Por João Marcos Pedrosa
O conhecimento acerca da vida está crescendo de modo exponencial e vertiginoso. O que a ciência postula hoje, amanhã já se tornou ultrapassado. Isto gera um fascínio combinado com picos de ansiedade na mente de um pesquisador ávido por novas descobertas. O que proponho neste artigo, ainda que de forma periférica, é que você me auxilie a enriquecer o discernimento sobre o início de uma nova vida humana.
É possível que, neste esforço conjunto, consigamos compartilhar um pouco mais de convicção e esperança no lugar daquele pessimismo que se mostra impotente para sinalizar uma direção no horizonte da existência.
Concernente ao começo da vida, a ciência postula que um brilho microscópico, ou “faísca de zinco” , ocorre no momento em que um espermatozóide fecunda um óvulo humano. Este fenômeno bioquímico é uma explosão de luz real, mesmo que imperceptível a olho nu e tem uma função biológica importante (vide textos correlatos coligidos por IA).
A partir destes pressupostos, vejamos o modo como o filósofo dinamarquês Sören Kierkegaard (1813-1855) enxergava a vida para além da lógica linear da verdade científica. Há nuances da verdade que se relacionam com a fé, a existência humana e a vida em si. Pela vida, deve-se estar pronto a morrer, se necessário. Pois, morrer pelas verdades matemáticas ou por uma verdade científica, ninguém faz isso.
A pessoa morre por uma verdade que vale a pena morrer por ela, aquilo que envolve uma paixão intensa, uma fé no amor e à vida. Kirkegaard diz que, à semelhança do drama existencial de Abraão com seu filho Isaque no monte Moriá descrito em Gênesis 22, a fé é o ponto nevrálgico da existência e da filosofia. É a filosofia teológica do coração, sobre o que já dizia o sábio Salomão em Provérbios 4:23: “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o coração, porque dele procedem as fontes da vida.”
Como então dar sentido ao discurso científico sobre a explosão de luz real na fecundação do óvulo humano e o valor incomparável daquele momento de perpetuação da vida? As cogitações do coração devem ser consideradas com mais afinco? O teólogo Oscar Culmann (25/02/1902 – 16/01/1999), ensinava que Deus se revela no eixo da história, portanto no centro da existência humana, por meio de seus atos salvíficos, ao passo que Martin Buber (08/02/1878 – 13/06/1965), ao lidar com a problematização da fé enquanto fato científico não verificável, afirmou em seu livro Eu e Tu (al. Ich Und Du), que eu e cada um de nós só vamos compreender os dilemas da existência pela relação com o Tu Supremo [e ao mesmo tempo tão humilde e despido de Sua resplandecente glória na Pessoa de Jesus Cristo], Aquele que é o totalmente outro em quem não há sombra de variação, que não deriva para a coisificação de um Ser muito além do dilema existencial dos homens, mas com os quais está pronto para um relacionamento de amor eterno.
Sonhos, esperança e fé no ano novo - Vida eterna não é simples sonho, é certeza dada pela Bíblia. É promessa de Deus dada a todo aquele que crê em Jesus e tem…
Renove o coração, não o calendário - O que nos impulsiona é a certeza inabalável de que o Deus que nos conduziu até aqui continuará sendo refúgio em tudo o que ainda… A vida, desde aquela faísca de zinco iluminando o óvulo fecundado até o último suspiro de uma pessoa aqui neste velho e cansado mundo, deve se constituir num espetáculo único de celebração no palco da existência. Vida é concebida para ser luz do começo ao fim, a não ser que alguém escolha abraçar o lado obscuro da subjetividade, seja qual for a motivação.
Humanistas, filósofos, teólogos, homens públicos, operadores do direito, educadores, profissionais da saúde, assim como gente simples do campo, abastecida de generosa porção de sabedoria na alma, vão convergir para o que João escreveu acerca da nossa origem comum e da vida humana em perspectiva:
“O que era desde o princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com os nossos próprios olhos, o que contemplamos, e as nossas mãos apalparam… Ora, a mensagem que, da parte dele, temos ouvido e vos anunciamos é esta: que Deus é luz, e não há nele nenhuma escuridão.”
I JOÃO 1.1,5
Pr. João Marcos Pedrosa é formado em Geografia, História e Arqueologia pela Universidade Hebraica de Jerusalém


