O coelhinho da minha Páscoa

“Achamos que temos o direito de fazer uma festa que Deus instituiu do NOSSO jeito”

Confesso que, nos dias de hoje, tem muita coisa no meio evangélico que me assusta. Uma delas são nossas celebrações. Que Deus gosta de festa ninguém duvida! Ele determinou ao seu povo várias festas (Páscoa, Pães Asmos, Primícias, Pentecoste, Trombetas, Expiação e Tabernáculo), que somadas dariam 20 dias de feriados por ano. Se contar o deslocamento até Jerusalém e a espera pelo Pentecoste, vai quase 100 dias de festa!!!

Mas, uma coisa me chama a atenção nas celebrações do povo de Israel: eles, desde que Deus as instituiu, nunca mudaram uma vírgula nas festas. Confesso que, com minha mente pós-moderna, me dá uma certa angústia todo ano usar as mesmas bolas de soprar, as mesmas músicas, a mesma decoração das paredes, as mesmas roupas, a mesma comida… Impressionante! Nunca mudaram, nunca alteraram nada. Na verdade, a preocupação deles era vigiar sempre para que nada fosse mudado.

Esse é o nosso problema. Achamos que temos o direito de fazer uma festa que Deus instituiu do NOSSO jeito, ou melhor, esse negócio de usar sempre o mesmo cardápio “tá por fora”. E aí, resolvemos colocar no lugar do cordeiro e dos pães asmos, peito de peru e pão gourmet recheado com pernil de porco. No lugar das primícias, vai mesmo uma saideira. No lugar de Pentecoste, serve um luau à beira-mar com salada vegana… daí pra celebrar a páscoa com coelhinho que coloca ovos de chocolate… É mole?Sei que somos cristãos do mundo novo, com uma cultura religiosa que, além de permissiva é altamente sincrética. Pedir para celebrar dois anos seguidos uma festa de forma igual já é um absurdo, quanto mais celebrar pelos próximos 200 anos uma festa da mesma maneira, tudo igualzinho ao dos anos anteriores… Isso é loucura.

Talvez seja esse o grande erro da Igreja de hoje: querer dar uma melhorada naquilo que Deus determinou para que cumpríssemos sem desvios

Nada contra nossa criatividade, nada contra a contextualização, mas aqui está todo o nosso risco com as coisas que Deus instituiu. Talvez seja esse o grande erro da Igreja de hoje: mudar, alterar, modificar o que Deus estabeleceu. Querer dar uma melhorada naquilo que Deus determinou para que cumpríssemos sem desvios. É evidente que há muitas coisas que podemos ajustar, adaptar, contextualizar, mas aquilo que Deus definiu como base, isso não se pode mexer. E não venha com essa “história” de que os costumes e a cultura de hoje são diferentes. Não me venha falar que estamos em 2019 e que Deus não sabia que o babado agora é pão gourmet! Tudo que Deus determinou, não envelhece nem estraga com o tempo, Deus é sempre o mesmo e sua palavra é atemporal.

Ele sabia que o mundo mudaria, foi por isso que Ele obrigou seu povo manter as celebrações inalteradas, suas festas iguais, sua alegria pura partindo do coração e não da decoração. Deus deve ficar triste ao ver nossas igrejas celebrando a Páscoa priorizando o ovo de chocolate, o presentear a namorada ou namorado com uma bela cesta cheia de guloseimas… Enquanto rimos, Deus chora. Enquanto fingimos que há alegria, Deus se entristece. Só temos uma alternativa: voltar a celebrar nossas festas obedecendo aos mandamentos do Senhor. Voltar à simplicidade do Evangelho em que todos queriam apenas celebrar que Jesus ressuscitou, que o túmulo está vazio e que nossa esperança não se limita apenas a esta vida. Ah… isso sim é que é celebrar!


Pastor José Ernesto Conti é pastor da Igreja Presbiteriana Água Viva e presidente de honra do Conselho Estadual de Igrejas Evangélicas do ES (Ceigeves).