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domingo, 24 outubro 2021

A não naturalização da violência doméstica também é papel da igreja

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Nosso compromisso é uma sociedade sólida e respeitosa, onde agressores e opressores precisam ser punidos e os agredidos amados, protegidos e tratados

Por Jacqueline Moraes

Um dos grandes ícones da música cristã evangélica brasileira a cantora e pastora Cassiane, lançou um clipe pela sua gravadora MK Music intitulado “A VOZ”. A letra da música trata de uma inspiradora e profunda narrativa enaltecendo a voz transformadora do Deus Eterno “… Alfa e ômega rege o universo faz o teu trono em nossos versos breve ressoará…”  preciso frisar meu carinho e admiração por esta cantora que acompanho há quase 30 anos da minha vida na caminhada cristã protestante e não é por acaso que tornou-se uma das maiores (se não a maior) voz pentecostal no país!

A triste e desagradável surpresa fica por conta do clipe da música que desentoa completamente da letra fazendo referência a violência doméstica nesse quesito deixo meu profundo repudio pela construção das cenas do clipe que traz uma mulher silenciada pela tão grande violência física, mental e patrimonial.

Como mulher cristã sei da importância e necessidade de orar, mas um crime precisa ser denunciado e não romantizado, e isto é independente da nossa posição Cristã, precisamos estar atentos ao clamor de uma sociedade doente e oprimida que vive de aparências. Sou ciente que  o poder de Deus é real e de fato tira o pecado do mundo, mas, nossos atos têm consequência “tudo aquilo que o homem plantar ele ceifará”.

A naturalização da violência é um desserviço à sociedade, numa pesquisa alarmante em 2010 o Instituto Mackenzie divulgou sobre a violência doméstica no âmbito cristão constando que cerca de 40% das mulheres que sofrem violência doméstica são de alguma religião. Qual o motivo disso? Questionei-me. Seria por que ao longo dos anos ouvimos as máximas “Ora que melhora” “A mulher sábia edifica sua casa e a tola destrói com suas mãos” “Suporte sua cruz” “Na briga de marido e mulher ninguém mete a colher dentre tantas outras frases proferidas  fora do contexto que nos faz baixar a cabeça as opressões como se este sofrimento fosse obra e graça do Todo Poderoso.

Agenda mulher

Movida pelo desejo de mudança criei dentro do “Agenda mulher” uma parceria com pastoras e líderes evangélicas o projeto “Viver em paz”. Nosso objetivo nesse projeto é tratar dentro da igreja este assunto tão relevante e por anos negligenciado: a violência doméstica. Desenvolvemos cerca de três ações em grupos distintos abordando o assunto de forma respeitosa e direcionada na orientação a estas mulheres.

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Vice-governadora com pastoras do ES, no projeto “Viver em paz”. Foto: Leandro Braga

A igreja que se propõe envolver-se nesse projeto recebe um título “Viver em paz” como indicador que aquela instituição religiosa está comprometida com a proteção e a conscientização da igualdade de gêneros e repudia toda e qualquer manifestação da violência doméstica, estamos com um grupo de pessoas que saindo da zona de conforto estão confrontando o mundo e se transformando pela renovação do entendimento, a fim de distinguir o que é crime da vontade soberana de Deus.

Nosso compromisso é uma sociedade sólida e respeitosa, onde agressores e opressores precisam ser punidos e os agredidos amados, protegidos e tratados e está  lição foi ensinada pelo maior Mestre de todos os tempos “Deus resiste aos soberbos, e da graça aos humildes” Jesus Cristo.

Jacqueline Moraes é vice governadora do Espírito Santo

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