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terça-feira, 31 março, 2020

Um mar de lama devastador

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Rejeitos de mineração se espalharam pelo Rio Doce até chegar ao mar em Regência depois de uma barragem romper em Mariana, Minas Gerais

O dia 5 de novembro de 2015 cravou sua lembrança na história das tragédias do Brasil. A tarde dessa data foi marcada por uma avalanche de 62 milhões de metros cúbicos de lama com rejeitos químicos de mineração da barragem Fundão, em Mariana, Minas Gerais, pertencente à empresa Samarco.

O primeiro lugar atingido foi o distrito de Bento Rodrigues, que recebeu uma onda de 2,5 metros, o suficiente para torná-lo um verdadeiro deserto e deixar 12 pessoas mortas, outras 11 desaparecidas e mais de 600 desabrigadas.

No caminho, outro distrito, Camargos, e mais localidades rurais também foram fortemente afetados, com perdas de lavouras e todos os bens.

O rompimento da barragem trouxe ainda caos ambiental e problemas sociais tanto para as populações ribeirinhas, quanto para as cidades onde a Samarco opera, pois a paralisação dos serviços de extração e beneficiamento de minério de ferro, na unidade de Germano, em Minas Gerais, e dos processos de pelotização e embarque, em Ubu, no Espírito Santo, geram impactos econômicos para famílias, municípios, estados e o Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

A empresa, controlada em partes iguais pela Vale e pela BHP Billiton, possui 3 mil empregados diretos e 3,5 mil contratados. Em 2014, ocupou a 10ª posição no ranking das maiores exportadoras do Brasil, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. “Estamos falando de desdobramentos que estão e podem repercutir negativamente na produtividade da empresa, na execução de contratos com fornecedores, nas relações trabalhistas da Samarco com seus funcionários, nas atividades econômicas (setores primário e terciário, principalmente) das áreas mais afetadas pelo desastre, nas finanças públicas de municípios capixabas e mineiros, onde a mineradora desempenha ações de extração, beneficiamento e logística”, avalia o professor, geógrafo e mestre em Arquitetura e Urbanismo Pablo Lira.

A população que vive da pesca e da cata de mariscos e crustáceos ao longo do Rio Doce e nas praias atingidas, principalmente Regência e Povoação, e do turismo ligado à preservação ambiental realizada na Reserva de Comboios e na estação do Projeto Tamar teve que parar suas atividades e ainda amarga o futuro incerto. Hotéis de Regência que costumam receber turistas de todo o Brasil e até do exterior para a prática do surfe tiveram canceladas 50% das reservas feitas para o verão.

Segundo a professora do curso de Engenharia Ambiental da Multivix Daniele Drumond, a lama espessa provoca falta de luminosidade na água e faz com que animais e plantas não sobrevivam nos rios. No mar, a situação ainda é mais problemática, porque os mariscos são filtradores da água e podem absorver os metais pesados que estão nela contidos.

 “O corpo deles vai ficar tomado por essas substâncias e impróprios para consumo. Quem vive da pesca e da cata de mariscos e caranguejos não vai poder exercer a atividade até que seja feita uma análise dos animais para se ter certeza do quanto eles foram atingidos. A nossa culinária é praticamente baseada nisso, e os restaurantes vão precisar buscar fora, consequentemente aumentarão o preço dos pratos, o que atinge ainda mais o turismo. É uma reação em cadeia de problemas ambientais, culturais e econômicos”, alertou.

Mudar o foco das atividades das populações locais é o que o PhD em Geografia e professor do Departamento de Oceanografia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Gilberto Fonseca Barroso, um estudioso da movimentação de agentes poluidores na Bacia do Doce, acredita que será necessário. “É preciso procurar alternativas de sobrevivência, porque as atividades de turismo e pesca ficarão prejudicadas enquanto o rio não se recupera. E isso não deve durar menos de 20 anos”, ressalta.

