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sábado, 15 maio 2021

Despedida! O último culto da Assembleia de Deus em Maceió (AL)

Após 73 anos de fundação, Assembleia de Deus de Pinheiro, em Maceió (AL) será inativa por conta da instabilidade no solo da região. Outras sete congregações também serão desapropriadas

Por Priscilla Cerqueira 

Despedida! Após 73 anos de história, a igreja Assembleia de Deus de Pinheiro, em Maceió (AL) realizou seu último culto no domingo, 25. A congregação será inativada por conta da instabilidade no solo decorrente da extração mineral na região. Outras sete igrejas da região também serão desapropriadas por conta da situação.

Segundo o pastor-presidente José Orisvaldo Nunes de Lima, o fechamento do templo não vai abalar a fé dos membros. Muitos já tem procurado outras igrejas para congregar. “O templo será derrubado, mas o que Deus fez aqui continuará vivo no coração de cada crente e se espalhará por vários bairros de Maceió”, declarou.

Nas redes sociais da denominação, muitos membros e até mesmo pessoas que já passaram pela igreja lamentaram o fechamento.

“Minha querida igreja, vou sentir saudades. Em 1983 aceitei Jesus como Salvador nesta igreja e em 1986 fui batizada nas águas. Mas em 1998 Deus me chamou para o campo missionário, e estou até hoje. Sempre nas minhas férias ia visitar minha igreja e rever os irmãos. Agora sempre que eu for de férias não vai ter mais a querida igreja para eu visitar”, escreveu a missionária Kátia Ferreira!

Igrejas fechadas

A congregação do Pinheiro não será a única a fechar as portas. Oito templos da Assembleia de Deus serão desativados em Maceió. Sobre a desapropriação das igrejas, o pastor reconheceu que tudo está sob o controle de Deus. E afirmou que a Assembleia de Deus está trabalhando com prioridade na construção de novas igrejas na capital do estado.

“Perdemos oito templos devido a este grave problema. Porém, estamos construindo outras 19 igrejas somente na capital. A obra de Deus não para, ela continuará avançado em Maceió e em todo estado de Alagoas”, afirmou.

O pastor lamentou o impacto que a mudança causou na vida não só dos crentes, mas de toda a população atingida pela tragédia. A igreja do Pinheiro fez parte da sua jornada ministerial.

“Esta foi a primeira igreja que eu dirigi, ainda nos anos 80. Foi a igreja onde apresentei ao Senhor meu segundo filho, e tenho muito apreço até hoje. Aqui Deus curou, salvou e batizou. ”, disse o presidente.

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Rachaduras nas ruas do bairro Pinheiro. Foto: Adailson Calheiros

Rachaduras

Em março de 2018, Maceió foi surpreendida por um tremor de terra registrado em vários bairros da capital, incluindo Pinheiro onde está inserida a igreja. Asfaltos cederam e rachaduras surgiram nas paredes dos imóveis. Com o passar dos meses, a instabilidade do solo e a incerteza do que estaria por vir levou moradores a procurar um lugar mais seguro para viver.

Mais de dois anos depois, foi reconhecida a necessidade de realocação de mais de 8 mil imóveis nos quatro bairros e centenas de famílias tiveram que deixar suas casas, que, muitas vezes, eram passadas de pai para filho.

A causa do tremor no bairro do Pinheiro e região foi motivo de estudo durante meses. Muitas hipóteses foram consideradas até que o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) concluiu que a extração de sal-gema executada pela Braskem provocou o problema.

Com isso, a empresa paralisou as atividades no estado e, em dezembro de 2019, deu início a um programa voluntário de indenização aos proprietários de imóveis atingidos pelas rachaduras.

Veja o culto

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