Muita heresia na igreja!

Assim como o Direito Constitucional tem sua cláusula pétrea – ou seja, seus termos jurídicos que definem direitos e obrigações devidamente consolidados e que não podem sofrer mudanças conforme tendências políticas, sociais ou econômicas –, assim também o Cristianismo possui suas verdades bíblicas imutáveis, e qualquer tentativa de negação de uma verdade essencial da Palavra de Deus configura-se uma distorção, uma heresia.

A palavra “heresia” pode ser traduzida por negação ou desvio de uma doutrina básica da Igreja, como rejeitar que Jesus Cristo veio ao mundo para nos salvar. Essa é uma doutrina básica. Mas a recusa também pode ser de forma indireta, na qual o herege diz acreditar, mas age de modo a disseminar mentira em relação a um ensinamento bíblico essencial. Essencial porque existem situações que dão margem à discussão sem cair no risco da heresia.

Para exemplificar, o Pr. Hernandes Dias Lopes cita que “a segunda vinda de Cristo ao mundo é verdade essencial da Teologia. Porém, quando isso se dará, antes ou após o milênio, não é uma verdade essencial, é secundária, e por isso cabe discussão e pontos de vista diferentes”.
Segundo ele, não é possível definir como herege quem não conhece a verdade. Assim, herege seria a pessoa que, depois de receber ensinamento bíblico, conscientemente ou não, influenciado ou não, se desvia dele. Mas esse afastamento do conteúdo bíblico tem recebido novos significados, e muitos cristãos ou religiosos tentam “abolir” textos das Escrituras.

As distorções de entendimento da Palavra, propositais ou não, que levam à heresia estão em todos os ambientes da igreja, desde a postura do líder, passando pela pregação no púlpito até as músicas cantadas. “As heresias não nascem nos bancos das igrejas, elas nascem nas cátedras, nos altos postos da igreja, nos seminários. Depois descem para os púlpitos e chegam à igreja”, adverte o pastor presbiteriano Hernandes Dias Lopes.

Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisas Life Way em 2014, entre os norte-americanos, revelou que que muitos evangélicos dos EUA têm opiniões “heterodoxas” sobre a Trindade, a Salvação e outras doutrinas básicas. Conforme os padrões dos conselhos mais importantes da Igreja primitiva, essas posturas seriam consideradas heréticas.

As principais conclusões do estudo são que, embora a imensa maioria – 90% dos evangélicos e 75% dos católicos – acredite que o céu é um lugar real, cerca de 19% dos evangélicos (e 67% dos católicos) creem que existem outros caminhos para chegar lá que não sejam através da fé em Jesus. Na média, os americanos não parecem muito preocupados com o pecado ou em ir para o inferno depois de morrer. Dois terços (67%) dizem que a maioria das pessoas são basicamente boas, apesar de todos os seus pecados. Apenas 18% acham que até mesmo pequenos pecados podem resultar em condenação eterna, enquanto pouco mais da metade (55%) afirma que Deus tem “um lado irado”.

Menos da metade (48%) tem a convicção de que a Bíblia é a Palavra de Deus, sendo que 50% dos evangélicos e 49% dos católicos assinalam que ela é “útil, mas não uma verdade literal”.

Confusão teológica
A importância desse tipo de levantamento para os cristãos brasileiros reside na grande influência da Igreja norte-americana sobre a maioria das denominações cristãs do mundo ocidental. Segundo Stephen Nichols, diretor acadêmico do Ministério de Ensino da Ligonier, os dados mostram “um nível significativo de confusão teológica”. Muitos evangélicos não têm visões em harmonia com a Bíblia sobre Deus ou os seres humanos, especialmente em questões de salvação e do Espírito Santo, acrescentou.

Para o Pr. José Ernesto Conti, é óbvio que o peso da Igreja nos Estados Unidos sobre o restante do mundo é bastante significativo. “Podemos dizer que boa parte das heresias hoje impregnadas nas Igrejas brasileiras veio dos EUA. Algumas outras foram inventadas aqui mesmo no Brasil. A Bíblia fala que não podemos ser ‘bonzinhos’ com aqueles que pregam ou ensinam mentiras”, observa. Hernandes Dias Lopes reforça dizendo que “o Brasil importa tudo, inclusive a Teologia e as heresias”.

Há cultos em igrejas evangélicas que contrariam frontalmente as Escrituras, com seus descarregos, unções de objetos, rituais cheios de sincretismo, músicas que distorcem a verdade bíblica, sermões que têm mais de autoajuda do que a voz divina. É muito comum a entrada de heresias nas liturgias dos cultos por causa das invenções feitas nas ministrações, sem qualquer respaldo na Palavra. Percebe-se também falha na base doutrinária da igreja, o que permite a entrada de ensinamentos contrários ao que prega a Escritura Sagrada e por isso causa discordância entre os ramos evangélicos.

Para que o rebanho não seja afetado com as heresias, é importante ensinar a Bíblia com seriedade e consciência. Ela tem sido estudada por grandes mestres, desde os pais da Igreja, passando por Agostinho, pelos reformadores e até pelos atuais teólogos, de forma que pouca coisa existe ainda indecifrável em seu conteúdo.

Para refutar uma heresia, basta avaliar se o que está sendo ensinado tem fundamento na Palavra de Deus, por mais que para muitos isso pareça tradicional ou antiquado. A tentação que boa parte da liderança evangélica tem em acrescentar “coisas novas” na liturgia e na doutrina é muito grande. O apelo ao moderno e ao pragmático é enorme. Até porque algumas dessas invencionices “enchem” a igreja e tornam o “ministério” famoso e conhecido.