Anjos Quem são eles?

Por Lilia Barros

Os anjos são seres espirituais criados para servir a Deus e aos homens, e podem ser vistos na terra, guardar os crentes e trazer mensagens do céu

Muitas perguntas acerca dos anjos têm sido feitas em todos os lugares. Quem são eles? Como é a aparência de um anjo? Possuem forma corpórea física ou espiritual? Podemos ver os anjos? Como isso acontece? Onde eles habitam? Para que foram criados? Podemos falar com eles, e adorar esses seres celestiais? Qual a sua relação com os seres humanos e, principalmente, como agem no céu e na terra?

De um modo geral, eles existem para executar a vontade de Deus. Foram criados para o louvor da glória do todo-poderoso Deus. Pela leitura de João 1:3 e Col 1:16, ficamos sabendo que em Jesus os anjos foram criados. Eles servem ininterruptamente a Deus e aos salvos por Cristo, como querubins (Gênesis 3: 24), como serafins (Isaías 6: 1-7), como “um anjo especial” (Miguel, o Arcanjo; Gabriel, o “Anjo das Boas Novas”; o “Anjo do Senhor”, que, segundo a interpretação de muitos teólogos, é o próprio Cristo). Mas imagine ver um anjo frente a frente, recebê-lo em casa, ouvir sua mensagem ou ser guardado por ele numa situação de risco. Essa é uma experiência pouco comum mas muito marcante para os que a vivenciaram. Não somente os personagens bíblicos, mas ainda hoje ouvimos testemunhos que revelam a manifestação de Deus na vida dos homens, por meio dos anjos.

O presidente da Associação Batista Capixaba de Diáconos, Josias Curvacho de Aguiar, é um estudioso do tema e acredita firmemente na atuação dos anjos entre os filhos de Deus. Ele dedicou-se a escrever sobre esses seres celestiais com riqueza de detalhes bíblicos que respondem inclusive sobre o relacionamento dos anjos com Deus e com as pessoas no seu cotidiano. Segundo ele, a melhor definição para anjos encontra-se em Hebreus 1:14. “Não são todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor dos que hão de herdar a salvação?”. Os anjos são seres espirituais que agem como mensageiros a serviço de Deus e dos homens. O termo mensageiros de Deus é usado tanto para mensageiros humanos (1 Rs 19.2, Lc 7.24 e 9.52), como para mensageiros divinos (Gn 21.17, Mt 1.20, Lc 22.43).

“Os anjos são reais, numerosos, poderosíssimos, criados antes do homem, assexuados, se organizam hierarquicamente pois são ordenados como Serafins, Querubins, Tronos, Dominações, Virtudes, Potências, Principalidades, Arcanjos e Anjos da Guarda. Eles ocupam posição e função diferentes mas com o mesmo propósito de adorar e servir a Deus. Habitam nos céus e na terra. Nos céus eles louvam e exaltam, dia e noite sem parar, a grandeza de Deus; rodeiam o trono do Eterno à espera de Suas determinações. Na terra alguns anjos executam a vontade de Deus em todos os sentidos, ou seja, assistem os doentes, guardam os crentes, trazem mensagens e avisos de Deus, lutam a favor dos Seus filhos e dominam sobre a natureza”, disse Curvacho. Billy Graham, em seu livro “Anjos – Os Agentes Secretos de Deus”, aborda a hierarquia angélica e admite a possibilidade de que tronos, potestades, sejam anjos, mas não fechou a questão. Preferiu ficar com a hierarquia: Miguel, o “anjochefe”; uma espécie de “Ministro da Defesa”. Gabriel, é o “chefe do serviço de informações do exército celestial”; os Serafins como sendo a “banda de musica” deste mesmo exército; os Querubins são a “infantaria” do exército celestial, a multidão de anjos. E um anjo especial, acima de tudo e de todos: o Anjo do Senhor, que, ao ser mencionado, trata-se de uma “teofania” (manifestação de Deus através a figura do Anjo do Senhor. Não “um anjo” mas “o Anjo”).

Na Idade Média, os pintores cultuaram muito a imagem dos anjos como sendo loiros, de cabelos cacheados, olhos azuis, feições femininas, tudo com boa dose de imaginação. Curvacho explica que eles são espíritos mas podem apresentar-se em forma corpórea “Os anjos, pois, podem ser visíveis ou invisíveis. Visíveis, como aqueles que apareceram a Abraão e seu sobrinho Ló (Gên 18 e 19) e aos pastores de Belém (Luc 2). Invisíveis, no episódio com o profeta Eliseu, em Dotã (2 Reis 6:8-17). E visíveis e invisíveis como no caso com Balaão e Balaque, relatado em Núm 22: 21-35). A aparência de um anjo pode ser bem variada com um par de asas… com seis asas… como um carro de fogo… cheio de olhos e rodas (Ez. 10,12) e também como um ser humano, pois a Bíblia ensina que muitos, sem saberem, hospedaram anjos”, lembra Josias.

