Teste rápido para doenças do Aedes aegypti será produzido no Brasil  

Laboratórios do Rio Grande do Sul, Pernambuco e Bahia firmaram uma parceria com uma empresa gaúcha de biotecnologia para produzir kits de teste rápido para detectar o vírus da zika, dengue e chikungunya. O teste é sorológico, capaz de identificar a infecção pela zika mesmo após a fase aguda da doença em 15 minutos.

Os kits custarão R$ 15 e a meta é atender o Sistema Único de Saúde (SUS). A tecnologia brasileira irá detectar ainda se a pessoa já teve o vírus e se, possivelmente, está imune a ele. De acordo com os pesquisadores, serão necessários, inicialmente, 200 mil testes em todo o Brasil para auxiliar no controle da epidemia de zika.

A expectativa é de que a nova arma contra as doenças transmitidas pelo Aedes aegypti esteja disponível até o final do ano. A tecnologia totalmente nacional está sendo desenvolvida por meio de parceria entre a empresa FK-Biotecnologia, divisão de diagnósticos, de Porto Alegre; o Laboratório Farmacêutico do Rio Grande do Sul (LAFERGS); a Fundação Baiana de Pesquisa Científica e Desenvolvimento Tecnológico (BAHIAFARMA); e o Laboratório Farmacêutico de Pernambuco (LAFEPE). O lançamento foi terça-feira (1/03), em Porto Alegre.

De acordo com os pesquisadores, a tecnologia consiste em coletar o sangue do paciente com uma lanceta no dedo da mesma forma que um teste de glicose. A amostra de sangue é coletada automaticamente e separada. Ao reagir com diferentes componentes (antígenos e anticorpos) produz um resultado que pode ser lido visualmente, semelhante aos testes de gravidez de farmácia.

 

Após 15 minutos, um painel irá demonstrar se a pessoa já teve contato ou está infectada com algum dos três vírus. Resultados positivos para qualquer um dos vírus poderá determinar a imunidade da pessoa para aquele vírus.

Para o desenvolvimento do produto será constituído um grupo executivo composto por dois representantes de cada parte, com a finalidade de conduzir um estudo inicial de maneira conjunta. O prazo para apresentação da proposta de desenvolvimento da ferramenta será de 90 dias. E, em até nove meses, disponibilizado para a população.

O objetivo é disponibilizar o kit para a rede pública, através de uma possível Parceria de Desenvolvimento Produtivo (PDP), além de suprir também o mercado privado.

Com investimentos em torno de R$ 5 milhões, os pesquisadores ressaltaram a importância do desenvolvimento de uma tecnologia nacional para esse diagnóstico pelas características locais da epidemia, que é diferente de outros países. Além disto, dispor de tecnologia no país para atender este tipo de epidemia é fundamental para a soberania tecnológica do Brasil.

Os resultados do trabalho conjunto poderão ser transformados em proposta de parceria nos moldes dos projetos de Parceria de Desenvolvimento Produtivo (PDP), podendo inclusive ser encaminhado ao Ministério da Saúde para avaliação.