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terça-feira, 16 agosto 2022

Pai e filha escrevem manual teológico inédito na literatura pentecostal

Livro Box "Teologia Sistemático-Carismática", foi escrito por pai e filha, o teólogo e pastor César Moisés Carvalho e sua filha, a jornalista Céfora Carvalho. Foto: Ilustração / Reprodução

O pastor César Carvalho e sua filha, a jornalista Céfora Carvalho, lançam o livro “Teologia Sistemático-Carismática” pela Thomas Nelson Brasil    

Por Victor Rodrigues 

A experiência com o Espírito Santo de Deus é relatada na obra “Teologia Sistemático-Carismática” do pastor e teólogo César Moisés Carvalho, e sua filha, jornalista recém-formada Céfora Carvalho.

A obra é dividida em dois volumes e descreve as principais doutrinas da fé cristã e também a ação do Espírito Santo de Deus na história da igreja e no processo de inspiração e produção da Bíblia, livro inspirado por Deus e que possui um conteúdo milenar. 

César é pastor da Assembleia de Deus e autor de sete livros teológicos em diferentes áreas do saber cristão como: educação Cristã, Administração e Gestão de Escola Dominical, Ficção e Romance Infanto-Juvenis, além de Teologia e Exposição Bíblica. 

Sua filha, Céfora, é uma jornalista recém-formada e que devido a pandemia no ano de 2020, viu uma oportunidade para junto com o pai escrever a obra dentro de casa no período de reclusão e distanciamento social. 

Em entrevista exclusiva à Comunhão, os autores dão detalhes sobre a obra “Teologia Sistemático-Carismática”, pela editora Thomas Nelson. Confira! 

Comunhão – Como surgiu o amor pela teologia e as Escrituras?
César Moisés Carvalho e Céfora Carvalho – Surgiu muito cedo. Na verdade, muito antes de pensar em ser evangélico e autor. Desde que aprendi a ler, sempre tive Bíblias infantis. Anos depois, mesmo sendo católico, fiz vários cursos bíblicos de curta duração com pessoas de diferentes denominações. Posteriormente, após convertido, li a Bíblia toda e, no ano seguinte, em 1992, comecei a estudar um curso básico de Teologia em um núcleo que abriu em Goioerê, cidade onde fui criado. Já a Céfora cresceu em um ambiente totalmente tomado por Bíblias. A presenteei com a primeira Bíblia infantil quando ela fez 8 meses de vida! Aos 9 anos ela leu, pela primeira vez, a Bíblia inteira e nunca mais parou.

O teólogo e pastor César Moisés
Carvalho e sua filha, jornalista, Céfora Carvalho. Foto: Ilustração / Reprodução

Como surgiu essa parceria literária entre pai e filha, e na ótica familiar, como foi produzir essa obra juntos?
Sempre tivemos certa parceria nessa área. Meu pai lançou o primeiro livro quando eu tinha um ano de idade e jamais parou de escrever a partir dali, então essa realidade sempre foi muito natural para mim. Comecei a ter interesse pela mesma área ainda criança e fui desenvolvendo isso ao longo dos anos, sempre escrevendo pequenos textos e artigos. Mas a parceria desse livro especificamente surgiu de forma muito natural durante a pandemia.

Não sabíamos que ele chegaria a ter esse tamanho, então o processo de produção se estendeu muito além do que imaginávamos, mas apesar de trabalhoso e até estressante, a parceria foi muito agradável. Nos apoiávamos o tempo todo, lendo o texto um do outro, dando sugestões ou apenas um apoio moral. A pandemia foi um acontecimento triste, mas graças a ela e a obrigação de ficar em casa, conseguimos essa experiência única.

Há quanto tempo, como e por que surgiu a necessidade de falar sobre este tema?
Já no começo da década passada, comecei a escrever sobre temas cada vez mais teológicos. Em 2013 lancei um artigo defendendo a ideia de uma “hermenêutica pentecostal”. Quanto mais lia as obras que chegavam aqui, sempre voltadas para a teologia reformada, mais percebia o quanto o movimento pentecostal precisava falar sobre o tema no Brasil, já que o interesse dos irmãos pentecostais por teologia estava aumentando. Em 2017 lancei o Pentecostalismo e Pós-Modernidade, já destacando o valor de uma teologia verdadeiramente pentecostal, mas agora decidi que era o momento de fazer isso e mostrar do que estava falando naquele tempo, ou seja, uma teologia carismática e pentecostal.

O que falta no meio cristão que precisa ser compreendido nessa temática?
O que percebemos a partir de relatos de pastores de diversas regiões do Brasil e até pela nossa própria experiência é que ainda faltava uma maior teorização da teologia pentecostal no Brasil. É comum, mesmo dentro de igrejas pentecostais, a mentalidade de que não fazemos teologia e que apenas as denominações mais tradicionais podem fornecer conteúdo nessa área. Isso também faz com que os pentecostais que migram para a área acadêmica acabem reproduzindo teologias que não representam a sua tradição. Isso precisa mudar e cremos que essa obra é um importante passo em direção a essa mudança.

Livro Box “Teologia Sistemático-Carismática”, pela Thomas Nelson.
Foto: Reprodução

Em um mundo pós-moderno, como relacionar à luz da atividade do Espírito Santo, com o contexto da realidade atual?
Por mais que a perda de “solidez” seja preocupante, percebemos em nossa pesquisa que essa conexão pneumática que teorizamos, mas que já é praticada pelos cristãos de tradição pentecostal e carismática, é surpreendentemente atual. Uma teologia que ressalta a ação do Espírito Santo destaca justamente o que diferencia o cristianismo das demais religiões e convida todos a experimentarem Deus de forma viva, pulsante e contínua. Essa metodologia nos lembra que o evangelho não é “apenas” uma instituição ou uma crença culturalmente popularizada, é mais do que isso: é uma experiência renovadora eterna e atemporal, adequada a todas as culturas e épocas. O contexto atual, apesar de desafiador, é uma oportunidade para que mostremos como a experiência com Deus é necessária.

Qual sua expectativa em levantar esse debate teológico no meio evangélico? 
Esperamos mostrar que nossa teologia possui valor e peso acadêmico. Não há nada de simplista em uma teologia mais experiencial e há muito a ser explorado nessa área. Não precisamos abrir mão daquilo que nos diferencia enquanto tradição para produzir teologia de qualidade. Além disso, esperamos “devolver” ao Espírito Santo o papel de destaque que lhe foi negado ao longo dos séculos na história do cristianismo e, especificamente na produção da teologia, por motivos diversos que estão elencados ao longo da obra. 

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