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quinta-feira, 18 agosto 2022

Vítor Tavares: setor de livros religiosos em retomada no país

Vitor Tavares. Foto: Reprodução.

Vítor Tavares é o presidente da Câmara Brasileira do Livro, e revela que setor de livros retoma níveis pré-pandemia no país, incluindo a literatura religiosa

Por Victor Rodrigues 

Os efeitos da pandemia da Covid-19 foram diversos. Entre eles, o aumento do desemprego e a acentuação de desigualdades sociais existentes. Logo depois, alguns segmentos foram afetados diretamente, entre eles o setor de livros religiosos, que no momento atual apresenta retomada.  

A variação na maneira como se consome a literatura também sofreu mudanças de 2019 para cá. Mesmo ainda sendo o mais consumido nos segmentos, o livro impresso foi substituído, mesmo que em pequena porcentagem, pelo consumo digital.  

Segundo o presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL – 2021 – 2023) Vítor Tavares, que é administrador de empresas, formado pela PUC (SP) e diretor geral da Distribuidora Loyola, o setor de livros, em geral, presencia retomada a níveis pré-pandemia.

Antes de tudo, em 2019 – 209 milhões de livros foram vendidos e o setor arrecadou R$3,9 bilhões. Em 2020 – 193 milhões de livros vendidos e R$ 3,7 bilhões de arrecadação (em baixa). Logo em 2021 – 191 milhões e R$ 3,9 bilhões foram vendidos retomando arrecadação inicial.

No período pandêmico, o consumo de livros digitais aumentou. Em 2019, 4,6 milhões de e-Books foram vendidos, em 2020, 8,4 milhões e em 2021, 9,2 milhões. 

Em entrevista para a Comunhão, Vítor Tavares explicou sobre o atual cenário dos livros no país, e quais são as perspectivas para o setor de livros, e também o de literatura religiosa, nos próximos semestres. 

A produção de livros religiosos apresentou aumento em 2021.  Quais as razões para esse aumento? 

Em 2021, foram vendidos 54,2 milhões de exemplares religiosos e, em 2020, 54,1 milhões, com volumes financeiros de R$ 608,2 milhões e R$ 535,3 milhões, respectivamente, gerando uma expansão de 3% em termos reais. O segmento está na realidade retornando aos níveis pré-pandemia.

O consumo de livros religiosos tende a crescer? Por quê? 

Ao observarmos que os níveis de produção e vendas estão retornando ao período pré-pandemia, acredito que o movimento de leve expansão vai prosseguir. 

O consumo de livro religioso tem sido maior no impresso ou no digital? Por quê? 

O consumo do livro impresso é muito superior ao digital, independentemente do segmento. De acordo com a Pesquisa Conteúdo Digital do Setor Editorial Brasileiro, ano-base 2021, foi registrado crescimento nas vendas de e-books, audiolivros e outras plataformas de conteúdo digital, mas o conteúdo digital representa apenas 6% do mercado editorial brasileiro.

O faturamento do conteúdo digital do setor editorial brasileiro teve um acréscimo nominal de 23% e em termos reais, 12%.  O faturamento foi de R$ 180 milhões no ano passado, contra R$ 147 milhões em 2020. 

A pandemia prejudicou o mercado editorial? Por quê?

Assim como diversos segmentos da economia, o mercado editorial sentiu fortemente o impacto da necessária restrição do ir e vir, durante o lockdown imposto pela pandemia. Em 2020, com as livrarias fechadas e as editoras produzindo menos, era esperada a queda nas vendas em torno de 20%, mas de acordo com os números da Pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro, houve um recuo de 10%, ou seja, menor do que o esperado.

Considero importante destacar que o mercado editorial se adapta às novas realidades e busca maneiras criativas para continuar a desenvolver o setor e fortalecer o livro e a leitura no país. Mesmo durante a pandemia, realizamos lançamentos, mas com menor volume. As vendas por aplicativo e no e-commerce também se consolidaram como novos canais de venda.

O hábito de leitura do brasileiro tem aumentado? Por quê?

Foi observado que os brasileiros retomaram o hábito de ler, durante a pandemia. Agora, em 2022, estamos acompanhando a abertura de muitas livrarias independentes e acabamos de sair da 26ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, cultivando vários recordes, inclusive do aumento da venda de livros.

Cada um dos visitantes da Bienal comprou, em média, sete livros, mas infelizmente apenas esses números não são suficientes. Os brasileiros que se dizem leitores leem cinco livros em média por ano, mas, per capita, estamos apenas com 2,5 livros lidos em média, por ano, de acordo com a Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil. Considero que a defesa da educação, da cultura, do livro e das livrarias precisa fazer parte da agenda do nosso país, sendo necessário implementar políticas que contribuam e fortaleçam o hábito da leitura.

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