Séo Fernandes: Tempero baiano na música cristã

O cantor, irmão de Saulo Fernandes, ex-vocalista da secular Banda Eva, conta que a influência do gênero marcante de sua terra natal e a paixão pelas batidas nos tambores começaram cedo, já que nasceu em família de músicos.

A nova promessa do segmento cristão converteu-se em 2012, tornou-se pastor e agora lança seu disco. A pauta sobre Séo Fernandes foi proposta quando a redação de Comunhão recebeu o material de divulgação do cantor em forma de pen card (dispositivo com o formato de cartão magnético, com um pequeno pen-drive que pode ser ligado a uma entrada USB). Surgiu então a curiosidade em entrevistá-lo.

O artista, que não gosta de ser chamado de poeta, embora escreva poesias, apresenta uma visão inovadora e criativa de adoração em seu projeto “Graça, Tambor e Cordas”, distribuído pela Sony Music. Com sonoridade típica da música baiana, mesclada a notas suaves, o álbum reúne canções que traduzem muito bem o seu estilo.

Confira a entrevista concedida à Comunhão.

Você deixou a música secular em 2012 e, a partir daí, começou a se dedicar ao Evangelho e à música cristã?
Minha saída da música baiana envolve uma série de fatores. Entre 2001 e 2012 toquei esse estilo. Nesse período, em 2005,  eu me converti. Como a minha conversão foi genuína, comecei a rever alguns conceitos de vida, os meus princípios e principalmente o tipo de influência que eu estava exercendo sobre as pessoas que me ouviam, que tipo de mensagem eu estava passando.

Quando nós entendemos de forma genuína o Evangelho, começamos a nos preocupar com quem está ouvindo, se aquilo está edificando ou trazendo crescimento. Essas coisas começaram a surgir em mim, e eu comecei a perceber que era uma influência pequena, se comparada à mensagem do Evangelho.

Isso começou a tirar um pouco a minha paixão por aquilo que estava fazendo e aquele amor ao reconhecimento dos fãs. Era uma fama que traria apenas dinheiro e reconhecimento para mim.  E eu comecei a me desfazer disso. Cheguei até a ganhar prêmio em 2009, mas eu já estava desanimado, não queria mais viver aquilo e estava orando para que Deus me tirasse dali.

E sua saída? O que o motivou a buscar esse caminho?
Naquele mesmo ano, me reuni com os empresários.  Por questões de contrato tive de permanecer por mais dois anos e montei um outro projeto. Em 2012, acabei saindo definitivamente.

O que culminou na minha saída foi um evento que fomos fazer no Norte do país, onde um jovem acabou sendo assassinado em um show meu. Eu vi o cara agonizando e morrendo na minha frente e me senti impotente ali naquela hora. Foi um momento muito difícil e duro da minha vida e te confesso que a minha decisão de parar de cantar em 2012 não foi uma decisão de sair da música baiana apenas, foi uma decisão de parar de cantar. Não pensava em reiniciar em nenhum segmento, porque todas as vezes que me lembrava do show vinha à minha mente aquele homem morrendo. Até que eu passei por um processo de cura, e o Espírito Santo começou a me levantar.

Em 2015, acabei retomando a carreira e decidi gravar este disco, entendendo que no meu passado alguém morreu. Só que no meu presente e futuro estou levando a mensagem que vai fazer as pessoas ressuscitarem com Cristo, fazer as pessoas ganharem vida. É isso que me motiva hoje. Não é um cantor que mudou de estilo ou de mensagem, é alguém que mudou de vida.

Seu estilo musical é bem voltado às canções típicas da Bahia, como as do Olodum. Por que optou por esse caminho? De onde veio essa ligação com os tambores e os instrumentos africanos?
Meu estilo musical é minha base, minha verdade. É o que eu cresci ouvindo e aprendendo. Cresci ouvindo música brasileira, bossa nova, entre outros gêneros. Na minha adolescência conheci os tambores e a percussão. Sempre sonhei ser percussionista e sempre me encantei pelo Olodum e principalmente com a mensagem que o samba reggae trazia.

