A Importância da Vida Devocional

“A prática do culto no lar está ao alcance de qualquer família. É uma questão de querer e criar a oportunidade para isso.”

Há muitos momentos em que a família está reunida, seja ao redor de uma mesa para uma refeição, ou diante de um programa de TV. E que tal usar alguns desses momentos para estreitar o relacionamento da família com Deus? Afinal, sempre se encontra tempo para o culto doméstico – é questão de prioridade, e de coração.

Acordar cedo todos os dias, trabalhar, dar conta da casa e dos filhos, dos compromissos de trabalho e estudo, são coisas que fazem parte da rotina de muitas pessoas. Para alguns, a rotina pode pesar, mas em alguns aspectos a rotina faz, sim, muito bem para a vida familiar, pois gera disciplina e responsabilidade.

Um compromisso, em especial, faz parte da rotina do casal Celso e Elisabeth Poganski: o culto doméstico. “Uma rotina prazerosa”, afirma ela, e que mantém a família unida no centro da vontade de Deus há anos. O culto doméstico é um dos fatores decisivos para o sucesso do lar, e na casa do casal a palavra de Deus sempre ocupou um lugar especial. Com 23 anos de casados, os membros da Casa de Oração em São Torquato, Vila Velha (ES), mantiveram a frequência do culto doméstico durante todo o crescimento dos filhos, Mariana e Guilherme.

Elisabeth, que é professora de música, e Celso, presbítero, sempre procuraram variar os cultos, trazendo histórias ilustrativas para os filhos e estimulando seu desejo de participar. “À medida que eles cresceram, fomos adaptando o modelo de culto, mas nunca deixamos de priorizar a Palavra e a oração. Hoje, com uma filha jovem e outro adolescente, estamos na fase da colheita, embora o Guilherme ainda esteja sob nossa atenção, mas o devocional em família nunca deixou de ser feito”, falou Elisabeth.

Na opinião dela, a vida do casal também ganha muito com a prática do devocional. “Temos experiências maravilhosas juntos. Nosso maior benefício é o relacionamento estável, em que a comunicação é determinante. Costumo dizer que quem se comunica bem com Deus se comunica bem com o outro. Temos nosso devocional com os filhos, como casal e em separado. Não abro mão dessa bênção”.

A postura do casal reflete a importância da vida devocional em família. Atualmente, pais e filhos são “engolidos” por uma extensa agenda de compromissos, e às vezes é difícil conciliar as atividades seculares com a vida espiritual. Entretanto, um dos maiores benefícios do devocional em família é corrigir esse aspecto. O culto doméstico corrige a prioridade do relacionamento com Deus, norteando a vida pessoal e coletiva, abrindo caminho para a priorização da relação com Deus.

“A prática do culto no lar está ao alcance de qualquer família. É uma questão de querer e criar a oportunidade para isso. É importante todos participarem e mostrarem seus dons em grupo. Isso gera um clima de muita alegria e cumplicidade”, pontuou Elisabeth Poganski.

Base bíblica

O culto doméstico tem suas raízes no próprio Deus, ao criar o homem para ter íntima comunhão com Ele. Foi plano de Deus que esse ser criado formasse família e todos juntos servissem ao Senhor com alegria – plano seguido fielmente por Josué, conforme o capítulo 24:14-15: “Agora, pois, temei ao Senhor e servi-O com integridade e com fidelidade (…) eu e a minha casa serviremos ao Senhor”.

Foto: Blog Filha do Soberano

Josué não faz da adoração ou do culto ao Deus vivo algo opcional, e diz que o Senhor quer ser adorado e servido voluntária e deliberadamente pelas famílias. O profeta reforça o culto a Deus nas famílias com o seu próprio exemplo. Fica claro que ele está se dirigindo aos cabeças das famílias – sua liderança sobre a família é de tal ordem que ele fala por toda a sua casa.

É importante destacar que “servir” é uma palavra abrangente e se refere a muitos atos de adoração a Deus. Em várias passagens bíblicas observamos o estímulo à adoração no lar. Como diz Deuteronômio 6:6-7: “Estas palavras que, hoje, te ordeno, estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te” (Dt 11:18-19).

Um texto paralelo no Novo Testamento é Efésios 6:4: “E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor”. Por exemplo, Timóteo tirou grande proveito da instrução diária de uma mãe e de uma avó tementes a Deus.

Outro trecho importante é Colossenses 3:16: “Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração”.

