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segunda-feira, 27 maio 2024

Vida de pai

pai e filha
Foto: Freepik

Cada vez mais atividades simples estão ficando distantes da rotina de vida dos pais do nosso tempo

Por Elisa Rangel [atualizado por Márcia Rodrigues]

Brincar, passear, dar atenção e carinho, conversar sobre assuntos da escola, da faculdade, do namoro, da igreja, do trabalho, das finanças. Essas não são ações feitas apenas pelas mulheres, pelas mães. Mas como os pais podem arranjar tempo para fazer isso tudo e ainda lutar para se estabelecer na profissão que exercem quando são eles que sustentam a família?

No livro Agora é a Hora de Amar Seu Filho, de John M. Drescher, quatro dicas são expostas para ajudar os pais. A primeira delas é: procure ser mais simples. Os filhos precisam mais do amor dos pais do que das coisas materiais que recebem deles. Outra orientação é: arranje tempo para recreação. “As experiências mais significativas de sua infância que ficaram na memória não são aquelas de que toda a família participou?”, questiona o autor do livro.

O terceiro ponto que deve ser levado em consideração pelos pais é “construir camaradagem”. O amor é construído com base nos relacionamentos e, além disso, a camaradagem e a participação em família ajudam a prevenir problemas disciplinares. Enfocando outra situação na relação entre pais e filhos, o autor orienta que sejam estabelecidos horários para conversarem. “A verdade é que muitos moram na mesma casa, mas vivem em mundos distantes”, diz John Drescher.

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Esse não é o exemplo de vida do engenheiro eletricista Luiz Alberto Pinto, 41 anos, que atua como professor de cursos técnicos e de faculdade. Quando está com a mulher, Suzete Araújo de Assis Pinto, 39, e a filha, Daniella Cristina de Assis Pinto, 13, as horas que passam juntos são otimizadas.

Durante todo o dia, até as 22 horas, ele dá aulas em uma escola técnica e também em uma faculdade. O tempo entre uma atividade e outra é o que dedica à família. “Tento otimizar os poucos momentos que tenho porque o mais importantes não é quanto tempo você gasta com a família, mas como você gasta esse período. O que vale é a qualidade do momento. Temos que torná-lo agradável e proveitoso”, explica o engenheiro.

Luiz Alberto conta que procura almoçar todos os dias em casa, como também até arrisca fazer os almoços dominicais, enquanto a mulher e a filha adolescente estão nos ensaios dos corais da igreja. “Na minha casa, entendemos que o homem é o responsável pelo provimento material, mas isso não o isenta de se envolver em outras atividades e aspectos da relação familiar, como por exemplo as necessidades emocionais da minha filha. Somos amigos e conversamos sobre tudo. Sei que muitas vezes a menina tem mais liberdade em conversar com a mãe, mas o importante é que me coloco à disposição dela para ouvir e ajudar”, relata.

Evite errar

Na dificuldade de conciliar os horários de trabalho com os momentos para ficar com a família, muitos homens acabam caindo em alguns erros. Normalmente, as mães acabam estreitando mais os laços afetivos com os filhos porque passam mais tempo em casa. Muitas vezes, por sentir que estão ausentes por longos períodos do dia, os pais dão presentes e agem com frouxidão no tratamento com os filhos, conforme cita e explica o pastor Hernandes Dias Lopes, da Primeira Igreja Presbiteriana de Vitória.

“Por trabalharem o dia inteiro, alguns pais educam mal os seus filhos. Ausentes quase sempre, eles acabam compensando na frouxidão e criam adolescentes e jovens desobedientes. Outros pais, substituem a presença por presentes”, diz o pastor.

Segundo o pastor Hernandes, uma nota baixa na escola, por exemplo, não deve ser ignorada, mas sim conversada com o filho para gerar disciplina e obediência. “Quando eles chegarem com uma nota baixa no boletim ou em uma prova da escola é preciso disciplina e encorajamento. Duas coisas podem ser nocivas para os filhos: disciplina sem encorajamento e encorajamento sem disciplina. O pai tem que ser firme nessa hora”, acrescenta o pastor.

