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domingo, 16 junho 2024

Olhares – Nº6: Um Terceiro Testamento?

Vejo, na igreja de hoje, elementos do Antigo Testamento, mais precisamente do Judaísmo; práticas totalmente estranhas à Nova Aliança

Por Pr. João Carlos Marins

Não há um Terceiro Testamento (mescla de fragmentos do Antigo Testamento e de fragmentos do Novo Testamento), conforme a conveniência de alguns. Certos preceitos, adotados pela igreja contemporânea, são bíblicos, mas não cristãos.

Quando eu vivia o cristianismo à luz do catolicismo romano, ao descobrir o inestimável valor da leitura da Palavra de Deus, meu primeiro movimento foi o de imaginar que poderia, ainda ali, dentro daquela estrutura religiosa milenar, de alguma forma, interferir para promover mudanças sob o prisma das novidades que eu estava experimentando.

A leitura bíblica estava mexendo comigo e eu não achava justo que me mantivesse omisso quanto aquilo que eu já não julgava mais certo, quando comparava o que eu via na religião com aquilo que passei a conhecer. Passei um tempo assim, com esta expectativa, até que despertei para o fato de que eu não conseguiria – absurda pretensão – mexer com o sistema religioso sob o qual aquela vertente do cristianismo estava vivendo. Aderi, então, à igreja cristã evangélica, ou protestante, como muitos assim a chamam.

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O que comecei a experimentar nesta nova vertente cristã durou um tempo, e foi muito bom para mim; era um tempo de novidades, de contato com uma nova cultura cristã, outras experiências nas veredas da fé, o que me levou ao progresso espiritual, o que nunca havia experimentado no catolicismo, até que uma nova onda de questionamentos começassem a frequentar a minha mente inquieta. Já dizia Sócrates que “vida sem questionamentos é vida sem valor”. Muitos demonizam os questionamentos. A grosso modo, a igreja cristã, na sua base, não se dá ao direito de debater temas polêmicos, de ouvir pontos de vista contraditórios, e tudo em nome da ‘doutrina’. Muitos líderes se valem de sua posição de autoridade para calar a voz daqueles que não conseguem entender certas questões.

Mais adiante, com a minha renúncia às funções de liderança na comunidade cristã da qual fazia parte, tendo aberto mão das responsabilidades que havia assumido até então, fiquei literalmente ‘no banco’, termo que se aplica àqueles que não ocupam qualquer atividade de linha de frente ou de apoio. Esta ‘falta de responsabilidade’ me permitiu fazer uma leitura bíblica com o olhar mais livre, ou seja, eu só devia satisfação a mim mesmo quanto àquilo que eu lia e entendia, pois não tinha mais a incumbência de reproduzir o meu entendimento para quaisquer que fossem os públicos. Isto se deu, de forma mais intensa, a partir do ano de 2006.

O resultado disto foi que passei a comparar o modelo de vida cristã constante do Novo Testamento, vivenciado pela igreja primitiva – a igreja do primeiro século – com o modelo vivenciado por grande parte das comunidades cristãs contemporâneas, e passei a perceber que se tratavam de igrejas diferentes, em muitos aspectos.

Vejo, na igreja de hoje, elementos do Antigo Testamento, mais precisamente do Judaísmo, vejo práticas totalmente estranhas à Nova Aliança, como que, com o passar dos séculos, a igreja já não tivesse apenas o Primeiro Testamento, ou Antigo Testamento, e o Segundo Testamento, ou Novo Testamento, mas um Terceiro Testamento. Talvez fosse muito ‘forçado’ dizer que a base dogmática da igreja cristã seja um Pseudo Testamento, uma mescla de coisas do Judaísmo, coisas do Cristianismo e coisas sei lá de onde.

Confesso que este processo de questionamento que passei a fazer não me deixou, e ainda nem tanto, muito confortável; convivo, numa escala menor, com a sensação de que estou cometendo erros de interpretação, ou de entendimento.

No entanto, tenho visto que esta inquietação não é só minha; é como se o Vinho Novo, um símbolo do Espírito Santo, estivesse à procura do Odre Novo, a igreja. Não basta que o Vinho seja Novo, mas o Odre também tem que ser Novo. A igreja não poderá experimentar do Vinho Novo a não ser que se adeque às demandas do Viticultor, o Pai. A Cultura vigente e as Tradições não podem competir com a Nova Aliança, com a Sã Doutrina.

A seguir, dois fragmentos das obras de Frank Viola:

“A verdade é que nós cristãos nunca colocamos em dúvida aquilo que fazemos. Pelo contrário, cumprimos alegremente nossas tradições religiosas, sem verificar de onde elas vieram. A maioria dos cristãos que afirma apoiar-se na Palavra de Deus nunca investiga se aquilo que faz a cada domingo tem base bíblica. Como sei isto? Porque se eles investigarem chegarão a conclusões bem incômodas, conclusões que compeliriam suas consciências a abandonar tudo que fazem’ – Cristianismo Pagão, página 10.”

“A história da igreja está cheia de exemplos que demonstram como praticamente toda renovação passada foi plena de obstáculos, pelo vinho novo ser rotineiramente reenvasado em odres velhos. Ao dizer odres velhos, refiro-me a essas estruturas eclesiásticas tradicionais que foram copiadas seguindo o velho sistema religioso judeu – um sistema que separava o povo de Deus em duas classes diferentes, requeria a presença de mediadores humanos, erigia edifícios sagrados e punha ênfase nas formas externas. As facetas do odre velho são muitas: a distinção clero/leigo, a reunião eclesial de estilo espectador/ator, o sistema de pastor único, o culto de adoração programado, o sacerdócio passivo, o complexo de edifícios, etc. Todas estas facetas representam formas veterotestamentárias em vestimentas neotestamentárias’ – Reconsiderando o Odre, página 7.”

Nisto pensai!

João Carlos Marins é pastor e especialista no tema responsabilidade social.

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