Você sabe o que é Pansexual?

“Onda” chega às escolas, dizendo que “vale tudo” quando a questão é a opção sexual

A discussão em torno da escolha ou do comportamento sexual das pessoas parece estar longe de chegar ao fim. A cada geração surgem novos movimentos ligados à sexualidade que surpreendem até especialistas da área.  Na contramão dos ensinamentos bíblicos e com a intenção de parecer “descolado e moderno”, adolescentes e jovens têm sido o principal alvo da imposição de práticas que tentam forçar a mudança de conceito de identidade de gênero, definida pelas Escrituras como macho e fêmea, homem e mulher (Gn 1:27). Por outro lado, a Palavra adverte que devemos amar ao próximo (Lc 10:27) e que não devemos julgar (Mt 7:1).

Depois de uma série de debates, estudos e manifestações pró e contra a prática da homossexualidade e suas vertentes, o tema aparentemente mais presente entre os jovens, sobretudo dentro das escolas, é a pansexualidade, que se define pela atração sexual ou afetiva entre pessoas, independentemente do gênero.

Ou seja, o pansexual é o indivíduo que é atraído por todos os “perfis” sexuais, não se limitando apenas ao masculino ou ao feminino. Ele se considera de gênero neutro e, mesmo não sendo homossexual, quer ter experiências com pessoas do mesmo sexo para estar na “moda” e cumprir uma “regra” que estaria sendo imposta por sua faixa etária para ser aceito no grupo como alguém “descolado”. Em outras palavras, seria uma espécie de vale-tudo?

Etimologicamente, o termo “pansexual” se originou a partir do prefixo grego “pan”, que significada “tudo” ou “todos”. Nesse caso, seriam todos os tipos de gêneros sexuais. São os chamados gêneros neutros, que estão nas escolas, bairros, igrejas e famílias. Mas a atração também tem como alvo aqueles que se declaram como de terceiro gênero, intersexo, transexuais ou qualquer uma das muitas identidades desse leque.

Sobre isso, o pastor e terapeuta Davi Hoffman, membro da Igreja Batista da Orla, em Vila Velha (ES), informa que essa é uma realidade presente principalmente entre os adolescentes, mas que alcança todas as faixas etárias, que é a prática homossexual como requisito para ser aceito pelo grupo. “O adolescente que não experimenta tal prática é tido como ‘não descolado’, careta, como se dizia antigamente. O ‘legal’ é experimentar de tudo. Isso faz com que muitas pessoas, mesmo não se identificando como homossexuais, venham a ter tal experiência”, comenta.

Quem observa essa realidade no ambiente escolar é Sanusa Hehr, diretora da Unidade Municipal de Educação Fundamental Mário Casanova, em Vila Velha. “Há sim um grande modismo dentro das escolas, onde os alunos se influenciam mutuamente. Nessa situação específica, alguns querem estar na moda, para mostrar aos demais que fazem parte desta ou daquela ‘tribo’, relacionando-se com outros do mesmo sexo para se divertir e exibir superioridade e liberdade perante os colegas e professores.”

Em colégios de grandes cidades brasileiras, discutir a diversidade de gênero virou assunto obrigatório. Dados de um levantamento da agência de publicidade J. Walter Thompson apontam que 76% dos jovens brasileiros não dão importância à orientação sexual dos outros e 82% concordam que as pessoas devem explorar mais a própria sexualidade. A consulta ouviu 1.500 pessoas entre 12 e 19 anos no Brasil, nos Estados Unidos e na Inglaterra.

Outro estudo, coordenado pela psicóloga Luciana Mutti, em Porto Alegre (RS), revelou que 20% dos adolescentes já haviam tido relações com pessoas de ambos os sexos. O público entrevistado na capital gaúcha, de cerca de 400 jovens, tinha de 13 a 18 anos. Trata-se de uma mudança e tanto. Basta lembrar que, até 1990, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificava a homossexualidade como distúrbio mental.

“O adolescente que não experimenta tal prática é tido como ‘não descolado’, careta. O legal é experimentar de tudo”, Davi Hoffman, pastor e terapeuta

Davi Hoffman assinala que está havendo uma naturalização da sexualidade em qualquer sentido, tanto hétero, como homo, bi, pan… E que uma relação íntima é vista como algo que dever ser vivido de forma livre e sem culpa. Tal cenário leva o especialista a fazer algumas ressalvas com relação à discussão de identidade de gênero nas escolas.
“Entendo que essa é uma discussão ideológica direcionada por um grupo que deseja a implementação de uma ideologia como cultura nacional. Os cidadãos têm o direito de se posicionar quando se sentem atingidos em seus valores. Particularmente não acredito na teoria de gênero, nem mesmo as ciências apontam para essa direção, pelo contrário, indicam para a presença de macho e fêmea, homem e mulher. E, como cristão, acredito na criação do homem e da mulher conforme relatos bíblicos – ‘Criou Deus o homem à Sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher; e eles se tornarão uma só carne’ (Gn 1:27 e 2:24)”, avaliou.