Pai e sacerdote

Seguindo a orientação bíblica, é do homem a responsabilidade de ser o sacerdote na família. É ele quem deve instruir e conduzir a esposa e os filhos para uma relação de comprometimento real com Deus e Jesus Cristo. Em Efésios 5:22 e 23 lê-se: “Vós mulheres, submetei-vos a vossos maridos, como ao Senhor; porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja, sendo ele próprio o Salvador do corpo”.

pai e pastor
Foto: Freepik

O pastor José Santana, 31, da Igreja de Nova Vida, explica que não fica a cargo do homem a responsabilidade de apenas suprir as necessidades financeiras da casa: “A Bíblia diz que o homem é o cabeça da casa. Ele é a autoridade espiritual no lar e tem que levar os seus filhos e a sua esposa a ter um compromisso espiritual com Deus. Não é apenas enchendo a despensa que já terá feito o seu papel”.

Um exemplo de dedicação e do papel de sacerdote que Deus institui para o homem está no livro de Jó. No primeiro versículo do livro, o autor descreve que Jó era muito rico e com muitas atividades. “Possuía ele sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois e quinhentas jumentas, tendo também muitíssima gente ao seu serviço; de modo que este homem era o maior de todos os do Oriente”, diz o texto.

Para o pastor Hernandes Dias Lopes, Jó era um mega empresário e tinha uma agenda tumultuada, cheia de compromissos. “Ele tinha empregados para gerenciar, animais para cuidar. Devia ser uma pessoa sem tempo para se dedicar à família e também a Deus”, supõe o pastor. No entanto, o versículo 5 do mesmo capítulo diz: “Jó, levantando-se de madrugada, oferecia holocaustos segundo o número de seus filhos e dizia: Talvez meus filhos tenham pecado e blasfemado de Deus no coração. Assim o fazia Jó continuamente”.

“Com certeza Jó tinha tempo para os filhos e tinha a amizade deles. Prova disso é que ele intermediava pelos filhos, um por um. Jó orava pelos filhos e encontrava tempo para falar com Deus no melhor horário do dia: a madrugada. Quando todos já estavam dormindo, ele orava e intercedia pelos filhos. O grande drama das famílias de hoje é que os homens estão abandonando a tarefa de serem os líderes espirituais dos seus lares”, diz o pastor Hernandes.

Vida de pai e pastor

José Santana, além de pastor é também empresário e pai. Pela manhã, as atenções ficam voltadas para as suas lojas, à tarde a dedicação é à igreja, preparando mensagens, estudos, visitando os membros e ainda administrando a parte burocrática do templo.

“A família fica entre essas duas coisas: a igreja e as lojas, mas com muita atenção. Eu ajudo em tudo dentro de casa. Como trabalho durante todo o dia, quando eu estou em casa quero estar com eles”, conta o empresário pastor.

Quando perguntado qual é a tarefa mais difícil: ser chefe de família, pastor ou empresário, José Santana pensa um pouco e afirma que tenta fazer tudo o que tiver capacidade e forças para realizar. “Ser pastor é uma tarefa muito difícil porque a quantidade de pessoas que atendemos é muito grande. Na minha igreja são mais de 100 pessoas e acabo sendo ‘pai’ dos idosos, dos adolescentes, dos jovens, das crianças. Alguns chegam mesmo a me chamar de pai. Aconselho adolescentes quanto ao namoro e assim já estou me preparando para cuidar do meu filho quando ele estiver nessa idade”, conclui ele, com bom humor.

Pai e Marido

A presença do homem no lar, assumindo o papel real de pai e marido, é fundamental para a estabilidade familiar e para o futuro dos filhos. Isso porque:

  • Fomenta confiança na esposa e nos filhos;
  • Torna mais eficaz a educação e o controle dos excessos dos jovens, para o que é imprescindível uma ação conjunta e previamente concertada do pai e da mãe;
  • Dá uma forte contribuição para a socialização e para um equilibrado desenvolvimento psicológico dos filhos.

Esta é uma versão reduzida e atualizada da matéria publicada originalmente na edição impressa da Revista Comunhão. As pessoas ouvidas e/ou citadas podem não estar mais nas situações, cargos e instituições que ocupavam na época, assim como suas opiniões e os fatos narrados referem-se às circunstâncias e ao contexto de então

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