Um olhar cuidadoso sobre como as palavras de Jesus, menos conhecidas e confortadoras, colocam em xeque atitudes cotidianas e reforçam a necessidade de viver com coerência
Por Patrícia Esteves
Quando a gente imagina Jesus Cristo, o padrão costuma ser o acolhedor, o manso, o que estende a mão. E, de fato, Ele mesmo disse: “Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mateus 11:29-30). Ainda assim, há passagens nos Evangelhos que parecem trazer outra face, mais desafiadora, menos acomodada. O escritor e apologista Robin Schumacher aponta três afirmações de Jesus que “devem nos fazer ficar de pé, firmes”. Cada uma delas toca diretamente a vida – a individual, a familiar, a comunitária – e tem implicações práticas para quem é cristão no século XXI.
Vínculo que frutifica ou seca
Schumacher destaca primeiro a metáfora da videira, quando Jesus afirma: “Permaneçam em mim, e eu permanecerei em vocês. Assim como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vocês não podem dar fruto, se não permanecerem em mim. Eu sou a videira; vocês são os ramos. Quem permanece em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim vocês não podem fazer nada” (João 15:4-5). Em seguida, Ele adiciona: “Se alguém não permanecer em mim, será lançado fora, como o ramo, e secará; e os apanham, lançam-no no fogo e são queimados”. “Ele está dizendo: Eu ou o inferno; você escolhe”, comenta Schumacher.
Esse trecho “cutuca” porque lembra que vínculo com Cristo não é opcional quando se trata de produção de fruto, seja no cuidado, na convivência ou no testemunho, e que “sem mim vocês não podem fazer nada” coloca a dependência como ponto de partida. Viver como cristão não significa apenas seguir tradições ou agir bem, significa permanecer em Cristo de modo que algo seja vivo e ativo.
Identidade de Cristo e risco de equívocos
Outra afirmação apontada é “Por isso eu lhes disse que vocês morrerão em seus pecados; porque, se vocês não crerem que Eu Sou, de fato morrerão em seus pecados” (João 8:24). Schumacher nota que há duas implicações perturbadoras nesta afirmação. Primeiro, a consequência da rejeição de Cristo (“morrerão em seus pecados”). E segundo a afirmação “Eu sou Ele”, que revela a identidade divina de Jesus e evidencia o risco das “imitações” dele ou dos “falsos cristos”.
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Fé aparente e obediência real
Por fim, Schumacher aborda o trecho em que Jesus declara: “Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos Céus, mas apenas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus” (Mateus 7:21-23). “Criado na igreja desde bebê, eu sabia tudo sobre Jesus, mas era indiferente a Ele e às coisas de Deus. Eu era o que o puritano Matthew Mead chama de ‘Quase Cristão’, alguém que se considera um crente, mas cuja casa, na realidade, está construída sobre a areia”, comenta.
Essa passagem retoma um alerta importante, pois de nada adianta uma religião de aparências se não houver correspondência com obediência, serviço, amor prático. Onde no dia-a-dia familiar a vontade do Pai se manifesta? Como se traduz em atitudes que fortalecem o vínculo conjugal, que orientam a criação dos filhos, que geram comunhão autêntica além das formalidades? Quem é você como patrão ou empregado?
Para viver com coerência
Essas três afirmações não aparecem para provocar culpa gratuita, segundo Schumacher, mas para convidar a uma vida marcada pela sinceridade, pela rearrumação de prioridades, pela clareza de identidade. Há desafios específicos, como conciliar trabalho, educação dos filhos, finanças, comunidade de fé, descanso. E se essas passagens de Jesus falam aos ramos da videira, à autenticidade da fé e à obediência visível, cabe perguntar: em que área meu “ramo” está secando? Ou ainda: que “Jesus” estou apresentando em casa? E por fim: minha fé é “Senhor, Senhor” ou obediência real?
Poderiam essas palavras de Jesus serem menos “assustadoras” se vistas à luz de misericórdia e propósito? Sim, a mensagem de Cristo também oferece descanso e restauração, de acordo com o teólogo. Mas são desconfortáveis de propósito, porque convidam à profundidade mais do que à superfície. Na dinâmica da vida, ele propõe o exercício de permanecer em Cristo, rever quem Jesus é, viver uma fé que produza fruto. O desafio é real. A promessa é que não estamos sozinhos no caminho. Talvez, para muitos, esse seja o momento de perguntar: em que ramo estamos, quem estamos seguindo, qual será nosso fruto?

