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segunda-feira, 15 DE julho DE 2024

Tendas e Altares

Todos somos chamados a deixar herança e legado, a armar tendas e edificar altares

Por Fabio Hertel

Há uma linda expressão da humanidade de Abrão representada por sua relação com dois elementos recorrentes em sua jornada: tendas e altares. Tendas que apontam para o que é temporal, material, móvel e mutável, e altares que revelam um ativo perene, espiritual que é fixo e imutável.

O primeiro registro dos elementos, tendas e altares, na vida do idólatra, mas recém-convertido Abrão, aparece em Gênesis 12:7-8, onde o Senhor se revela e promete a terra como herança para seus descendentes. Depois deste encontro transformador, e agora com a responsabilidade de preservar e perpetuar os ativos para sua descendência, a dinâmica de armar tendas e edificar altares se repete na vida de Abrão – como vemos em Gênesis 13:3-4 e 13:18 – até que nosso peregrino edifica seu altar mais dramático, ocasião em que, espantosamente, amarra Isaque seu filho e o oferece em holocausto.

Que cena. Talvez Deus treinasse em Abraão, agora pai de uma multidão, o que sentiria no futuro ao ter que sacrificar seu próprio filho na cruz.

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Por uma intervenção providencial e divina, Isaque não só sobrevive, mas, como seu pai, também expressa sua humanidade ao se relacionar com tendas e altares. Tendas que rementem à herança (o que produzimos, mas nossos filhos podem perder) e altares que apontam para o legado (o que produzimos, nossos filhos usam e cada vez cresce mais). Só que Isaque representa um sonho de consumo de todo pai com os valores do Reino. Ele não só prospera (Gênesis 26:12-13) como altera a ordem da relação. Veja o que diz Gênesis 26:25: “Então edificou ali um altar, e invocou o nome do Senhor, e armou ali a sua tenda; e os servos de Isaque cavaram ali um poço.”

Perceba que se em Abraão a dinâmica era “tendas-altares”, em Isaque esta ordem é “altares-tendas”. Sabemos que na Bíblia nada é por acaso, mas afinal por que Isaque inverteu a ordem? Porque é impossível passar pelo altar do sacrifício, onde se é o sacrifício, sem que suas prioridades mudem.

Todos somos chamados a deixar herança e legado, a armar tendas e edificar altares. O problema é quando “edificamos tendas”, ou seja, quando sacralizamos o que é temporal e cultuamos o material, ou quando “armamos altares” numa postura utilitarista do sagrado.

Oro para que os ativos que você deixará para seus filhos e para as próximas gerações sejam abundantes e abençoadores, mas lembre-se que suas prioridades farão toda a diferença nesta equação. Na matemática dos céus a ordem dos fatores altera o produto. 

Fabio Hertel é empresário, bacharel em Teologia, psicanalista clínico e membro da Missão Praia da Costa, e Host do Tá Legado Podcast.

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