Sanusa Hehr diz que a situação é assustadora, principalmente ao se levar em conta que os alvos são adolescentes entre 12 e 15 anos, uma faixa etária ainda imatura para decidir sobre sua vida sexual, além de não ser responsável pelas consequências que isso poderá acarretar para seu futuro. Por esse motivo, ela defende a discussão da diversidade de gênero nas escolas.

“Essa situação que ocorre de forma precoce poderá provocar em nossos alunos desinteresse nas aulas, rebeldia, aumento do índice de reprovação, influência aos demais colegas.  Eles ainda não conseguem separar as questões de sexualidade, namoro, relações com compromissos e responsabilidades na escola. E a escola é uma ferramenta instrutiva, esclarecedora e formadora de opinião. Não podemos, como educadores, simplesmente

ignorar esse tema e se abster. Por trás do estudo sobre a diversidade de gêneros, existem inúmeros outros aspectos que deverão ser levados em conta, como bullying, conservadorismo, violência física e mental, entre outros.  A escola não pode, nem deve, tomar a decisão de cada um, mas tem o papel de instruir de forma clara, precisa, e principalmente estar pautada na legalidade do tema, sem ‘achismos’ ou opiniões pessoais”, analisa.

Igreja e Família

Se escolas e educadores devem manter o diálogo aberto e o tema em pauta para uma abordagem esclarecedora, qual seria o papel das igrejas e da família nesse contexto da sexualidade, sob quaisquer formas que ela se apresenta? Para Hoffman, está havendo uma abertura dos ambientes eclesiásticos e dos lares para essa discussão, e as famílias precisam instruir os seus filhos sobre sexualidade de forma aberta, dentro de princípios que acreditam, mesmo que isso vá contra os valores culturais presentes.

“Como terapeuta, devo trabalhar para que as pessoas encontrem seu equilíbrio e escolham aquilo que entendem ser o melhor para elas; não devo interferir em sua opção sexual. Mas também creio que cada família e cada grupo devem seguir aquilo que acreditam. Como cristãos temos nossos princípios e valores sobre a sexualidade, que deve ser experimentada em sua plenitude dentro dos mesmos princípios e valores. Os pais têm a responsabilidade de ensinar os seus filhos nos valores que acreditam, e os filhos farão suas escolhas”, resume.

Entretanto, o especialista aponta para o despreparo das igrejas na hora de receberem e acolherem os homossexuais. “Até pouco tempo havia pouca informação sobre a homossexualidade, que era entendida como uma doença que deveria ser extinta do meio da Igreja. Cometemos muitos erros como Igreja, mas isso tem mudado, temos muitos líderes que pensam diferente hoje; que se informam e procuram entender os conflitos vividos por um cristão com tendências homossexuais. E buscam acolher e cuidar dessas pessoas dentro de uma perspectiva cristã”, conclui.

Sanusa relata que, geralmente, quando é diagnosticado na escola um caso de homossexualidade entre os estudantes, a família se abstém ou não aceita a situação do filho ou da filha, o que dificulta o processo de ensino e de orientações para os jovens envolvidos.  Para ela, tanto igrejas como escolas precisam buscar mais informações sobre o tema. “Não vejo uma formação atualizada sobre a questão para orientação dos profissionais da escolas ou para as lideranças da igreja. Para se transmitir qualquer assunto, devemos primeiro aprender em um âmbito geral e de forma correta, para depois propagar o conhecimento aos demais, pautados na verdade e em fatos comprovados cientificamente por meio de pesquisas e estudos.  Esse tema deveria ser mais explorado”, opina a diretora escolar.

Buscar conhecimento, dialogar de forma aberta e responsável, defender seus princípios cristãos, procurar ajuda profissional e amar, amar e amar. Eis uma receita que pode ajudar pais, filhos, educadores, líderes de igreja e os que vivem algum conflito com a própria sexualidade.

Para os que acreditam nas Escrituras Sagradas, o texto bíblico em Romanos 1:25-29 aborda acerca de algumas práticas que desagradam a Deus, incluindo a do uso do próprio corpo e da sensualidade de uns para com os outros. “Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém. Por isso Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza. E, semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro. E, como eles não se importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não convêm. Estando cheios de toda a iniquidade, fornicação, malícia, avareza, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade.”

Sendo o indivíduo pansexual ou não, a Bíblia tem orientação para quem deseja moldar-se aos seus ensinamentos. Terapeutas, psicólogos, educadores e sexólogos podem contribuir para o esclarecimento de dúvidas envolvendo o tema, mas a Palavra de Deus deixou tudo o que as pessoas precisam saber para serem salvas e felizes.

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