Chag Kashruth Pessach!!!

“Isto é, tenha uma Páscoa feliz e farta!”

Na Bíblia, em sua porção primitiva, a Bíblia Hebraica, encontramos entre as sete festas estabelecidas por Deus (veja Levíticos 23) a Festa de Pessach, ou em português, Páscoa. O Criador havia estabelecido esta festa em comemoração a abolição da escravatura judaica no Egito dos séculos passados (veja  Êxodo 12:1-14). O evento, que dura oito dias, é uma ocasião alegre para todos os envolvidos. Nessas ocasiões nas comunidades judaicas, famílias e amigos judeus costumam se cumprimentar com a frase hebraica: Chag Sameach“. Essa expressão significa “feliz festa” e serve para quase qualquer das sete datas do calendário bíblico de Levítico 23, em especial a de Pessach (Páscoa), Sucot (cabanas ou tabernáculos) e Shavuot (Pentecostes). Na Páscoa pode-se cumprimentar um amigo judeu com algo bem específico tipo “Chag Kashruth Pessach”, isto é, “tenha uma Páscoa feliz e farta”.

Porém, um ingrediente da Festa de Pessach que foi perdido com a destruição do Templo de Jerusalém no ano 70 d.C. é a relação entre libertação, pecado, justiça, misericórdia e perdão. Sem esses ingredientes relacionados a festividade ela fica sendo somente um aspecto cultural e tradicional de memória de um evento histórico atado à saída do Egito e nada mais, no entanto, a Bíblia acrescenta algo mais profundo.

Em Pessach, ou Páscoa, um cordeiro era sacrificado e seu sangue derramado e todo aquele que ficasse sob esse sangue era liberto da condenação pendendo sobre todos no Egito, até mesmo um egípcio que ficasse sob o sangue derramado e aspergido não sofreria a ira divina.

Com o sangue derramado a justiça era satisfeita, pois, o pecado gera a morte, e com a aceitação gratuita deste sacrifício a misericórdia era distribuída, e o resultado era salvação e remissão (veja Levíticos 17:11).  Em Hebreus 10:1-4, o escritor judeu inspirado nos diz que tais sacrifícios não eram um fim em si mesmos, pois, seres humanos valem mais que cordeiros, carneiros ou qualquer animal, eram apenas uma sombra profética do evento messiânico (veja Isaías 53). Assim, Paulo apela: Alimpai-vos, pois, do fermento velho, para que sejais uma nova massa, assim como estais sem fermento. Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós. “Por isso façamos a festa não com o fermento velho, nem com o fermento da maldade e da malícia, mas com os ázimos da sinceridade e da verdade” (I Cor. 5:7,8). Chag Kashruth Pessach!!!


Pastor Wladimir Gonçalves de Souza, teólogo pós-graduado em Ciência da Religião. Espaço Adventista da Colina – Uberlândia – MG