A trajetória de Anderson Freire

“Preciso aproveitar a oportunidade que eu tive e fazer o meu melhor. Marcar a minha geração, marcar a minha vida”
Natural de Monte Alegre, em Cachoeiro de Itapemirim, Anderson Freire cresceu louvando a Deus. Membro da Igreja Wesleyana, ele ganhou destaque não só compondo para grandes nomes do gospel, como se apresentando junto com os irmãos Adelso, Adilson e Dirceu, na Banda Giom.  Em carreira solo, impactou o mercado fonográfico com os CDs “Identidade” e o recente “Raridade”, que colocou o Espírito Santo na disputa pelo Grammy Latino em duas categorias.  Casado com Raquel Franco de Jesus Freire e pai do pequeno Gustavo, esse cachoeirense de 33 anos só tem um desejo: seguir louvando para honra e glória do Senhor.

Você disse certa vez que, quando começou a cantar, ainda bem jovem, não foi por escolha sua, mas sim de Deus. Como foi essa descoberta do louvor?
Essa descoberta do louvor começou em um lugar chamado Monte Alegre, quando minha família trabalhava no meio do canavial. Estávamos sempre cortando cana e cantarolando.
E entre as músicas preferidas, estavam as evangélicas. Ia com meus irmãos para a igreja, e mesmo não tendo escola de música, nos dedicávamos. Era como se fossemos impulsionados. Havia muito prazer em cantar e adorar. Não era por necessidade, era o prazer das nossas vidas.

Sobre sua vida ministerial: era (ou é) participativo na igreja?
Sempre. Nada começa na igreja e termina no palco. O que começa na igreja termina só no céu. O ministério fora da igreja somos nós, andando no nosso dia a dia. Tenho três pastores: o primeiro, acima de qualquer outra coisa, é Jesus Cristo, que nada me deixa faltar. Depois vem meu pastor, Jorge Camargo, da Igreja Metodista Wesleyana. E em terceiro, meu filho, meu pastorzinho, que pede “papai, quero brincar”, e procuro sempre estar com ele mesmo com tantas viagens. Tudo na nossa vida tem que ser feito com equilíbrio.

Como a paixão de sua família pelo louvor resultou na criação da Banda Giom? E como avalia seu período com o grupo?
A Banda Giom está sempre no meu coração. Temos um elo muito grande desde crianças. Renunciamos ao orgulho e vaidades. Não tem sentimento de posse, ou isso de “ah, você está conosco ou não está”. Nossa família não é gravadora. Fazemos tudo de acordo com planos de Deus. Ele nos ama desse jeito e nos fez assim. Quando chegar a hora de um lançar solo, ele deve ir e lançar. Mas não esquecemos que a coisa mais rica para nós é quando estamos sentados juntos, pegamos o violão e começamos a cantar e chorar  Isso é lindo. Ninguém é dono de ninguém. Deus é nosso dono. Anderson Freire e Banda Giom são um só. É uma aliança de sangue, um contrato fechado por Deus, eterno.

Como surgiu o contato de uma grande gravadora para lançar os CDs do grupo?
Eu comecei a compor em Cachoeiro de Itapemirim. E Deus fez com que os cantores ouvissem as minhas canções no Rio de Janeiro. E um ano após eu ter começado a compor, cheguei à MK Music. Uma vez dentro da gravadora, conversei com a presidente, Yvelise de Oliveira, e disse: “Vou gravar o CD, mas não posso gravar sozinho. Tenho e preciso de meus irmãos”. Ela olhou aquilo e achou interessante. Era um risco que eu corria? Amém. Mas a vida é feita de riscos. Ela disse: “poderia não te contratar, mas você pensou na família. E agora quero você comigo.Traga seus irmãos”. Foi assim que a banda toda foi contratada. Começou assim, através da composição. Por meio de músicas para cantores às vezes desconhecidos, e sem escolher para quem compor. Foi assim que minhas músicas chegaram à MK.

