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quarta-feira, 18 DE fevereiro DE 2026
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Usar a corrida para fugir dos problemas pode piorar a saúde mental

A prática do esporte para fugir à realidade e à rotina de quem não consegue resolver dores pessoais pode desencadear mais problemas, alerta psicóloga. 

Por Lilia Barros

O escapismo é definido como uma tendência para fugir de coisas vivenciadas como desagradáveis, desviando a mente para outras ocupações ou entretenimentos. Esse desvio da realidade é uma espécie de defesa mental. 

A psicóloga Felismina Augusta Teixeira, do Espírito Santo, alerta para o risco de transformar o prazer do lazer da corrida ou mesmo de outro esporte em um tipo de escapismo por não conseguir enfrentar e resolver problemas pessoais.
 

“Tudo é uma questão de extremo, tudo o que é extremo, entre 8 e 80 é preocupante, porque fazer a corrida e o esporte é benéfico para a saúde mas, quando eu uso esse esporte para fugir da ruminação dos meus pensamentos, porque alguns indíviduos têm um falatório intenso, um diálogo intenso consigo mesmo, eu comigo mesmo, João com João. Esse falatório intenso é muito peculiar às pessoas que têm dificuldades de expressar sentimentos, não têm habilidade de resolver ou de enfrentar problemas.”

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Usar a corrida para fugir dos problemas pode piorar a saúde mental
Psicóloga Felismina Augusta Teixeira. Foto: Divulgação

Felismina compara esse comportamento a um vício como outro qualquer. “Assim como as pessoas usam substâncias lícitas e ilícitas para fugir da resolução de um problema ou de enfrentar esse falatório interno, também pode sim usar o esporte como algo que vai ajudá-lo a ter um pouco de afastamento desse tormento interno.”

Fugindo da culpa

A psicóloga Felismina Teixeira conta uma experiência de escapismo por meio do esporte.

“Eu já tive uma paciente que teve uma lesão por atividade física por fugir, praticava intensamente porque fugia do sofrimento da violência sexual por parte do vizinho. Então ela usou o esporte para fugir da culpabilização que ela sentia, que era um sofrimento muito interno e muito grande. Quando estamos desalentos, nos sentimos vulneráveis, magoados e aflitos, nós queremos desabafar nossas emoções, nos sentir consolados, reconhecidos e compreendidos e, normalmente esse diálogo interno intenso vai ativar o sistema, o circuito da ansiedade que é um padrão filogenético que foi construído dentro dos organismos dentro dos indivíduos de lutar ou fugir”, explica.

“Lutar é enfrentar, é guerrear enquanto fugir é fugir desse tormento interno, desses falatórios que geralmente são pensamentos negativos, são desvalidações como entrar em contato com a sua imagem e não gostar do que está vendo, não gostar dos resultados que  está produzindo; as principais reações defensivas é a que os seres humanos recorrem quando enfrentam alguma ameaça. Então, quando estamos sob estresse, fugimos ou fazemos barricadas para batalha. É preciso pedir ajuda, esse falatório interno é similar a uma chaleira fervendo que uma hora vai eclodir e esburrar de qualquer maneira e quando isso acontece traz mais problemas.”

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Pesquisa

Embora a corrida recreativa traga benefícios para a saúde física e mental, uma nova pesquisa sugere que fazê-la como uma forma de escapar dos problemas cotidianos pode levar à dependência do exercício, caracterizada por um comportamento incontrolável e excessivo que pode causar uma infinidade de problemas de saúde, como dores e lesões.

De acordo com informações divulgadas pela Revista Isto É, o estudo publicado na revista acadêmica Frontiers in Psychology, mostra que “diferentes tipos de escapismo podem motivar as pessoas a correr recreativamente, mas usar a corrida para fugir de experiências negativas pode ser prejudicial em vez de desencadear os efeitos benéficos do exercício.”

“O escapismo faz parte do cotidiano dos humanos, mas pouco se sabe sobre suas bases motivacionais, como afeta as experiências e seus resultados pscológicos”, diz Frode Stenseng, autor do estudo e professor de psicologia pedagógica na Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia, à Revista Isto É.

“Esse fenômeno é definido como uma atividade, ou uma forma de entretenimento, que ajuda você a evitar ou esquecer coisas desagradáveis ou chatas”. Em outras palavras, muitas de nossas atividades podem ser interpretadas como escapismo”, explica.

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