Impactos Ambientais
Para tentar reduzir os impactos ambientais no mar, barreiras de contenção, as mesmas utilizadas para acidentes na exploração de petróleo, foram instaladas nas margens do rio e em algumas ilhas que estão na foz em Regência pela Samarco. Foram 9 mil metros distribuídos que só conseguiram segurar os rejeitos na superfície. Equipes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) removeram dezenas de ninhos de tartarugas marinhas para áreas que não deverão ser atingidas diretamente pela onda de rejeitos. Este ano, somente em Regência, são mais de 600 ninhos monitorados.

As entidades também realizaram a captura de matrizes e a proteção dos tributários (rios de menor porte que deságuam em outros maiores), para manter a biodiversidade de peixes e iniciar de um processo de reprodução das espécies nativas em cativeiro para o repovoamento do Rio Doce em caso de despoluição. A expectativa agora é para o monitoramento da lama por conta da previsão de fortes chuvas típicas do verão. “É preciso remover os entulhos do Rio do Carmo, onde há mais concentração dos rejeitos, das calhas do Alto Rio Doce, de forma mecânica, além da sequência de barragens existentes, o que implica em parar a geração de energia de hidrelétricas para liberar a água do rio, que fará os sedimentos assentarem ou irá enviá-los para o mar”, analisou Gilberto Barroso.

Sobre a recuperação, ele salienta que será necessário um trabalho intenso de revitalização das bacias com proteção das nascentes, executando a reprodução de espécies, além da liberação de alevinos nas cabeceiras do Rio Doce. A Samarco informou por meio de nota que utilizou nove quilômetros de barreiras de contenção para proteger as áreas mais sensíveis do estuário localizado em Regência. A empresa informou, ainda, que a pluma de turbidez (lama) continuará sendo monitorada. Disse também que “para execução do seu Plano de Recuperação Ambiental, contratou uma consultoria especializada de classe mundial, com expertise em engenharia, meio ambiente e emergências ambientais. A empresa vai dedicar à elaboração dos planos, gestão e supervisão das ações que serão implementadas em todas as áreas atingidas pelo ocorrido na barragem, incluindo os municípios localizados ao longo do Rio Doce”. Paralelamente à contratação da consultoria, a companhia está estudando parcerias com outras instituições ambientais para a recuperação de mananciais de água.

A tragédia que une
Com todo o caos instalado ao longo do Rio Doce, a população carecia de apoio, e o povo de Deus se uniu para ajudar quem precisava no meio da tragédia sem precedentes.

A Igreja Adventista de Mariana, por exemplo, tem dado apoio psicológico àqueles que perderam algum familiar em Bento Rodrigues e aos desabrigados. Voluntários também oferecem suporte na distribuição dos produtos doados que têm chegado de todo o Brasil, como contou o pastor Ailton Santana. “A Igreja Adventista em Mariana tem dado suporte psicológico e disponibiliza voluntários para separação e distribuição das doações. Também visitamos as famílias de forma mais direta para oferecer apoio emocional pós-tragédia e orar com elas”.

Com todo o volume de lama que escoou da barragem de Fundão, as cidades abastecidas pelo Rio Doce ficaram sem água. As igrejas se uniram ainda mais para enviar água mineral e conseguir recursos para ajudar as outras congregações e a população nesses lugares.

Governador Valadares (MG) foi o primeiro município afetado pelo desabastecimento e o que mais sofreu. Com 280 mil habitantes, entrou em estado de calamidade, com filas gigantescas nas ruas para conseguir água.

O pastor da Igreja do Evangelho Quadrangular local, Flamarion Rolando, imediatamente fez um vídeo pedindo ajuda a todos que pudessem para que enviassem água ao templo, onde haveria um ponto de distribuição. Logo as imagens viralizaram pelo WhatsApp, e os galões começaram a chegar.

