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segunda-feira, 3 agosto, 2020

Carlos Nejar: “Deixo que a criação me explique”

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Aos 81 anos, pastor e poeta Carlos Nejar tem no seu currículo mais de 70 obras. Crítico, romancista e membro imortal da Academia Brasileira de Letras, ele usa seu dom mostrar a magnitude do Pai

Por Priscilla Cerqueira 

A poesia brilha além do universo! Em cada verso, palavra ou frase, Deus faz prevalecer o senso de justiça, a compaixão, a alegria e o maior amor de todos. Falar da grandeza do Senhor e de Sua compaixão e graça é com Carlos Nejar, pastor da Igreja Cristã Maranata (ICM) há quatro anos, no Rio de Janeiro.

Crítico, romancista e tradutor brasileiro, membro imortal da Academia Brasileira de Letras e da Academia Brasileira de Filosofia, um dos poetas mais longevos do Brasil nem cogita abandonar o que faz desde a década de 1960: escrever. “Devo tudo a Deus”, expressou.

Aos 81 anos, autor de mais de 70 obras, o escritor, que é gaúcho, vai além das palavras: “Deixo que a criação me explique, mas escrevo por necessidade de repetir o que poucos ouvem”.

Como pastor e poeta, Nejar, que é do Grupo Ciência e Fé da ICM, usa seu dom para revelar também as Escrituras Sagradas. Em tempos em que a ciência é tão falada, discutida e desvendada por conta de uma pandemia que pegou o mundo de surpresa, a fé é o que prevalece.

O alerta é para a Igreja, que precisa se despertar e se preparar. Afinal, “o impacto da pandemia é o instante da dor, do isolamento, mas da possibilidade de nos recolher Naquele que é a Palavra de Deus”. Confira a seguir uma conversa franca entre Carlos Nejar e Comunhão sobre poesia, ciência e fé.

O senhor é um dos maiores poetas do mundo na atualidade. Também é um dos nomes mais longevos e importantes da literatura brasileira. Como alcançou essa projeção?
Pode ser que eu seja importante na projeção literária; longevo, menos, pois Deus me deu uma nova juventude, essa de não sairmos da infância na palavra, que não acaba. É verdade que trabalhei muito, afinal, são 60 anos de literatura, mas nada faria se não tivesse esse dom que veio de Deus. Sou cada vez mais inquilino das coisas. O que é graça é responsabilidade. Mas o homem é sombra apenas da grande Palavra, que chama as estrelas pelo nome.

De onde vieram a sua paixão pela poesia e a inspiração para escrever?
A criação é um mistério, maior do que nós. Inspiração é sopro, como um vento que vem na palavra imaginada, que também nos inventa. Não raciocinamos, somos raciocinados pelo amor de existir com Deus. Não explico a inspiração, deixo que a criação me explique, mas escrevo por necessidade de repetir o que poucos ouvem.

O senhor tem uma extensa literatura publicada. Certamente cada obra é especial, como se fosse um filho. Mas qual delas é mais especial?
Publiquei muitos livros: poesia, romance, conto, teatro, crônica e crítica literária. A poesia pode ser ficção; o romance pode ter ensaio ou poesia, além de personagens. Sigo novo estilo de época, o sobressimbolismo. É difícil escolher um livro predileto. No romance, cito o que vem e sairá, “O Vale dos Ossos Secos”, que é visionário. Mas não me esqueço de “Carta aos Loucos” (de Deus) e “Os Degraus do Arco-Íris”, escrito em 2014. E previ a caverna pestífera, onde hoje sofremos. Mas, diferentemente de alguns, sou mais filho do que pai do que escrevo, por crescer, criando.

Além de poeta, o senhor é pastor. Como foi o chamado de Deus para o ministério pastoral? E como concilia as atividades de pastor às obras literárias?
Bem mais do que todos os títulos e honras, o que mais me toca é o de servo do Altíssimo, a amizade de Deus. O ministério é um serviço e me alcançou por misericórdia do alto, amor à Palavra e ao povo. A literatura não é só criação da condição humana, tem também dimensão espiritual, sede de eternidade, o que na revelação recebemos. A alegria é de estar no corpo, na obra e na obediência do espírito.

Como é ser um ministro do Evangelho tendo uma cadeira de honra na Academia Brasileira de Letras?
Estou na Academia Brasileira de Letras porque Deus lutou por mim e entrei na primeira leva. Ali fui secretário-geral e presidente em exercício, em 2000, quando a Casa de Machado veio para a instituição, tornando-se poderosa na América Latina. Lutei na criação de uma biblioteca, que é comunitária e moderna. Na Academia, poucos sabiam que sou pastor, pois nunca divulguei; só souberam por um artigo sobre “Ciência e Fé” que escrevi para uma revista de grande circulação nacional.

O que Jesus representa na sua vida e qual a sua relação com a Palavra de Deus?
Devo tudo a Deus e sem Ele não é possível mais viver. O Senhor se revelou a mim aos 40 anos. Seu amor nos concede uma nova vida e, quando digo que só a palavra muda a existência do homem, pela fé, é porque eu vivi e vivo isso. Sou da Academia Brasileira de Filosofia e me meti em tantas indagações que sempre esbarraram no limite, seja do conhecimento, seja na ciência.