As Potestades e Principados, embora tenham sido criadas por Deus e para Deus (Col. 1:16), fazem parte de uma classe que está a serviço de Satanás (Ef. 6:12). A Biblia afirma que Deus criou todas as coisas, inclusive o mal (Isaias 45:7), entretanto esta classe é contrária as coisas de Deus e guerreia contra os homens. Segundo o professor de Teologia e pastor da Assembleia de Deus de Cariacica, Gilvan Pereira, Postestades e Principados eram anjos e se transformaram em demônios que hoje compõem uma hierarquia maligna que guerreia contra os homens, conforme Cl 2.15, Ef 3. 10; 1Pe 3. 22; Rm 8. 38; Cl 2. 10; Ef 1. 21; 1Co 15. 24; Ef. 2:2 e At 26. 18.

No livro de Doris W. Greig intitulado “Não Sabíamos que Eram Anjos”, a autora desafia a descobrirmos o dom da hospitalidade cristã numa referência a Heb 13:2 “Não vos esqueçais da hospitalidade, porque por ela alguns, não o sabendo, hospedaram anjos”. Segundo a escritora, Deus envia hóspedes à nossa vida que nos servem e a quem temos a oportunidade de receber.

Anjos da guarda
Na terra eles agem como executores da vontade de Deus em todos os sentidos, chegando a atuar como nossos anjos da guarda, como consta em Heb 1:14. Isso implica em proteção aos salvos. Jacó reconheceu esta verdade quando disse: “O anjo que me tem livrado de todo mal…”(Gên. 48: 16). O Salmos 91:11,12 prova sua função de guardar os cristãos. Poderíamos, ainda, lembrar de Daniel na cova dos leões e dos amigos dele na fornalha ardente.

“Podemos vê-los e receber livramento, sim, como nos citados casos de Abraão e Ló, de Elizeu e de Balaão. Eu acredito firmemente ter visto um anjo, pelo menos uma vez na vida: véspera de Natal, fui com um filho banhar-me nas águas da Praia de Itapoã, Vila Velha, em frente à Rua Santa Catarina. O filho ficou na areia, absorto, e eu entrei no mar. Estava me afogando, até mesmo aceitando a morte como inevitável, quando vindo uma onda senti um forte empurrão nas costas que ajudou a me colocar onde ‘dava pé’. A praia estava deserta, virei-me para ver quem me salvara e não havia ninguém! (a não ser um anjo de Deus). Meu filho não viu pessoa alguma ali. Também uma jovem que segundos antes passara na minha frente, nadando e a quem pedi socorro, desapareceu”, narra Josias. O pastor da Igreja Batista Renovada Filadelfia, Ozenir Correia, explica que embora os anjos possam ser vistos por pessoas, dificilmente seriam reconhecidos, como foi o caso de Abraão, que recebeu a visita de dois anjos e serviu-lhes comida e lavou seus pés.

“Uma das funções dos anjos é guardar os filhos de Deus, porém não existe especificamente um anjo da guarda para cada pessoa. Eles ficam à espera de uma determinação de Deus para cumprir o papel de servir os crentes e guardá-los. Isso aconteceu com minha filha que estava dirigindo à noite quando o carro parou. Um homem se aproximou, tirou o carro do local perigoso e, quando ela foi agradecer, ele havia desaparecido. Ela teve a certeza de que se tratava de um anjo enviado por Deus para cuidar dela naquela situação”, diz o pastor Ozenir.

A figura do anjo, embora seja bem aceita e contemplada nas paredes de igrejas, em cartões, capas de cadernos, roupas e como pequenos presentes, ainda é motivo de dúvidas, mas a Palavra de Deus traz respostas importantes sobre eles. Por exemplo, a Bíblia não ensina a orar aos anjos, apenas a Deus. “Falar com eles pode acontecer, mas eventualmente, sem saber que está falando com um anjo – ou anjos – e até sabendo, em caso excepcional como aconteceu com Abraão e Ló (Gen. 18,10). A Bíblia ensina que não devemos adorar os anjos. O apóstolo João, exilado em Pátmos, teve anjos de Deus como ‘cicerones’ mostrando-lhe toda a glória dos céus de Deus. Aproximando-se do final da visão, João ficou tão maravilhado com as coisas que lhes eram mostradas pelo anjo que ‘prostrou-se aos seus pés para adorá-lo’. O anjo prontamente o interrompeu, proibindo a adoração: ‘Olha, não faças tal; porque eu sou conservo teu e de teus irmãos, os profetas, e dos que guardam as palavras deste livro. Adora a Deus’ (Apoc 22: 8,9) ”, esclarece Curvacho, acrescentando que na volta de Jesus serão eles que farão separação entre justos e ímpios (Mat. 13:39, 41,42 e Mat. 25: 31-33); e conduzirão os salvos à presença de Deus (Luc 16: 22).

Em nenhum lugar, a Bíblia afirma que os anjos foram criados à imagem e semelhança de Deus, como foram os humanos (Gên 1:26). Os anjos são de uma ordem completamente diferente. Os seres humanos não se tornam anjos após a morte. Os anjos nunca se tornam e nunca foram seres humanos. Deus criou os anjos da mesma forma que criou a humanidade. Talvez o grande desafio seja perceber a presença e ação espiritual dos anjos no nosso dia a dia e da humanidade. Estar em plena comunhão com Deus, o Criador dos anjos, é o segredo para quem quer adquirir sensibilidade e discernimento para saber quando e como os anjos agem ao nosso redor e em nossas vidas. Embora não possamos invocá-los, é importante estar atento às suas intervenções feitas em obediência a Deus e diretamente a nosso favor.

 

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