Katsbarnea está de volta

Confira a entrevista que o vocalista Paulinho Makuko concedeu à revista Comunhão.

Eles têm a inovação e a irreverência como marca, já que desde o início de sua trajetória divulgam o Evangelho por meio do rock’n’roll com direito a muitos rifs de guitarra, cabelo comprido e show de luzes e cores.

Assim é a banda de rock Katsbarnea, que acaba de lançar seu novo trabalho de inéditas. Intitulado “A Carne e o Sangue”, o DVD foi gravado na Arena Renascer, em São Paulo, e está disponível em formato físico pela Independência Records. Já as músicas podem ser conferidas nas plataformas digitais.

Veja o vídeo de “A Carne e o Sangue”


O trabalho reúne 16 faixas inéditas, sendo majoritariamente composições do vocalista e guitarrista do grupo, Paulinho Makuko. O projeto também traz a participação da cantora e pastora Camila Campos, vocalista do grupo Sonnia, na canção “Mulher + Q. V.” A música é um tributo ao “Mais que Vencedoras”, uma iniciativa focada em mulheres e desenvolvida pela Igreja Renascer em Cristo, instituição presidida pelo casal Sônia e Estevam Hernandes.

A faixa-título do álbum, “A Carne e o Sangue”, é uma regravação de uma das composições do álbum solo de Paulinho, “12”, lançado em 2005.

Leia a entrevista concedida à Comunhão.

Katsbarnea tem a marca do pioneirismo. Surge na cena em 88, época que ainda não existia o cenário agora conhecido como música gospel. Como é ser pioneiro no gospel? Tem peso isso?
Sim, tem peso porque as pessoas olham para você como algo novo e diferente, veem de outra forma. Eu já era músico desde meus 14 anos, vim morar no Rio de Janeiro e depois em São Paulo (sou da Bahia). Tocava com outros músicos aqui e formou-se o Katsbarnea, mas ninguém sabia o que era, nem o que era música gospel. Surgiu um festival aqui chamado Fico (Festival Interno do Colégio Objetivo), em que surgiram várias bandas, como Ultraje a Rigor e Mamonas assassinas. Inscrevemos a letra de “Extra, Extra” e ganhamos o festival. Porém, ganhamos como uma categoria secular e não gospel. Depois é que o mercado foi entender o que é gospel. Mas nossa música falava de questões sociais e Jesus sendo o grande lance da história, Aquele que veio para resolver todos os problemas, diferente do que se escuta muito atualmente.Com isso, ficamos conhecidos em todo país. Começamos a tocar e as bandas e músicos evangélicos começaram a fazer o mesmo e viram que a música cristã não precisava ser aquela coisa cafona. Assim, começaram a surgir as bandas de rock e outros estilos. Então, o Katsbarnea virou a referência.

Suas letras e estética musical rompem com a estrutura até então vigente no universo cristão, trazendo à tona temas como desequilíbrio ecológico, abuso de álcool e drogas, violência e desigualdade social. Falar sobre esses assuntos e em ritmo de rock foi muito diferente, certo? Fale sobre isso.
As pessoas precisavam entender que esses problemas deviam ser abordados e conhecendo Jesus, os valores de cada um seriam modificados e todo cenário ruim e problemas poderiam ser mudados. O mais importante, aliás, essas alterações deveriam vir de dentro de cada um. Fazíamos nossas apresentações em porões e os líderes das igrejas não deixavam os jovens assistirem às apresentações porque parecia tudo muito louco, por isso fazíamos escondido. Havia dias que tinha mais de 5 mil pessoas assistindo a gente.

Seu primeiro registro fonográfico, o k7 “O Som Que Te Faz Girar” é um divisor de águas na história da cultura cristã brasileira. Por quê?
Naquela época, ninguém podia colocar um bateria, contrabaixo ou guitarra no altar de uma igreja ou ter uma banda tocando. Muito menos ter cabelos compridos, usar dread loks e usar roupas rasgadas. Não existia essa coisa artística dentro das igrejas. E nós chegamos com essa ideia artística para evangelizar. Jesus era assim, totalmente artístico. Quando Ele falava todo mundo parava para ouvir. Não era aquela coisa monótona. E o nosso som levava isso e quem não conhecia dizia ‘esses caras são cristãos, vamos lá ver o que eles fazem’. Chegavam lá e ficavam tão envolvidos que aceitavam Jesus. O divisor de águas foi isso. Quebramos um paradigma. E a juventude cristã que estava dentro da igreja e era reprimida percebeu que havia outra forma de louvar a Deus, de um jeito livre. Muitos diziam que o rock era coisa do diabo. Assim, todos os fãs de Raul Seixas iam ver nossas apresentações e ganhavam ainda mais vidas para Cristo. Eu sempre digo que gostaria que Raul estivesse vivo para eu poder tocar para ele e ele se converter

Fale sobre o lançamento de “A Carne e o Sangue”. 
A Carne e o Sangue” é um DVD e foi gravado na Arena Renascer, em São Paulo. Está disponível em formato físico pela Independência Records. Já as músicas podem ser conferidas nas plataformas digitais.

Podemos dizer que vocês estão voltando com tudo ao mercado?
Sempre estivemos no mercado. Viajamos para outros países, incluindo na Europa, e nos apresentamos. Optamos por continuar com nossa gravadora independente e estamos dando sequência no nosso trabalho. Mas podemos considerar que seja um momento de maior evidência, sim.

É o terceiro trabalho ao vivo de vocês?
Sim, é o terceiro. O primeiro foi o “A Revolta Está de Volta”, em formato de CD e VHS. O segundo foi “Ao Vivo em Salvador”, em CD e DVD. E “A Carne e o Sangue” é em DVD (físico).

Quem produziu? De quem são as composições? 
Quem fez a produção musical foi eu. São em sua maioria minha, mas há participação do apóstolo Estevam Hernandes.

Saiba mais

Com Paulinho, nascido em família católica e convertido em 1988; Marrash (bateria), Jeff Fingers (guitarra solo) e Moisés Brandão (contrabaixo), o Katsbarnea surgiu com outra formação em 1988, num cenário em que a música gospel ainda não era conhecida.
A banda transita com facilidade entre públicos variados, com um repertório recheado de hits, é festejada por gerações diferentes, não se limita a nenhum preconceito e trilha a estrada com a mesma verve e inconformismo do início da carreira. Ícone do rock cristão nacional, a banda Katsbarnea desponta em São Paulo, em meio à efervescência do rock no Brasil.
As primeiras apresentações da banda aconteceram em locais improvisados – teatros, espaços públicos, parques – reunindo jovens de diversas partes. Rapidamente, o Kats (como é chamado por fãs) viu seu público se multiplicar e se acotovelar semanalmente às segundas-feiras, no antigo Cine Riviera, (renascer em cristo) no bairro do Cambuci, São Paulo.

Faixa a faixa
1. Vermilious Chaos
2. Congestionamento
3. A Carne e o Sangue
4. Meio-Fio
5. Jeremias
6. I Can Fly
7. Mulher + Q. V.
8. Gênesis
9. Perto de Deus
10. Apocalipse Now
11. Seu Doutor
12. A Tinta de Deus
13. Parede Branqueada
14. Extra
15. Invasão
16. S. M. 0516