Fui procurador de Justiça e promotor público no Rio Grande do Sul e conheci a culpa, astúcia, alienação e execução da lei. Tinha ânsia de justiça, mas jamais fugi da bússola da prova dos autos e já pedi absolvição por quem achava inocente. Depois, compreendi o que menciona Paulo, que “o amor é o complemento da lei”. Mas Deus teve misericórdia de mim, e Seu amor é maior do que a vida. Sua Obra é de sinais e maravilhas, que seguem os que creem, e eu, por experiência, creio que “o que é impossível aos homens é possível a Deus”.

Há na Bíblia expressões poéticas de sofrimento, alegria, amor, exaltação e tantas outras. Poderíamos dizer que a poesia é uma das formas mais adequadas para se falar de Deus e para se exaltar a Sua grandeza para conosco?
A poesia, quando contém revelação, glorifica a Deus. O Espírito sopra na palavra e a palavra sonha com a Eternidade. A semente precisa ter luz para ser “Árvore da Vida”. A grandeza de Deus é tão grande que, mesmo que queiramos, nenhum poeta a exprime plenamente, e passaremos a eternidade inteira para ver Deus.

Como um bom escritor, poeta e amante e pregador da Palavra de Deus, o que o senhor pensa sobre este momento de crise que estamos vivendo? Acha que pode ser um sinal profético?
Sim, o momento é altamente profético. Com o coronavírus, há uma noite espessa sobre o mundo, o isolamento, quando o povo de Deus se prepara como Israel no Egito, para a terra prometida. Há luz na casa dos servos porque, ao terem o sangue do Cordeiro na ombreira das portas, estão protegidos do anjo exterminador, e o Mar Vermelho abrir-se-á e subiremos, porque a “passagem” está próxima.

O desafio da pandemia é uma chance de ascensão espiritual, podendo contribuir para transformação do mundo?
Sim, esta pandemia, ou vírus invisível, curvou o mundo. O medo mostra ao homem que ele é finito. Mas, assim como humanamente o sofrimento pode nos depurar e aperfeiçoar, no mundo espiritual este momento de confinamento é o ensejo do encontro com o Deus vivo, que se revela ao coração quebrantado, porque Ele criou em nós um espaço que nada mais preenche. O Senhor bate à porta neste momento e quer sustentar, salvar e curar. A força é do homem, mas o poder, apenas de Deus, que cria do nada e tudo passa a existir e que opera na fé sob a luz da Palavra. Esta oportunidade é de entrar na intimidade de Deus. Não adianta contemplar o perigo, o medo, o limite da ciência, olhar com os olhos do mundo, que é transitório. Ganhamos novos olhos em Cristo, que vê o que não víamos antes e que nos enxerga com olhos de amor. Nossa crença é na Vida Eterna, na Vida Redentora e na unidade do Espírito.

Qual o impacto da pandemia sobre a missão evangelizadora, uma tarefa que compete à Igreja?
O impacto da pandemia não é o instante somente da dor, do isolamento, mas também da possibilidade de nos recolher “Naquele que é a Palavra de Deus” (Ap 19:13). Evangelizar é o papel da Igreja fiel, a revelação de Deus pela fé e salvação. Antes, agora e até quando estivermos no mundo, através da Palavra de salvação, de amor, de poder de Deus e de sinais, temos de cumprir o Ide.

A fé é um aspecto-chave da Bíblia, o elo imaterial entre Deus e o homem. Acha que a fé e a ciência podem se complementar, cada um no seu papel?
A ciência avança na dúvida, na investigação, na razão humana, e só alcança o tempo, o espaço, a largura e a altura. O tempo vai até a quarta dimensão; a quinta é a dimensão da fé, que alcança o homem na revelação da eternidade.

Há a obra criadora, que é biológica, e a obra redentora, que nasce através da nova vida com Deus para a eternidade. O mundo envelhecerá, o sol envelhecerá, as coisas do tempo e da natureza têm o relógio da duração, mas na luz de Deus, não existe tempo nem fim. A ciência tem seu mérito, usa a “intuição”, que é melhor que a inteligência, segundo Einstein. Não creio que ciência e fé se completam, pois são polos diferentes. Como comparar a fé na obra redentora, que é claridade e infinita, com a ciência, que é escuridão, dúvida e limite?

A fé é o que traz a esperança e por isso deve ser o principal combustível para continuarmos vivendo e levando adiante a mensagem do Evangelho?
O que posso aconselhar senão a Palavra, o conhecimento, a intimidade com Deus, a certeza de que Ele faz novas todas as coisas? Deus é simples, manancial de água viva, pão que desceu dos céus, sendo perfeito; nós que somos complicados. Basta ouvir e praticar a Palavra de Jesus. Ele é a casa na rocha, moramos em Deus. A casa na areia, na tradição humana, não resiste aos vendavais ou tempestades, mas a fé é o fundamento, que é Jesus, certeza do que se espera (promessa) e a prova do que não é visível, por estar além do véu.

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