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sexta-feira, 28 janeiro 2022

Tirando proveito das aflições

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Aflições fazem parte da vida. São mais comuns e rotineiras do que gostaríamos que fossem

Por Dinart Barradas

Um irmão da igreja onde congregava sofreu um mal súbito e foi hospitalizado às pressas por sua família. Ele havia sofrido um princípio de infarto. Felizmente o socorro ocorreu a tempo de evitar um mal maior, o que na idade e nas condições de saúde do irmão não seria nada favorável. Preciso dizer que esse irmão, embora muito querido, era uma pessoa não muito maleável em seus posicionamentos e na forma de lidar com as coisas que o contrariavam.

Fui visitá-lo no hospital e, para minha surpresa, com a voz ainda vacilante ele me declarou: “Essa situação difícil me fez refletir muito e tomar uma decisão difícil diante do Senhor”. No meu íntimo comecei a agradecer a Deus por perceber que ele estava sensível à voz interior de sua consciência, certamente guiado pelo Espírito Santo. Ele continuou: “A partir de hoje nunca mais vou tomar café na minha vida”. Não preciso de muitas palavras para dizer o quanto minha expectativa foi frustrada diante dessa “difícil decisão” tomada por ele.

Aflições fazem parte da vida. São mais comuns e rotineiras do que gostaríamos que fossem. No entanto, não precisamos passar por elas nos perdendo em transferência de responsabilidades, culpando Deus e o mundo por nosso sofrimento, ou em surtos momentâneos de consciência, fazendo votos e tomando decisões baseadas na consternação que nos assalta o enganoso coração.

As duas primeiras lições que precisamos aprender sobre as aflições nos foram ensinadas pelo Senhor Jesus em João 16:33

  • Cardos, abrolhos e aflições brotam naturalmente nesse mundo desde a queda.
  • Bom ânimo não é antidoto contra aflições, mas nos sustenta enquanto as atravessamos.

Outra lição muito importante nos é ensinada pelo apóstolo Paulo em Romanos 8:18

  • Use sempre uma balança de dois pratos para avaliar o peso dos seus sofrimentos. Em um prato ponha todas as suas aflições, no outro ponha aquilo que acredita estar reservado para você na eternidade.

O parâmetro para os que creem não pode ser a vida de outra pessoa ou a vida que se vivia antes da aflição. Foi esse o erro de Asafe ao comparar-se àqueles que pareciam isentos dos problemas comuns aos demais mortais. Nossa referência é o que nos espera, não o que estamos vivendo.

Por último, sem querer esgotar o tema, fica a lição que nos ensina o Salmo 119:71

  • Que aprender a Palavra de Deus seja o resultado mais proveitoso e alegre da aflição.

Podemos ter mais ou menos amigos depois da aflição. Podemos ter mais ou menos saúde depois da aflição. Podemos perder tudo ou prosperarmos depois da aflição. O que não pode acontecer é nos afastarmos da Palavra de Deus. Desfrutar de um relacionamento mais profundo e íntimo com Deus foi o que Jó celebrou, mesmo antes de ser alvo de tão grande restituição.

Permita que o calor das aflições cumpra um propósito divino em sua vida. Assimile as lições mais preciosas e duradouras que refinarão sua vida, trazendo um brilho que refletirá a Glória de Deus em meio a todo esse caos que nos cerca.

Dinart Barradas é Pastor, Diretor do currículo de Paternidade Bíblica da Universidade da Família. Casado com Norma Barradas há 40 anos. Colabora para a Revista Comunhão desde sua primeira edição.

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