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segunda-feira, 21 setembro 2020

Ataques do Estado Islâmico em três países matam mais de 60 pessoas

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A sexta-feira (26/06) foi marcada por ataques a três países de três continentes distintos que deixaram mais de 60 mortos até agora. Na França, um homem foi decapitado e outras pessoas ficaram feridas em um ataque a uma usina de gás. Na Tunísia, atiradores mataram pelo menos 38 pessoas – a maioria turistas estrangeiros – em uma praia na cidade de Sousse. E no Kuwait, o suicida responsável pelo ataque explodiu uma bomba em uma mesquita no país, deixando ao menos 25 vítimas fatais.
Os três ataques aconteceram no mês sagrado do Ramadã – período de jejum para os muçulmanos. O grupo que se autodenomina Estado Islâmico chegou a fazer uma convocação para seus seguidores aumentarem o número de ataques durante esse período.
O grupo extremista já assumiu a autoria dos atentados do Kuwait e da Tunísia que sofreu com algo parecido em março, quando atiradores mataram 22 pessoas em um museu popular entre turistas.
Na França, o suspeito pelos ataques foi identificado como Yassin Salhi, que tem em torno de 35 anos. Autoridades disseram que o corpo da vítima foi encontrado com inscrições em árabe e com uma bandeira islâmica por perto. A agência de notícias AFP relatou que as palavras em árabe foram escritas na cabeça da vítima.

Pânico

O ataque no Kuwait deixou centenas de pessoas em pânico. A bomba explodiu logo após as orações desta sexta-feira em uma mesquita xiita e deixou 25 mortos pelo menos, além de mais de 200 feridos.
Imagens que circulam pela internet mostram corpos em linha no chão ao lado de destroços.
Uma testemunha conta que ouviu um grande estrondo da explosão e que a mesquita estava lotada, com cerca de 2 mil pessoas. É possível que mais vítimas sejam confirmadas até o fim do dia.
“Deu pra ver pelo corpo do suicida e que ele era jovem. Ele entrou na mesquita durante as orações, olhou em volta. Eu o vi com meus próprios olhos”, disse Khalil al-Salih à agência Reuters.
Um paramédico afirmou à AFP que a maioria das vítimas eram homens e meninos que estavam orando na mesquita.
A área onde aconteceu a explosão é bastante movimentada e chocou o país, que não costuma ser alvo de ataques assim. O Estado Islâmico logo assumiu a autoria do atentado.

Usina de gás

O ataque na França aconteceu em uma usina de gás próxima à cidade de Lyon. O corpo do homem decapitado – descrito como ‘homem de negócios – foi encontrado perto do local com inscrições em árabe.
Segundo o presidente francês, François Hollande, a ideia era “explodir todo o prédio” e o incidente tinha “todos os traços de um ataque terrorista”.
De acordo com autoridades locais, o ataque começou quando dois homens invadiram a fábrica de produtos químicos Air Products, que fica em Saint-Quentin-Fallavier. Várias explosões foram ouvidas em seguida.
Um dos suspeitos já era investigado pela polícia desde 2006 e foi preso.
“Todos lembramos do que aconteceu antes em nosso país. Há, portanto, muita emoção envolvida (no incidente desta sexta-feira)”, disse Hollande, referindo-se ao ataque contra o jornal Charlie Hebdo, e os outros que vieram depois, em Paris, em janeiro. Ele falou em uma entrevista em Bruxelas, onde participava da Cúpula da União Europeia e logo depois partiu para Paris para acompanhar o desenvolvimento da história.
Segundo o repórter da BBC em Paris, Hugh Schofield, o principal suspeito responsável pelo ataque e preso pelas autoridades locais foi Yassin Salhi, que tem em torno de 35 anos. De acordo com informações da mídia local, ele mora em Lyon com a esposa e três filhos.
“Suas ações foram bem parecidas com as do Estado Islâmico. Ele decapitou um homem, depois tentou aparentemente explodir a fábrica. Era uma tentativa de explosão suicida? Se sim, seria a primeira na França. E com um presságio ainda pior”, analisou Schofield.

Praia

Já na Tunísia, o ataque foi de novo direcionado a turistas, da mesma maneira que aconteceu em março, quando um homem abriu fogo em um museu e matou 22 pessoas.
Desta vez, o local ‘escolhido’ para o ataque foi uma praia movimentada na cidade de Sousse, próximo a hotéis e resorts cheios de estrangeiros que passavam férias no local.
Foram mortas pelo menos 38 pessoas. O atirador responsável pelo ataque foi identificado como o estudante Seifeddine Rezgui e não era conhecido pelas autoridades.
Autoridades de segurança disseram que o autor do ataque estava vestido como um banhista e carregava um rifle sob um guarda-sol. Ele iniciou os disparos na praia antes de entrar no Hotel Imperial Marhaba, onde continuou a atirar.
O primeiro-ministro tunisiano, Habib Essid, anunciou uma operação de segurança, que incluirá o fechamento de 80 mesquitas acusadas de “espalhar propaganda e veneno para promover terrorismo”.
Alguns turistas britânicos estavam na praia onde aconteceu o ataque e descrevem que ouviram algo que parecia um tiroteio, com muitas balas vindo na direção da praia.
Gary Pine era um dos que estava na região e disse que o pânico tomou conta dos turistas quando os primeiros tiros foram ouvidos. “Parecia que estava acontecendo a pouco mais de 100 metros da gente. As pessoas começaram a correr para todas as direções.”
“Foi confuso, ninguém sabia o que tinha acontecido. Minha mulher gritava para meu filho sair do mar, enquanto ele corria e dizia: ‘Acabei de ver alguém levar um tiro!'”, contou.
A britânica Debbie Horsfall, de Huddersfield, estava na praia com a amiga quando os tiros começaram. “Minha amiga levantou e viu um homem atirando. Nós levantamos e corremos, mas não sabíamos para onde ir.”
“Nós estávamos aqui apenas por dois dias – viemos na quarta. Voltamos para os nossos quartos, mas não nos sentimos seguras. Nós só queremos ir embora agora. Por enquanto, o hotel e a praia estão interditados”, relatou.
O primeiro ministro britânico, David Cameron, ofereceu solidariedade “na luta contra este mal que é o terrorismo”.

Com informações da BBC Brasil.

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