“É importante a família entender que ‘Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus’ (Dt 8:3; Mt 4:4). Deus exige que O adoremos não apenas particularmente, como pessoas, mas também em público, como membros do corpo e como famílias. O Senhor Jesus é digno disso, a Palavra de Deus o ordena, e a consciência o reconhece como nosso dever. É necessário que os pastores estimulem as famílias a realizarem o culto doméstico, como Abraão o fez: ‘Porque eu o escolhi’, disse Deus, ‘para que ordene a seus filhos e a sua casa depois dele, a fim de que guardem o caminho do Senhor e pratiquem a justiça e o juízo; para que o Senhor faça vir sobre Abraão o que tem falado a seu respeito (Gn 18:19)'”, disse o pastor Adeilto Neres, da Assembléia de Deus em Santa Rita, Vila Velha.

Família

Um grande benefício do devocional em família é a comunhão. A sociedade contemporânea está assistindo inerte à degradação familiar. O culto doméstico é um instrumento para a família fechar a agenda do urgente e abrir a agenda do importante. O culto no lar mostra que a família que ora unida triunfa sobre as dificuldades.

“Quero encorajar as famílias da igreja a abraçar esse projeto de resgate do culto doméstico. Somos todos muito ocupados, mas temos tempo para tudo aquilo que nos é prioridade. Porque Deus e a família são prioridades para nós, devemos aderir sem reservas e sem desculpas a esse plano, que certamente procede do coração de Deus”, destaca Adeilto Neres.

O pastor Neres ressalta que sem a busca pela comunhão com Deus no lar a conseqüência é que muitas crianças crescem sem qualquer experiência ou impressão da fé cristã e do culto como uma realidade diária. “Por meio do culto doméstico Deus pode reavivar a Igreja”, disse.

O contabilista Magno Cardoso e sua esposa Renata reconhecem os benefícios do devocional no lar e procuram sempre estar juntos no período da noite. “Temos o Arthur, com nove anos, e para ele é muito importante. O instruímos nos caminhos do Senhor, e isso se reflete na educação dele como um todo: na escola e na vida social. Todos participam dos minutos de devocional, que percebo como muito importante para nossa integração e crescimento total”.

Se o assunto é a desculpa da falta de tempo, Elisabeth tem resposta imediata: “Tempo há, o que não há é a definição do que é prioridade na vida. É importante praticar Mateus 6:33 e lutarmos contra os inimigos do culto doméstico, como a televisão”. Magno concorda: “Deus nos deu o tempo certo para tudo. Valorizamos nosso tempo juntos, porque isso agrada a Deus e sentimos as bênçãos do Senhor em nossas vidas. Quem se dispuser a servir a Deus no lar não vai se arrepender e se surpreenderá”.

Boas lembranças é o que o pastor Moiséz Lagarssa de Oliveira possui dos tempos em que participava do culto doméstico com seus pais e seus quatro irmãos. “Meu pai sempre nos estimulava a realizar o culto, nunca vimos isso como uma obrigação. Era um incentivo carregado de amor e desejo de nos ver crescer fortalecidos na presença do Senhor. Hoje, já adultos, todos estamos na igreja e podemos passar esse ensinamento para nossos filhos”.

Casado há 19 anos e pai de Jéssica Elaine, de 11 anos, o pastor Moiséz tem criado sua filha no mesmo propósito. “Temos nosso tempo junto, antes de dormir sempre oramos e Jéssica sabe do seu compromisso diante de Deus e de nós, pais. Vai chegar o momento em que ela vai dar continuidade e vamos continuar estimulando o tempo pessoal dela com Deus, ou seja, que ela tenha seu culto pessoal, assim como meu pai fez conosco quando, devido aos afazeres de cada um, já não foi mais possível reunir todos ao mesmo tempo para o devocional”, falou o pastor da Igreja Batista Betel de Porto Canoa, Serra.

O princípio do “eu e minha casa serviremos ao Senhor” vai muito além de ter todos os membros da família em comunhão numa igreja física. É dar exemplo de fé e busca pela intimidade com o Deus vivo. Esse exemplo tem conseqüências positivas na vida do jovem, como mostrou a pesquisa encomendada pela Revista Comunhão ao Instituto Merccato Inteligência Competitiva, de Vitória, esse ano.

O estudo contou com uma das maiores amostragens, 1.600 entrevistados, para levantar informações detalhadas de usos e costumes dos evangélicos capixabas. E lá consta que 59,13% dos entrevistados começaram a freqüentar a igreja antes dos 16 anos; 30,19% converteram-se por influência dos pais – o que revela a importância da criação de bons hábitos cristãos desde cedo.

A adoração ao Senhor no lar precisa ser valorizada por todas as gerações. A avalanche de distorções morais que é jogada contra os lares, especialmente por meio da mídia, só pode ser combatida com a família unida em torno do altar da adoração a Deus. É urgente desligar o altar da televisão e acender o altar da adoração.

A matéria acima é uma republicação da Revista Comunhão. Fatos, comentários e opiniões contidos no texto se referem à época em que a matéria foi escrita.

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