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sexta-feira, 19 abril 2024

O perigo de transformar objetos consagrados em amuletos

A questão de abençoar objetos se deve a necessidade do ser humano em querer materializar a sua espiritualidade. Foto: Freepik

Copo de água ungido, sal consagrado, toalhas abençoadas. Seria essa prática uma forma de indulgência moderna?

Por Cristiano Stefenoni

Copo de água ungido, sal consagrado, lenço e toalhas abençoados. O uso de objetos como forma de abençoar a vida de alguém é uma prática comum em algumas denominações. Aliás, em alguns casos, esses artefatos são entregues em troca de uma boa oferta. Mas essas ações têm respaldo bíblico? Não há o risco desses objetos se tornarem uma espécie de “amuletos” contra o mal ou até mesmo uma indulgência moderna?

“Acredito que a questão de abençoar objetos se deve a necessidade do ser humano em querer materializar a sua espiritualidade. Essas práticas, ainda que bíblicas (Êxodo 29:26,37-30; 25-29), se tornaram abolidas na pessoa de Jesus Cristo, pois vivemos agora um novo pacto, uma nova aliança. Não podemos querer incorrer em ritos ou experiências que nos levem a práticas que não sejam somente pela fé”, explica o pastor Sandro de Oliveira Lopes, da Igreja do Evangelho Quadragular de Itapuã.

O pastor explica que devemos ser guiados pela fé e vivermos por ela, principalmente, quando há uma conotação lucrativa por trás da ação. “A palavra de Deus é a fonte geradora de nossa fé (Romanos 10:17). Ao utilizarmos outros objetos, associamos elementos que não fazem parte do culto racional a Deus. E por fim, hoje há um enorme ‘mercado da fé’, onde se vende de tudo”, justifica.

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O pastor cita Números 21:8,9, em que Deus manda construir a imagem de uma serpente de bronze para livrar as pessoas das picadas venenosas das cobras. Quem fosse mordido e olhasse para aquela imagem, ficava curado e não morria. O problema é que, tempos depois, o povo passou a adorar essa serpente, o que fez ela ser destruída (2 Reis 18:3,4).

“O povo passou a adorar aquele objeto. Aquela imagem era um prenúncio do sacrifício de Jesus na cruz, portanto, anulando todo argumento de se adorar ou crer em objetos para fins de cura ou culto. Tanto que, posteriormente, o objeto em questão foi destruído”, ressalta.

Além disso, o pastor Sandro enfatiza que não há argumentos no Novo Testamento que valide essas práticas hoje. “Nós não vemos em nenhum lugar do Novo Testamento objetos sendo utilizados como sendo místicos ou com poderes sobrenaturais. Nem vemos os apóstolos em seus ensinamentos incentivando tal prática”, ressalta.

Por outro lado, o pastor explica que é permitido, sim, orar para Deus abençoar algum bem que Ele mesmo nos abençoou que tivéssemos. “Orar por uma casa, um veículo, bens e outros objetos não quer dizer, necessariamente, que estas coisas serão místicas. Orar por nossos bens materiais deve ter como finalidade única e exclusivamente a glória de Deus”, afirma.

Curas podem acontecer, mas são esporádicas e não doutrinárias

Já o pastor Sérgio de Sousa, da Assembleia de Deus ministério do Belém, que também é professor de Teologia na Faculdade Evangélica de São Paulo (FAESP), em casos esporádicos, Deus pode sim curar alguém por meio de algum objeto consagrado, mas isso não deve ser visto como algo doutrinário e que acontece de forma sistemática.

Ele cita o contexto em que essa prática foi vista no Novo Testamento: “De tal maneira, que até lenços e aventais que Paulo usava eram levados e colocados sobre os doentes. Estes eram curados de todas as suas enfermidades, assim como espíritos malignos eram expelidos deles” (Atos 19:12).

“Deus pode fazer isso esporadicamente, como fez com Paulo, que deu seu lenço para alguém levar, e com o lenço dele, as pessoas foram curadas, mas não podemos fazer disso uma doutrina”, afirma Souza.

Contudo, o pastor ressalta que é preciso ter cuidado para que as pessoas não confundam as coisas e acabem adorando mais o objeto do que Aquele que, por um determinado momento, revestiu o objeto de poder.

“Este é um ambiente muito propício a idolatria porque, a partir do momento em que a pessoa usada por Deus começa a fazer o uso desse dom para benefício próprio, se ela não perceber a tênue linha que a define alguém que só faz o que faz porque Deus a usa, certamente corre o risco de se colocar como um ídolo”, alerta o pastor.

E conclui: “Não vamos generalizar, dizendo que todos aqueles que abençoam tais objetos estejam agindo de má fé, mas infelizmente há os que abusam da fé do povo e fazem disso um meio para enriquecer”, finaliza.

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