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quarta-feira, 21 outubro 2020

Volta dos treinos na Alemanha, mas com vestiário fechado

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As atividades serão em quartetos. O mesmo sistema de treinos tem sido aplicado por outros times da Alemanhã, como o Bayern de Munique

* Por Ciro Campos (AE)

O lateral-esquerdo Wendell, do Bayer Leverkusen começou uma rotina nova de trabalhos na última semana após cerca de um mês sem sair de casa pelo temor com a pandemia do novo coronavírus, o jogador de 26 anos e outras centenas de colegas que disputam o Campeonato Alemão começaram um outro regime de treinos. Com trabalhos em quartetos, vestiário fechado e conversas contínuas com médicos, o primeiro dos principais países da Europa a retomar as atividades já sonha com o retorno do calendário.

Em entrevista ao Estado, Wendell contou como tem sido a volta aos treinos dos principais times alemães. O país registra até agora 130 mil casos do novo coronavírus e cerca de 3 mil vítimas fatais, uma das taxas de mortalidade mais baixas do mundo. O campeonato está suspenso desde 13 de março, quando o time do lateral-esquerdo estava na quinta colocação da tabela de classificação.

“Nós estamos treinando em pequenos grupos, separados por horários. São uns quatro ou cinco jogadores de cada vez”, disse Wendell. A preocupação com o contágio continua, mesmo com o elenco já de volta ao trabalho. “Existe um cuidado com o distanciamento. O cozinheiro faz a alimentação e deixa pronta a marmita para nós na saída. O refeitório está fechado e o vestiário também. O banho a gente tem de tomar em casa. Já vamos treinar vestidos com o uniforme do clube”, explicou.

O mesmo sistema de treinos tem sido aplicado por outros times alemães, como o Bayern de Munique. A direção do campeonato local reuniu os clubes para elaborar esse planejamento. A prioridade das equipes é fazer trabalhos que não exponham aos jogadores a contatos muito próximos entre si. No Bayer Leverkusen, há o cuidado de se ter um revezamento de horários das turmas que vão para o trabalho no centro de treinamento, para evitar o encontro de vários atletas em uma mesma faixa do dia.

No Bayer Leverkusen, os jogadores têm encontros regulares com o médico da equipe para receber orientações sobre a pandemia e serem monitorados. “Treinar assim é bem melhor do que ficar em casa. Você volta a ter contato com o futebol, vê alguns colegas. Todos nós do time gostamos muito”, disse Wendell.

Na sexta temporada na Alemanha, o lateral-esquerdo foi um dos escolhidos pelo treinador da equipe para negociar a redução salarial. O brasileiro e mais outros quatro companheiros atuaram como representantes do elenco nas conversas com a diretoria. Todos aceitaram ter uma diminuição temporária nos vencimentos.

Wendell afirmou que a Alemanha pretende retomar o campeonato no início de maio. A tendência é os jogos serem com os portões fechados. “Vamos ter de nos adaptar a jogar sem torcida. A Alemanha é uma das ligas com média mais alta de público. Será estranho não ter ninguém e dentro de campo ter aquele silêncio”, disse. Em Leverkusen, o jogador vive com a namorada e faz contato frequente com os familiares para saber novidades sobre o avanço da pandemia no Brasil.

Para o lateral-esquerdo, a Alemanha tem conseguido lidar melhor com o novo coronavírus por ter conseguido cumprir melhor o isolamento social. “O povo aqui respeita as ordens das autoridades. Na primeira semana as pessoas não levaram à sério a recomendação, mas depois a polícia começou a punir e o governo fez outros pedidos para ficarem em casa. Aqui tem muito infectado, mas tem um número menor de mortes porque existe um respeito e a consciência de que não se pode infectar o próximo”, explicou.

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