“A Palavra de Deus fortalece, mas há momentos em que a pessoa também precisa de ajuda profissional”. A forte afirmação é da bispa Jeiza Pontes, escritora e autora do livro “Doses de Cura: 40 respostas bíblicas para corações cansados” (Editora Vida). Comunhão a recebeu para um bate-papo sobre um dos temas mais urgentes da atualidade: a saúde mental. Durante a conversa, ela abordou o crescimento dos casos de depressão, ansiedade e suicídio, explicou como nasceu o projeto que deu origem ao livro e defendeu que fé e ciência não são caminhos opostos, mas complementares no cuidado de pessoas emocionalmente adoecidas.
A autora contou que a obra surgiu após o suicídio de uma integrante da igreja que ela pastoreia, episódio que transformou profundamente seu ministério. A partir dessa experiência, nasceu o quadro “Minhas Doses de Cura”, exibido durante sete anos na televisão, e posteriormente o Instituto MDC, que hoje oferece gratuitamente atendimento psicológico, terapias, aconselhamento e acompanhamento espiritual para mais de mil pessoas por mês.
“A gente tinha duas opções: chorar, lamentar e ficar prostrado diante disso ou se levantar e devolver cura para que mais pessoas não sofressem com isso”, afirmou. Durante a entrevista, Jeiza destacou que ainda existe muito preconceito dentro das igrejas quando o assunto é depressão e ansiedade. Segundo ela, muitas pessoas acreditam que quem enfrenta esses problemas tem uma fé fraca, quando, na realidade, trata-se de uma enfermidade que exige acolhimento e tratamento.
“A depressão é uma enfermidade da alma. Assim como alguém busca tratamento para uma doença física, a saúde emocional também precisa de acompanhamento, cuidado e, quando necessário, de ajuda psicológica e psiquiátrica”, explicou.
Outro ponto enfatizado foi a necessidade de integrar o cuidado espiritual ao tratamento clínico. Para a escritora, oração, leitura da Bíblia e acompanhamento pastoral são fundamentais, mas não substituem o atendimento especializado quando ele é necessário. “O psicológico e o espiritual precisam sempre caminhar juntos. A Palavra de Deus fortalece, consola e levanta, mas há momentos em que a pessoa também precisa de ajuda profissional”, ressaltou.
A bispa também falou sobre as chamadas “mentiras do inimigo”, pensamentos que costumam intensificar o sofrimento de quem enfrenta a depressão, levando a sentimentos de culpa, inutilidade e isolamento. Ela explicou que, por isso, é importante que familiares, amigos e líderes estejam atentos aos sinais de que alguém precisa de ajuda, especialmente quando a pessoa demonstra desesperança, acredita ser um peso para os outros ou insiste em se afastar de quem deseja apoiá-la.
Ao compartilhar sua própria experiência, Jeiza revelou que enfrentou síndrome do pânico durante a gravidez do filho, após anos acreditando que não poderia ser mãe. Segundo ela, o episódio mostrou, na prática, que pessoas de fé também podem adoecer emocionalmente e que buscar tratamento não diminui a espiritualidade. A escritora ainda defendeu que pastores e líderes também precisam cuidar da saúde mental, romper preconceitos e falar mais sobre o tema dentro das igrejas.
Jeiza reforçou que ninguém deve enfrentar esse sofrimento sozinho e que buscar ajuda é um passo essencial para a recuperação. “Você não é fraco. Você só precisa, neste momento, de uma ajuda. A depressão vai passar. Existe um futuro lindo que Deus preparou para você”, concluiu. Confira a entrevista na íntegra!


