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sexta-feira, 12 agosto 2022

Um outro evangelho

O Apóstolo Paulo escrevendo sua primeira carta às igrejas da Galácia, logo após a saudação inicial, inicia com uma afirmação inquietante de que os gálatas estavam tão rapidamente passando para um outro (heteros = diferente) evangelho (1:6). É que Paulo não viu as igrejas do Séc. 21!

Confesso que em nossos dias está cada vez mais difícil encontrar o verdadeiro e simples evangelho. Isso me lembra a “istória” do menino, do velho e do burro caminhando na estrada. Cada pessoa que passava ao lado deles além de criticar a forma como andavam, dava uma sugestão diferente de como deveriam fazer, ora o menino sobre o burro, ora o velho, ora nenhum dos dois, ou seja, qualquer que seja a forma, sempre teremos alguém para criticar. Mas que a igreja de hoje está dando margem para ser criticada, isso está!
E eu nem estou falando de doutrina (aí a vaca vai pro brejo), mas da aparência mesmo. De salão negro com luzes estroboscópicas a palcos fumegantes e flamejantes, encontramos de tudo.

Chegamos a era do verdadeiro “show da fé”. Pra começar, não há mais culto, temos o point da galera. Não há liturgia, há apresentações sequenciais com espaço para comerciais, não há louvor, mas show gospel, não há mais mensagem ou leituras bíblicas, há palestras contextualizadas para entreter o auditório. Me desculpe Paulo, mas o anjo veio e pregou um outro evangelho e hashtag (#) está bombando! Está cada dia mais difícil ser cristão.


Tem azeite extra?

Estamos vivendo dias incríveis. Não sei se isso é bom ou ruim, porém todas as coisas estão acontecendo em uma velocidade inacreditável, seja nos avanços “astronômicos” da área de comunicação, com as mídias sociais ultrapassando as mídias tradicionais, seja na área da saúde onde o tempo médio para desenvolver uma vacina que levava 3 a 4 anos, reduzido para 4 meses, seja na área das catástrofes com explosões “hollyoodianas” destruindo cidades ou o clima destruindo países, empresas sólidas falindo do dia para noite, a maldade crescente de nossas autoridades que não deixam de fazer falcatruas nem com o dinheiro para salvar vidas, que nos obriga a perguntar: onde vamos parar? Ou a pergunta seguinte: qual será a consequência de tudo isso?

Respondendo (com muito zelo) as questões acima: Não, não estamos no fim do mundo, nem tudo vai acabar em uma grande destruição. Mas como? Uma das piores coisas que pode acontecer a quem estuda um pouco de escatologia é fazer previsão. Logo, não estou prevendo nada. Mas minha sensibilidade me diz que finalmente a humanidade entrou na “rodovia” que nos levará a cidade do fim dos tempos.

Não sei quantos “quilômetros” falta para chegar, mas o ano de 2020, será conhecido como o ano que nos colocou na direção certa para nosso destino. Isso não é motivo de comemoração para a igreja, mas de estar apercebido, vigilante, olho aberto, para não deixar que o azeite acabe antes do noivo chegar.


A semente da verdade!

Não estou discutindo política e acho que esse espaço não é para isso, mas me impressiona o fato do primeiro presidente do nosso país que levantou uma bandeira de alguns dos valores são semelhantes aos que a igreja defende, mesmo que ele não seja o homem mais honesto do mundo (e não é), a luta que ele tem travado com alguns de nossos ícones da moralidade (ou seria da imoralidade?) tem nos assustado.

Fiquei impressionado como bastou 3 dias de protesto no Líbano para que o governo pedisse demissão. Nas terras tupiniquins vemos nossas autoridades serem acusadas, condenadas, e nada acontece e a lei ainda os apoiam. Falta dignidade!

Na verdade, tudo é uma questão cultural. Para nós (religioso ou ateu) brasileiros, ser honesto, ter valores baseados em princípios absolutos (e não relativos), agir com ética, falar a verdade, etc., é sinônimo de idiota e imbecil.

Como disse Rui Barbosa, chegamos a ter vergonha de ser honesto. Sabemos que não se faz essa mudança do dia para a noite. Vamos precisar de muitas gerações para que esses valores sejam percebidos. Porém alguém precisava semear essa semente e finalmente ela foi semeada.

Se Vaz de Caminha estiver certo, em se plantando tudo dá, sonhamos que ela floresça em nossas terras tupiniquins!

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