramente. Só em São Paulo, segundo Agência Brasil, aumentou 44,9%.

O secretário geral da Organização das Nações Unidas (ONU) lembra que “para muitas mulheres e meninas, a ameaça parece maior onde deveriam estar mais seguras: em suas próprias casas.”[1]

Essa combinação de tensões econômicas e sociais provocadas pela pandemia, bem como as restrições ao movimento, aumentaram dramaticamente o número de mulheres e meninas que enfrentam violência e abusos em quase todos os países.

Assim como Floyd sinalizou por várias vezes durante o tempo final de sua vida: não há como respirar… igualmente, sendo mulher ou se tendo uma filha mulher, no contexto que vivemos: não há como respirar

É certo que a violência doméstica pode ter muitas causas, como o ciúmes, a infidelidade conjugal mútua, o desemprego, a falta de diálogo, a falta de recursos financeiros, o consumo de bebidas alcóolicas, o agressor (como se percebe em muitos casos), possivelmente, ter sido criado em um lar violento, etc.

Mas há uma causa que é bíblica e não podemos nos furtar a ela. Efésios 5. 21, após nos remeter a importância da sujeição mútua nos relacionamentos, introduz o tema do lar cristão no qual é admoestado aos maridos (vs. 25 em diante) que amem suas mulheres como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela.

Quem ama e se entrega não humilha ou degrada!

Ato contínuo, o Apóstolo Paulo no vs. 28, reporta que os maridos devem amar a sua mulher como ao seu próprio corpo. Quem ama a esposa, a si mesmo se ama. No vs. 29 é enfatizado: “porque ninguém jamais odiou a própria carne, antes a alimenta e dela cuida, como também Cristo o faz com a igreja”.

Nestes versos, temos de modo muito claro a exortação ao 2º mandamento, ensino de Jesus: Amarás a teu próximo como a ti mesmo! Logo:

Marido que ama a si próprio, ama sua esposa. Marido que agride esposa não possui amor próprio!

Na relação de Jesus com a igreja aprendemos que a noiva é amada e cuidada, justamente, para ser apresentada de modo glorioso, sem mácula, ruga, nem coisa semelhante… que dirá hematomas – no corpo ou alma.

Certamente uma das melhores formas de a igreja salgar e iluminar é trabalhar mecanismos de prevenção e combate entre seus potenciais agressores: os homens. E, inclusive, envolvê-los na luta contra a violência doméstica, a exemplo do que é feito no movimento He for She[2].

Há uma necessidade urgente do tema ser tratado no meio eclesiástico possibilitando que o lar volte a ser um local seguro para suas mulheres, sejam esposas, sejam filhas. A igreja precisa se levantar com Graça e Verdade, promovendo diálogo justo e imparcial, impactando a sociedade e dando voz às suas vítimas.

“Please I can’t breathe…”

Que Deus gere inconformismo em nosso meio quanto à situação, pois todas as vidas importam, igualmente, a de mulheres. Deus nos guarde.

Débora Fonseca e Cunha Coordena a Missão Luz na Noite desde 2001 e atua no aconselhamento cristão na área da sexualidade humana há mais de 20 anos; formada em Direito e Psicologia; é autora dos livros Uma Fera em Busca de Sentido e Aconselhamento Cristãos em Luta com a Homossexualidade. Em produção, sua terceira obra voltada às temáticas sexuais, agora, dependência e codependência emocional.

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