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quarta-feira, 14 abril 2021

Vaticano proíbe bênção para casais homossexuais

Com aval do Papa Francisco, a decisão do Vaticano, através da Congregação para a Doutrina da Fé foi publicada. “Deus não abençoa e não pode abençoar o pecado”, diz o texto

Por Priscilla Cerqueira e AE (agências internacionais)

O Vaticano decidiu nesta segunda-feira, 15, que a Igreja Católica não pode abençoar casais homossexuais porque Deus “não pode abençoar o pecado.”

A Congregação para a Doutrina da Fé, o organismo doutrinário do Vaticano, emitiu a determinação em resposta a dúvidas e ações de algumas paróquias sobre a concessão de tais bênçãos como um gesto de acolhimento de católicos gays, já que a Igreja não permite o casamento homossexual.

A resposta, contida em uma explicação de duas páginas publicada em sete línguas, foi autorizada pelo papa Francisco. Segundo o decreto, homossexuais podem ser aceitos e podem receber bênçãos nas Igrejas. No entanto, a união entre pessoas do mesmo sexo não pode ser abençoada.

Casamento entre homem e mulher

O Vaticano afirma que os homossexuais devem ser tratados com dignidade e respeito, mas que o sexo homossexual é “intrinsecamente desordenado.” Os ensinamentos católicos indicam que o casamento entre um homem e uma mulher faz parte do plano divino e tem o propósito de criar uma nova vida. Visto que casais gays não fazem parte desse plano, eles não podem ser abençoados dentro da Igreja, diz o documento.

“A presença nessas relações de elementos positivos, que por si só são valorizados e apreciados, não pode justificar essas relações e transformá-los em objetos legítimos de bênção eclesiástica, uma vez que os elementos positivos existem no contexto de uma união não ordenada pelo plano do Criador”, diz a resposta.

Mudou de lado?

Em outubro do ano passado, o líder máximo da Igreja Católica defendeu a união civil entre homessexuais, em um filme que entrou em cartaz na Itália, com o nome “Francesco”.

“Os homossexuais têm direito de estar em uma família. Eles são filhos de Deus e têm direito a uma família. Ninguém deve ser expulso ou infeliz por causa disso”, disse Francisco. Foi a forma mais clara que já usou para falar de direitos dos LGBTIs. Sua declaração gerou polêmica entre a liderança evangélica.

“União entre pessoas do mesmo sexo não é pecado, condenável, segundo a palavra de Deus. Mas o que o Papa está falando e que a sociedade está brigando é que, historicamente, as pessoas tem direitos civis baseados naquilo que elas creem. Ele não falou em dogmas, mas em termos de acolhimento social, pois é preciso tratar os semelhantes iguais”, afirmou o pastor Dinart Barradas, da Universidade da Família.

Pecado?

Deus “não abençoa e não pode abençoar o pecado: Ele abençoa o homem pecador, para que ele possa reconhecer que faz parte de seu plano de amor e se deixar transformar por Ele”, acrescenta o texto.

Francisco tem defendido que os casais homossexuais tenham proteções legais, mas no que diz respeito à esfera civil, não dentro da Igreja. Ele fez esses comentários em uma entrevista à estação de televisão mexicana Televisa em 2019, e o trecho foi ao ar no documentário Francesco, de 2020.

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