“Estamos recebendo doações de vários lugares do Brasil. Muitos foram tocados e estão enviando água para Governador Valadares. Até agora, já recebemos e doamos 35 caminhões cheios, sendo que cada caminhão transporta 10 mil litros”, contou ele. Dias depois, a Prefeitura de Governador Valadares usou um produto chamado polímero de acácia para decantar a água barrenta e conseguiu retomar o abastecimento, mas ainda assim os moradores não estão confiantes em consumir. “Acredito que 40% da cidade está com o abastecimento de água normalizado. Porém, o líquido está com cheiro forte e há casos de pessoas que passaram mal após ter ingerido. Então, os moradores ainda continuam a precisar de água mineral”, acrescentou o pastor Flamarion.

Dias depois, a cidade de Baixo Guandu, no Espírito Santo, que também é atendida pelo Rio Doce, foi atingida. O abastecimento começou a ser feito pelo Rio Guandu, outro afluente, o que garantiu a água para os moradores. “Quando ficou comprovado que a lama passaria aqui, as lideranças políticas se adiantaram e providenciaram a captação de água do Rio Guandu, que corta a cidade. Graças a Deus não dependemos só do Rio Doce, como Colatina, por exemplo. Mesmo assim, recebemos doações de água, remédios e roupas para distribuirmos à população ribeirinha”, observou o pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Baixo Guandu, Bruno Mota.

Quando os rejeitos chegaram a Colatina, as autoridades também já tinham buscado a captação através de poços artesianos e lagoas e distribuíram caixas d’água pela cidade para que os moradores abastecem duas vezes por dia. Dessa forma, eles conseguiram passar pelo período crítico do desabastecimento.

“Essa tragédia pegou todos de surpresa. A captação foi interrompida, mas estamos recebendo água dos poços e das lagoas da região. A prefeitura conseguiu junto com Exército caixas d’água para distribuição. Também há postos onde cada pessoa pode retirar dois litros por dia, mas essa distribuição não é regular. Usamos piscina, tonéis e caixas para armazenar água da chuva. Precisamos usar com cautela, pois a situação não está fácil. Nos cultos estou orientando os membros sobre isso. Deus está colocando o povo de joelhos diante dessa situação. Tenho pregado o tema ‘Vivifica-nos, no Senhor’. Também estamos orando de terça a sexta, das 19 horas às 19h30”, contou o pastor Anderson Serra Rocha, da Primeira Igreja Batista em Vista da Serra, em Colatina.

A situação ainda é crítica, e as igrejas na Grande Vitória continuam a arrecadar doações para enviar a outras cidades atingidas em Minas Gerais e no Espírito Santo. Em Linhares, o abastecimento é feito pelo Rio Pequeno, que abastece a cidade e dá acesso à Lagoa Juparanã, um dos cartões-postais locais. Mas uma barreira de contenção feita pela prefeitura represou os rejeitos, e o abastecimento coletivo foi garantido.

Confira esta matéria em áudio.

 

Igrejas do ES que estão arrecadando água para doação

Conheça as igrejas que estão arrecadando água potável para ser doada às vítimas das regiões afetadas pela poluição da água:

  • Igreja Adventista do Sétimo Dia está recebendo e doando água e kits de higiene pessoal. Tel.: 2104-8500
  • Igreja Assembleia de Deus em Aribiri está arrecadando água.
    Tel.: 3339-9557
  • Igreja Assembleia de Deus de Laranjeiras está recebendo doações de água. Tel.: 3328-6252
  • Igreja Wesleyana arrecada água. Tel.: 3026-7773
  • Primeira Igreja Presbiteriana em Vitória está recolhendo doações.

Tel.: 3222-1003

  • Convenção Batista do Estado do Espírito Santo (CBEES).

Tel.: (27) 3038-2811;

  • Igreja Evangélica Batista de Vitória (IEBV) Tel.: (27) 3227-8158;
  • Primeira Igreja Batista de Campo Grande (PIBCG)

Tel.: (27) 3336-0036;

    • Primeira Igreja Batista de Goiabeiras (PIBG) Tel.: (27) 3327-5373.
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