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terça-feira, 23 abril 2024

Quando um defeito vem disfarçado de qualidade

Algumas pessoas acham que são sinceras demais, quando, na verdade, são mal-educadas. Foto: Freepik

Aquilo que o crente acha que é uma qualidade pode, na verdade, ser um defeito.

Por Cristiano Stefenoni

Quais são os seus defeitos? A pergunta, típica nas entrevistas de emprego, traz uma reflexão importante quando o assunto é vida espiritual: aquilo que o crente acha que é uma qualidade pode, na verdade, ser um defeito.

Afinal, ser sincero é diferente de ser sem educação. Falar a verdade não tem nada a ver com ofender o outro. Dar sugestões é o contrário de magoar alguém com duras críticas. Buscar orientação é uma coisa, ser fofoqueiro é outra e por aí vai.

E quando não há o bom-senso para melhorar, a pessoa se torna o conhecido “sem-noção” e passa a ser isolada pelos demais. Mas como identificar essas características e como trabalhá-las de modo a se tornar um melhor cidadão, e claro, um cristão mais próximo do ideal de Deus?

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A psicóloga clínica, Luana Oliveira Amaral, cristã, especialista em terapia cognitivo-comportamental na infância e adolescência, com formação em Orientação de Pais e Disciplina Positiva, explica que a primeira coisa a se fazer é tentar identificar algumas atitudes que “aparentemente” são boas, mas não são.

“Observar as consequências dos próprios comportamentos pode ser uma boa estratégia. As pessoas estão mais próximas ou mais distantes? Gostam da minha presença? Me convidam a lugares ou evitam minha presença? Buscar autoconhecimento em diálogos com profissional, como psicoterapia também pode ser uma boa estratégia” explica Luana.

Para a psicóloga, algo positivo pode ser tornar negativo quando começa a prejudicar a pessoa que faz e quem está a sua volta. Um exemplo disso são as pessoas que se dizem “sinceras demais”, quando, na prática, são mal-educadas. Ou quando é comunicativa demais, perde a noção do limite e acaba causando transtorno na vida de quem ouve.

“Geralmente as medidas de frequência e intensidade de um determinado comportamento podem dar sinais que uma característica, mesmo que de qualidade, pode estar fora de equilíbrio. Como exemplo, se comunicar é uma característica positiva, mas em excesso ela pode perturbar as pessoas e fazerem elas se afastarem”, justifica a psicóloga.

Segundo ela, esse tipo de comportamento pode acontecer em qualquer lugar, inclusive, na igreja. “Em ambientes de trabalho, ao desejar demasiadamente atenção ou contato social se não é esse o foco, por exemplo. Num grupo religioso, a mesma característica pode ser compreendida como simpatia e acolhimento, mas se o comportamento ocorre em excesso, torna-se incômodo e inconveniente”, afirma.

Sem mudanças, a pessoa pode acabar isolada 

Contudo, a psicóloga lembra que essas atitudes ruins podem, sim, serem trabalhadas, de modo que torne a pessoa mais sociável, dentro da realidade em que vive. Agora, caso a pessoa ache que está com a razão e não entenda que tal comportamento sem freio é um problema, a tendência é que essa pessoa acabe sendo isolada.

“Falta de autoconhecimento e autocrítica adequada leva o indivíduo a se portar de forma inadequada. Isso o leva a resultados problemáticos nas suas relações sociais, seja na família, no trabalho, em ambientes religiosos. Como consequência faz com que esse indivíduo perca oportunidades de desenvolvimento ou mesmo seja excluído das reuniões de lazer. As pessoas podem se afastar ou evitar a sua presença”, finaliza.

Cuidados para não transformar qualidades em defeitos

  • Quando o assunto é comportamento, não existe coincidência. Observe se os seus atos têm afastado ou aproximado mais as pessoas de você. Se não tem sido mais convidado nem para reuniões, programas sociais e de lazer, é hora de reavaliar as suas atitudes.
  • Não confunda as coisas: ser sincero é diferente de ser sem educação; falar a verdade não tem nada a ver com ofender o outro; dar sugestões é o contrário de magoar alguém com críticas; buscar orientação é uma coisa, ser fofoqueiro é outra; e por aí vai.
  • Tenha a humildade de perguntar às pessoas próximas sobre como elas veem as suas atitudes e tenha a tranquilidade de ouvir, maturidade para refletir e coragem para mudar.
  • A Bíblia é muito clara sobre a importância de cuidar das nossas atitudes em relação ao próximo. “E, como vós quereis que os homens vos façam, da mesma maneira lhes fazei vós também” (Lucas 6:31). Mas também ressalta que o Senhor tem poder para transformar nossas ações: “Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade” (Filipenses 2:13). Então, não desista de ser uma pessoa melhor.
  • Se for preciso, busque a ajuda de profissionais da área da saúde mental para ajudá-lo. A terapia pode fazer uma grande diferença em sua vida.

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