Inicialmente era uma mensagem muito bela. Era uma voz de liberdade, contra o preconceito racial e que dava espaço aos negros,  para a sua cultura e sua dignidade. Isso tudo sempre me encantou,  e eu cresci ouvindo. Essas canções são o reflexo daquilo que eu aprendi na minha escola musical. Eu seria falso se gravasse um disco de rock ou forró, por exemplo, que são estilos lindos. Eu amo a música brasileira, é a mais lindo do mundo. Mas eu não poderia gravar algo que não faz parte da minha vida. Eu trataria como algo comercial  e não seria verdadeiro. Todos os ritmos que estão neste álbum eu amo, e quero continuar para o resto da vida com a mensagem correta do Evangelho.

Já recebeu críticas por seu estilo?
Sim, já recebi críticas. Jesus disse: “Pai, eu oro para que eles sejam um como eu sou contigo”. Jesus prezou por unidade, e os chamados ministeriais vieram com um intuito de dar unidade ao Corpo de Cristo. A gente se classifica em determinadas religiões, e isso nos divide. Classifica a música como gospel e secular, e isso nos divide. Classifica como santo ou profano. A imagem que se tem da música cristã é de um ritmo, um estilo, baseado até no rock britânico. Há um padrão, não sou contra, mas não podemos ficar só nisso.

Paulo disse: “Eu me fiz tolo para pregar aos tolos, eu me fiz de fraco para pregar aos fracos”. Ele não tinha um estilo fixo e se adaptava ao que era necessário para anunciar o Evangelho. E é isso que eu quero para mim, apesar de respeitar quem não concorda e quem critica. Eu não vou ser o crítico dos críticos. Cada um tem a sua escolha, a sua estrutura religiosa, e eu respeito e sei que não posso impor nada a ninguém.

Onde busca inspiração para suas composições? Naquilo que presencia em suas apresentações, na sua própria vida, no seu engajamento com os assuntos contemporâneos?
Acredito que tudo nos inspira. Nós temos um elemento inspirador chamado Espírito Santo. No nosso dia a dia, encontramos algo que nos inspira. Nas apresentações, no convívio com as pessoas. Por ser pastor, fico em contato direto com as necessidades das pessoas e com aquilo que elas precisam ouvir para serem transformadas.

As minhas canções tiveram um direcionamento que não é muito comum. Como eu havia desistido de cantar, me dediquei a pregar o Evangelho. Tornei-me pastor e comecei a estudar muito para conseguir passar uma boa mensagem e cada revelação bíblica para eles. A melhor forma de as pessoas assimilarem as mensagens é por meio da música. Foi então que comecei a compor as canções, baseado nas revelações que eu estava tendo e pregando para a comunidade. Elas não nasceram com o intuito de serem levadas para
apresentações ou gravadas num disco. As minhas canções nasceram com a finalidade de fazer as pessoas que congregavam comigo na igreja a entender melhor as mensagens. É por isso que tenho um disco recheado de canções repletas de passagens bíblicas apuradas e ao mesmo tempo simples.

“Graça, Tambor e Cordas” chega ao mercado em um formato diferenciado  (pen card). Qual a intenção dessa distribuição? Manter sua marca de forma diferenciada, assim como tudo o que produz?
Sim, está num formato diferenciado. Mas é preciso que as pessoas entendam que eu não busco ser diferente. Se fizesse isso, ficaria forçado. Busco ser eu mesmo.  O meu estilo e a minha musicalidade vêm de uma criação e da minha verdade. Em relação ao pen card, isso traz um pouco de inovação, um pouco dessa nova forma de distribuição, que é a digital. Ela mostra uma evolução e eu quero chegar já nesse processo de evolução.

Como foi a criação desse projeto, as composições, a produção musical, etc?
As composições nasceram com a ideia de passar a mensagem do Evangelho, de acordo com as  revelações bíblicas que eu tinha, que foram transformadas em músicas.  A parte de arranjos foi feita em parceria com dois caras fantásticos, que são Ilton Mendes e Cara de Cobra, músicos  renomados. Dei liberdade para eles, e rolou uma grande interação. Acredito que, sem a influência deles, esse disco não sairia da mesma forma que está. Tem a minha contribuição nas letras, em que exerci meu lado poético, mas a concepção instrumental veio do talento deles.

OUÇA A ENTREVISTA COM SÉO FERNANDES

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