Deise Jacinto e a trajetória de fé do álbum Final Feliz

“Sou feliz com a forma que Deus tem usado a arte em mim e através de mim”

Um CD lançado por conta própria, um desejo de arrumar as malas e partir para outro país, uma oração e um telefonema que muda todos os planos. Assim podemos descrever o que aconteceu com Deise Jacinto e seu álbum “Final Feliz”, que acaba de chegar ao mercado pela Sony Music.

A cantora produziu o mesmo trabalho de maneira independente em janeiro de 2015, mas o propósito de Deus ainda era desconhecido para ela, que começou a pensar, então, em sair do Brasil e abandonar seu ministério. “Tive muitas dúvidas até aceitar meu verdadeiro chamado. Por várias vezes, mudaria de planos e de país se precisasse. Logo que casei, eu e meu esposo pensamos em morar no exterior e viver essa experiência por um tempo. Eu tinha acabado de lançar ‘Final Feliz’, ainda não tinha certeza do propósito real de tudo. Teria largado facilmente se o Pai não tivesse me dito claramente: Não! Oramos pedindo que nos desse alguma resposta que nos fizesse não ter mais dúvidas, algo que nos acalmasse a alma. Alguns dias depois, comecei a conversar com o Maurício Soares, da Sony, e tivemos a nossa resposta definitiva. Isso foi pra mim uma injeção de ânimo fantástica! Que bom que Ele se importa com nossas angústias”, ressalta.

Tanto na primeira quanto na segunda versão, o álbum tem produção de Suzanne Hirle, cujo marido, o cantor Felipe Valente, também atuou na obra como um grande apoiador. Ao casal, Deise demonstra gratidão pela valiosa contribuição, mesmo quando ainda não havia gravadora alguma em vista. Seu trabalho, aliás, é totalmente autoral e demorou três anos para ser idealizado.

“Afinal, pensar não precisava de dinheiro (risos). Deus foi colocando amigos e parceiros que investiram seu tempo e recursos para me abençoar e, sob a produção da Suzanne, lançamos o disco em janeiro de 2015. Ela e Felipe estiveram em todos os processos desse disco. Com mais de 15 anos de experiência, ela soube buscar a melhor sonoridade, respeitando minhas ideias e trazendo elementos que conversavam com as minhas canções. Sou muito grata com todo o carinho que tiveram e ainda têm comigo”, salienta.

No segundo CD, em meio à nova produção, com total suporte da Sony Music, tudo fluiu com um tom ainda mais profissional.  “Fiquei muito realizada. Pude contar com a participação de músicos que admiro e buscar sonoridades diferentes. O álbum fala muito de Deus como um artista, gosto dessa analogia. Tentei deixar isso bem claro, até mesmo com a arte do encarte, em que fizemos um ensaio fotográfico com um balão de gás muito colorido. Deus, arte e beleza tem tudo em comum”, compara.

De mãe para filha
O ministério de Deise Jacinto é recente, mas cantar é algo presente desde sempre em casa, com a mãe sendo a grande incentivadora dos talentos já latentes na filha. “Ela havia sido professora de violão na sua juventude e passava pra mim, sem perceber, o gosto pelo instrumento e pela arte. Comecei cantando na igreja. Com o passar dos anos, fui aprendendo e crescendo nos talentos que Deus havia me presenteado. Minhas primeiras composições foram na adolescência. Estava começando a fazer mais sentido cantar e escrever sobre minhas próprias experiências. Nunca havia pensado em gravar um disco, gostava de compor e por vezes alguns intérpretes se interessavam por minhas canções. Em 2012 lancei um single, ‘Som do Coração’, com um clipe. A partir daí comecei a me levar mais a sério como artista e a planejar, dentro das minhas limitações, um CD. Quando a música ‘Final Feliz’ nasceu, senti que não deveria entregá-la a ninguém e a partir desta canção começava então a surgir o meu primeiro trabalho autoral”, relembra.

Nas viagens e nas apresentações, destaca, é fácil perceber as faixas que tocam mais o coração das pessoas. A que dá nome ao CD foi escolhida como a principal exatamente por conta da letra. “‘Final Feliz’ tem uma mensagem de entrega extremamente importante em nossos dias e encabeça essa lista. Creio que seja por conta de, no fundo, sabermos que Deus é soberano em nossas vidas. Deixá-lO ser o escritor da nossa história e enxergar a vida com o Seu olhar, além de lindo, é fundamental para sermos realizados plenamente. A canção encontra essa necessidade em nós. ‘Inventor do Tempo’ também, porque fala de alguém que, apesar perceber da nossa pequenez, espera! O dono do universo espera pelo nosso amor!

Essa canção ainda me toca, pois esse amor que constrange a alma vai além da minha compreensão. Outras bastante apreciadas pelo público são ‘Vou Subindo’ e ‘Me Leva’, que não podem faltar. São mais leves e trazem a beleza da poesia para perto de nós”, explica.

Recentemente, Deise relançou o clipe de “Me Leva” e, em agosto, pretende apresentar o lyric vídeo da canção “Inventor do Tempo”. “Penso que o clipe pode dizer o que a música não teve tempo. Ele pode ser mais uma oportunidade de comunicar. Tento sair dos clichês dos vídeos do nosso meio. O roteiro do clipe ‘Me Leva’ foi escrito por mim. Gosto de ler a respeito, trabalhei três anos com produção na TV Novo Tempo e acho que isso me fez ter um olhar um pouco mais exigente. Em ‘Inventor do Tempo’, pude contar com a produtora Estória Films, de São Paulo, e com as ideias geniais do meu querido amigo e artista Estêvão Queiroga. Sou suspeita, mas está lindo e emocionante, espero que as pessoas curtam e principalmente reflitam sobre esse amor.”

Nos planos para o futuro próximo, há a vontade de lançar um single inédito este ano ainda. “Existe a possibilidade de sair um EP de canções inéditas no final de 2017 também. Desejo fazer um trabalho relevante para a vida das pessoas. Sou feliz com a forma que Deus tem usado a arte em mim e por meio de mim. Não cheguei nem ando sozinha, e essa segurança me traz paz. Que acima de tudo o Eterno saiba que pode contar com a minha sinceridade dentro e fora da música. E que ao final apenas o nome dEle seja exaltado”, finalizou.

Confira o áudio da matéria.

Confira a música “Me Leva”