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quarta-feira, 19 junho 2024

Telescópio James Webb captura imagens da Nebulosa do Anel

James Webb captura imagens da Nebulosa do Anel - Foto: ESA/Webb, NASA, CSA, M. Barlow (University College London), N. Cox (ACRI-ST), R. Wesson (Cardiff University)

As imagens do instrumento MIRI forneceram uma visão mais nítida e clara do fraco halo molecular fora do anel brilhante

O telescópio espacial James Webb da Agência Aeroespacial dos Estados Unidos (Nasa) capturou novas imagens em infravermelho da Nebulosa do Anel, um dos exemplos mais conhecidos de uma nebulosa planetária, conforme divulgou a agência na segunda-feira, 21. Muito parecido com a Nebulosa do Anel do Sul, uma das primeiras imagens de Webb, a Nebulosa do Anel exibe estruturas intrincadas dos estágios finais de uma estrela moribunda.

Conforme Roger Wesson, da Universidade de Cardiff, esta fase do ciclo de vida de uma estrela semelhante ao Sol e as observações do telescópio fornecem aos cientistas informações valiosas sobre a formação e evolução destes objetos, sugerindo um papel fundamental para os companheiros binários.

“O telescópio espacial James Webb observou a conhecida Nebulosa do Anel com detalhes sem precedentes. Formada por uma estrela que se desprende de suas camadas externas à medida que fica sem combustível, a Nebulosa do Anel é uma nebulosa planetária arquetípica”, disse a Nasa em comunicado.

“Antigamente, pensava-se que as nebulosas planetárias eram objetos simples e redondos com uma única estrela moribunda no centro. Elas foram nomeadas por sua aparência difusa e semelhante a um planeta por meio de pequenos telescópios. Apenas há alguns milhares de anos, essa estrela ainda era uma gigante vermelha que estava perdendo a maior parte de sua massa. Como último adeus, o núcleo quente agora ioniza ou aquece esse gás expelido e a nebulosa responde com emissão colorida de luz”, pontua Wesson, que faz parte de um grupo internacional de especialistas em nebulosas planetárias e objetos relacionados.

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Desvendando a Nebulosa do Anel

“A Nebulosa do Anel é um alvo ideal para desvendar alguns dos mistérios das nebulosas planetárias. Está próximo, a aproximadamente 2,2 mil anos-luz de distância da Terra, sendo brilhante e visível com binóculos em uma noite clara de verão do hemisfério norte e grande parte do sul”, disse o pesquisador.

As observações da Nebulosa do Anel foram feitas pelos seguintes equipamentos: NIRCam (Near-Infrared Camera), que é uma câmera de infravermelho próximo, e a MIRI (Mid-Infrared Instrument), instrumento de infravermelho médio do Webb, que permitiu aos pesquisadores estudá-la em condições espaciais sem precedentes.

Enquanto a nova imagem da NIRCam mostra detalhes intrincados da estrutura do filamento do anel interno, a nova imagem da Nebulosa do Anel do MIRI revela detalhes particulares nas características concêntricas nas regiões externas do anel da nebulosa.

“Quando vimos as imagens pela primeira vez, ficamos impressionados com a quantidade de detalhes nelas. O anel brilhante que dá nome à nebulosa é composto por cerca de 20 mil aglomerados individuais de gás hidrogênio molecular denso, cada um deles com a massa da Terra”, disse ele.

A casca principal contém um anel fino de emissão aumentada de moléculas à base de carbono conhecidas como hidrocarbonetos aromáticos policíclicos.

“Fora do anel brilhante, vemos curiosos ‘espinhos’ apontando diretamente para longe da estrela central, que são proeminentes no infravermelho, mas eram apenas levemente visíveis nas imagens do telescópio espacial Hubble. Achamos que isso pode ser devido a moléculas que podem se formar nas sombras das partes mais densas do anel, onde são protegidas da intensa radiação direta da estrela central quente”, avalia Wesson, da Universidade de Cardiff.

Ainda de acordo com ele, imagens do instrumento MIRI forneceram uma visão mais nítida e clara do fraco halo molecular fora do anel brilhante. “Uma revelação surpreendente foi a presença de até dez feições concêntricas regularmente espaçadas dentro desse halo tênue. Esses arcos devem ter se formado a cada 280 anos, pois a estrela central estava perdendo suas camadas externas. Quando uma única estrela evolui para uma nebulosa planetária, não há nenhum processo que conheçamos que tenha esse tipo de período de tempo”, explica o pesquisador.

Em vez disso, segundo ele, esses anéis sugerem que deve haver uma estrela companheira no sistema, orbitando tão longe da estrela central quanto Plutão do nosso Sol. “À medida que a estrela moribunda lançava fora sua atmosfera, a estrela companheira moldou o escoamento e a esculpiu. Nenhum telescópio anterior tinha a sensibilidade e a resolução espacial para descobrir esse efeito sutil”, acrescentou o pesquisador.

Conforme Wesson, observações modernas, porém, mostram que a maioria das nebulosas planetárias exibe uma complexidade de tirar o fôlego. “Isso levanta a questão: como uma estrela esférica formou uma nebulosa tão estruturada e complicada como a Nebulosa do Anel? Uma pequena ajuda de um companheiro binário pode muito bem ser parte da resposta”, conclui ele. Com informações de Agência Estado

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