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domingo, 9 agosto, 2020

Violência doméstica: 40% das vítimas são evangélicas

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Nesta sexta-feira (6) é o Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres. As mulheres evangélicas são 40% das vítimas

Esta sexta-feira (6) é marcada como o Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres. A data foi instituída no Brasil por meio do Decreto de Lei nº 11.489, de 20 de junho de 2007.

Um levantamento de fevereiro de 2018 ao mesmo mês de 2019, do Datafolha,  foi encomendado pela ONG Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Dessa forma com objetivo de avaliar o impacto da violência contra as mulheres no Brasil.

O estudo mostra que no período, 1,6 milhão de mulheres foram espancadas ou sofreram tentativa de estrangulamento no Brasil. Ademais 22 milhões (37,1%) de brasileiras passaram por algum tipo de assédio.

Além disso, dentro de casa a situação não foi melhor. De acordo com a pesquisa 42% os casos de violência ocorreram no ambiente doméstico. Dessa forma mais da metade das mulheres (52%) não denunciou o agressor ou procurou ajuda.

Esse é um assunto importante e impactante na vida da população mundial.  A data serve como um momento para reforçar algumas informações e comportamentos que devem ser garantidos para a segurança da vítima e punição ao agressor.

O profissional da saúde deve prestar toda assistência necessária num primeiro instante, de acordo com a advogada Fernanda Ronchi que atua na área do Direito Médico e da Saúde.

“A violência é considerada uma questão de Saúde Pública e agravo de notificação compulsória desde 2003, a partir da Lei Federal nº 10.778. Esta determinação estabelece que todo caso de violência contra a mulher, que for atendida em serviços de saúde seja notificado à autoridade sanitária local em todo território nacional. E caberá ao órgão definir as demais providências sobre a investigação do caso”, orienta.

Advogada Fernanda Ronchi (Foto: Camila Baptistim)
Advogada Fernanda Ronchi (Foto: Camila Baptistim)

Dessa forma a mulher deve se sentir acolhida, respeitada e atendida do modo mais adequado possível. O profissional de saúde tem papel relevante para garantir a privacidade da vítima.

“Isso faz parte da relação médico-paciente conforme o artigo 2º, da Resolução n.º 1.605/2000, do Conselho Federal de Medicina. O dever do médico restringe-se exclusivamente a comunicar o fato à autoridade competente, sendo proibida a remessa do prontuário médico do paciente”, destaca.
PROCEDIMENTO 

Em 2006 o Ministério da Saúde implementou o Plano Nacional de Redução de Acidentes e Violências. A notificação é realizada, além da mulher, para criança, adolescente e idosos, por meio da Ficha de Notificação Individual de Violência Interpessoal / Autoprovocada.

A Ficha é um instrumento que serve para quantificar e qualificar as violências ocorridas no município, estado e país e, consequentemente, implementar políticas públicas, realizar ações de prevenção e promoção à saúde. Assim interromper um ciclo de violência, pois demanda ações e contribui para a cultura da não-violência. Todo e qualquer profissional deve preenchê-la ao atender uma pessoa em situação de violência. O sigilo das informações é amparado pela lei Federal nº 6.259/75.

A MULHER CRISTÃ

As mulheres evangélicas são 40% das vítimas de agressões físicas e verbais no Brasil. Assim constatou a teóloga Valéria Vilhena, ao realizar uma pesquisa em março do ano passado no curso de doutorado na Universidade Presbiteriana Mackenzie de São Paulo.

“A questão da interpretação da teologia, acaba fortalecendo ainda mais esse quadro de violência contra as mulheres no meio evangélico, porque a teologia que é passada é a da obediência ao marido. Normalmente, elas acabam culpando o satanás, o inimigo, o diabo, algo externo e não conseguem olhar para a própria relação de violência”, explicou.

Em matéria da Comunhão sobre Mulher e a Violência Doméstica, Lidice destaca que a mulher cristã pode fazer a diferença. “Além da possibilidade de educar seus filhos para agirem dentro dos padrões bíblicos de respeito as diferenças de gênero e amor ao próximo pode desenvolver grupos de discussão e de ajuda dentro e fora das igrejas”, explicou.

Lídice também é pós-doutora em História e reforça a importância da instituição religiosa. “Cabe a liderança da igreja a vigilância, instrução e acolhimento de suas fiéis além de, quando necessário, intervir, denunciar o agressor e proteger a agredida. A igreja cristã não pode se omitir perante a triste realidade da violência doméstica”, exortou.


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