Como foi a conversa com seus irmãos no momento em que resolveu lançar CD de carreira solo?
Tudo muito tranquilo. Todo mundo é livre. Se o Adelso quiser gravar um CD, ele pode. Se o Adilson ou o Dirceu quiserem gravar, eles podem. Assim foi comigo. A MK na verdade me fez essa proposta de gravar um CD solo e era algo que já estava no meu coração. Foi uma coisa muito linda, correndo na mesma direção. Era a minha vontade, a vontade da MK, e tenho certeza de que era a vontade de Deus. Para acontecer o que aconteceu, tem que estar no coração dEle. O homem erraria facilmente, mas Deus não erra. Então, ficou tudo certo.

Seu primeiro trabalho solo, “Identidade”, foi sucesso de público e crítica, sendo Disco de Platina. A que atribui, logo no CD de lançamento, tamanho êxito?
Tudo que vier à minha mão precisa ser fruto da minha força, esforço e trabalho. Quando eu fiz isso com o CD “Identidade”, não queria algo mediano. Era algo para o Pai, então eu me dediquei ao máximo, me inspirando e transpirando. E assim, Deus pode extrair o melhor de mim.  O “Identidade” foi isso: eu extrai o melhor de mim para Deus. Aquilo que eu plantei debaixo da vontade dEle. Com esse CD comecei a colher cedo demais? Não, foi no tempo certo, determinado pelo Pai.

Cada vez mais conhecido também como compositor, você tem parcerias com grandes nomes do gospel nacional. Como funciona esse processo de criação? Os cantores entram em contato e encomendam essas canções, ou você as cria e depois imagina que elas seriam bem aproveitadas por determinados músicos?
É uma questão de relacionamento. Primeiro relacionamento, depois realização. Funciona desse jeito. Ter um bom relacionamento com os cantores gera canções lindas. Por exemplo, se eu penso na Aline Barros, não é na Aline cantora. Penso nela lá em sua casa, parando tudo, me ligando e falando: “Anderson, minha vida está desse jeito, preciso de uma atenção”. Ou “Anderson, meu sonho, meu novo planejamento, é esse”. E aí eu sou envolvido pela expectativa do cantor. E disso saem grandes canções. Preciso sempre de motivação. Boas amizades podem te inspirar. Coisas lindas são criadas dessa forma.

Dois anos depois, você voltou a gravar um trabalho. Dessa vez “Raridade”, que assim como o trabalho anterior, ganhou rápido destaque nacional. Qual é, no seu ponto de vista, os segredos do sucesso do CD, que já é Disco de Ouro?
Deus já tem um plano para mim. Tenho que fazer a minha parte. Eu já tenho a mão dEle sobre mim e é só uma questão de trabalhar. Ele não fará tudo, não colocará comida na minha casa. Se não trabalhar, morrerei de fome. Preciso aproveitar a oportunidade que eu tive nessa vida e fazer o meu melhor. Marcar a minha geração, marcar a minha vida. Não sou obrigado a fazer sucesso, nem todo mundo precisa fazer. Mas se deu, acredito primeiramente que foi por vontade dEle. Ele quis assim.  E depois, por dedicação minha.

Quando vou fazer um CD, me dá até arritmia cardíaca. Eu perco o sono. Você perderia o sono por causa de um filho, certo? Para mim, o CD é como um filho sendo gerado.  Você tem que chorar por causa dele. Não pode ser feito pensando que vai vender e ganhar dinheiro. É pensar que aquilo é parte da sua história. É a sua voz, a sua mente, suas composições. Você não está comprometendo o seu momento, está comprometendo a sua história e as histórias de muitos. Por isso, acredito que houve o sucesso rápido desse CD. Deus tem pressa em salvar vidas.

