Uvas silvestres

Israel, a videira de Deus no Antigo Testamento, havia falhado nessa missão, produzindo uvas bravas ou silvestres, em vez de frutos bons, como era esperado

Por Saulo Vieira de Souza

Todo bom agricultor tem a esperança de colher, de suas plantações, o melhor fruto que cada uma pode dar. Para isso, há, por parte do agricultor, todo o trabalho necessário para que isso aconteça, desde a escolha das melhores mudas até a preparação de um excelente solo. Sob essa imagem, em um dos últimos discursos de Jesus, no evangelho de João, Ele se apresentou como a “Videira Verdadeira”, preparada para dar muitos frutos, tendo o Seu Pai como o agricultor, que havia feito todo o trabalho necessário para que isso acontecesse.

Essa passagem de João 15 nos orienta a respeito do quão importante é, para Deus, que Seus filhos dêem os frutos esperados no decorrer de suas vidas. A figura de Jesus como a “Videira Verdadeira” possibilita que essa verdade se cumpra. Essa simbologia, trazida por Jesus em uma conversa particular com Seus discípulos, relembra um passado remoto no trabalho de Deus no cultivo de outra videira que, ao contrário de Jesus, mentiu e não produziu o fruto esperado. Israel, a videira de Deus no Antigo Testamento, havia falhado nessa missão, produzindo uvas bravas ou silvestres, em vez de frutos bons, como era esperado. A incapacidade do antigo Israel em entregar a Deus os frutos necessários gerou uma parábola profética em tom de denúncia, realizada pelo profeta Isaías.

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Nos primeiros versos do capítulo 5 de Isaías, a reflexão que Judá precisava fazer era que, apesar de todo o cuidado que Deus dispôs para com Seu povo – na imagem de um agricultor dedicado à sua videira –, Israel, a videira de Deus, não correspondeu com frutos viçosos e frescos. Assim, como explica John Oswalt em “Comentários do Antigo Testamento”, ao contrário disso, “Isaías especifica as ‘uvas silvestres’ que Israel produziu: cobiça (vs. 8,10), libertinagem (vs. 11,12), arrogância (vs. 18,19), perversão (vs. 20,21) e injustiça (vs. 22,23)”. Quando, na verdade, os frutos a serem colhidos pelo Agricultor divino deveriam ser: generosidade, virtude, humildade, honradez e justiça.

Sendo assim, a imagem de Jesus, em João 15, comparando-se com a “Videira”, mas, nesse caso, a “Verdadeira”, ensina-nos que a fragilidade humana em gerar frutos bons segundo sua própria natureza caída não permite que isso aconteça. Jesus, o homem perfeito de Deus, possibilitou aos Seus seguidores – os quais são Seus ramos (Jo 15.4) – darem os frutos que Deus esperou que o antigo Israel desse, mas que agora, em Jesus, a única Videira Verdadeira, isso se tornou possível.

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A frase “Eu sou a videira, vocês são os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim vocês não podem fazer nada” (Jo 15.5 NAA) é uma verdade que nos possibilita viver a integralidade do que Deus preparou para a Sua criação. A generosidade, a virtude, a humildade, a honradez e a justiça que Deus espera dos homens se tornam possíveis estando conectados a Seu Filho, a Verdadeira Videira.

“A Esperança da Ressurreição – Uma Doutrina Escatológica”

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Saulo Vieira de Souza é pastor, professor e autor do livro “A Esperança da Ressurreição – Uma Doutrina Escatológica”

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