Através de seu trabalho, Cachoeiro de Itapemirim, que já era conhecida na música secular por ser cidade do mais renomado cantor da Jovem Guarda, passa a ser também terra do gospel no Espírito Santo. Como vê a música realizada, na cidade e no Estado hoje?
Acredito que colhemos o que plantamos. Soubemos plantar e hoje estamos colhendo. É tempo da música de destaque falar sobre o amor de Deus. A cidade virou destaque por causa de quem prega e canta em nome dEle. Eu vejo isso como a vontade de Deus, que está regando a terra chamada Cachoeiro de Itapemirim, para amanhã ter lindos e bons frutos. A cultura não é só secular. Ela é evangélica, ela é cristã. Eu vejo isso como uma conquista muito grande. Homens se dedicaram e não trilharam seus próprios caminhos, mas sim trilharam o caminho do Pai. É o caminho da música evangélica e da pregação.

Como ficou sabendo que seu nome estava na disputa do Grammy Latino, na categoria “Melhor Álbum na Língua Portuguesa”? Como foi a repercussão de todos os envolvidos no CD “Raridade”?
Foi muito forte, o pessoal todo vibrou. O Grammy não é algo que fica na mente, é algo que passa na mente e fica no seu coração. Não é algo constante. Todo cantor pensa no Grammy, mas não se vive essa premiação, já que é algo muito grande, parece distante da nossa realidade. Mas não é questão ser distante, pode acontecer. Só que temos muitos cantores bons no mercado. Não se pode ficar pensando em chegar ao Grammy. É seguir com os planos que Deus tem para a sua vida. Existem as premiações humanas, que nós agradecemos a Deus pelas oportunidades. Mas o principal é a estátua, o prêmio que
Ele tem para nós. E essa premiação sim, não se acabará.

É o prêmio da Salvação. O Grammy Latino é uma bênção, mexeu comigo sim. Mas não posso tê-lo como algo que busquei. E por não ter buscado, fui alcançado. E sendo alcançado, meu irmão, só posso olhar para traz e dizer: “não fiz isso, só pode ter sido Deus. Ele me deu essa bênção, não por merecimento, mas pela Sua infinita misericórdia”.

Já com a canção “A Igreja Vem” você foi indicado na categoria “Melhor Composição Clássica Contemporânea”. Quais as suas expectativas de participar de tal premiação?
É a Igreja, meu irmão. A Igreja vem arrebentando as portas do inferno. Não está com uma postura de defesa. Temos que lembrar sempre de que a defesa da Igreja é o ataque. A Igreja vem, e as portas do inferno não resistirão a ela. A Igreja ataca o tempo todo, 24 horas lutando, com irmãos sendo perseguidos e morrendo por amor a Cristo. Mas jamais deixando de batalhar. A história da música é essa, e eu conto isso por causa
do nosso povo.

Reconhecimentos como esse podem ajudar que outros talentos na música encontrem oportunidades?
Com certeza. As pessoas se motivam. Quem sabe se essa minha área não é também a área da vida de outros? Todos são iguais abaixo de Deus. O Pai tem um tempo na minha vida assim como tem na vida de cada um. A minha bênção pode refletir nas vidas de outras pessoas e fico feliz por isso. Que outros irmãos possam pregar e louvar, falar do amor do Senhor e falar do Reino dEle. Tudo é bênção.

Quais seus planos para os próximos meses?
Meus planos para os próximos meses… (pensativo) Abraçar muito a minha família, rir e chorar com ela. Estou com muita saudade do meu filho. Em um mês, chego a ficar 14 dias longe dele. Então, para falar a verdade, meu plano, ou melhor, meu sonho e que, se Deus quiser irá se realizar, é chegar no final de dezembro e ter um lugar para brincar na areia e com bola com meu filho. E poder beijar muito a minha esposa, falar o quanto a amo. O que vier depois serão coisas acrescentadas. Para mim, é primeiro buscar as coisas do Reino de Deus. E a família é um presente que Ele nos dá.

Assista ao Session Live “Fiel”

A matéria acima é uma republicação da Revista Comunhão. Fatos, comentários e opiniões contidos no texto se referem à época em que a matéria foi escrita

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