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quinta-feira, 3 dezembro 2020

Tecnologia em prol do Reino de Deus

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Empresas jovens e inovadoras levam a Palavra de Deus a locais ainda não alcançados

Muitos são os países que proíbem a propagação do Evangelho. Nessas regiões, uma estratégia diferenciada vem surtindo efeito bastante positivo. A instalação de empresas inovadores, comandadas por cristãos, tem sido importante ferramenta também para disseminar a Palavra. Profissionais que desenvolvem negócios, mas focam as perspectivas no Reino, estão cada vez mais gerando oportunidades de emprego e renda e conectando indivíduos mundo afora.

É o caso do cofundador e CEO da Bluefields, Paulo Humaitá, que concebeu a aceleradora de startups (empresas jovens que inovam em diversos setores) há pouco mais de dois anos, mas já coleciona vitórias. Isso porque, desde o início do projeto, havia a intenção de, entre outras conquistas, propiciar que as empresas que recebessem seu aporte também desenvolvessem trabalhos missionários. E é exatamente isso que tem acontecido. Nesta entrevista, ele explica como é possível criar negócios que levam para o dia a dia princípios e valores encontrados na Bíblia. Confira o bate-papo.

O que veio primeiro, a Bluefields ou a ideia das missões?
Tudo começou com um chamado missionário em 2014, durante uma conferência de missões nos EUA, mas senti ao mesmo tempo um direcionamento de realizar essa integração entre negócios e missões. Confesso que fiquei perdido, pois missões para mim são um submundo, algo bem diferente, como acho que é para a maioria de pessoas do mundo corporativo.

Paulo-HumaitáComo surgiu a ideia de utilizar startups para propagar o Evangelho?
Como toda boa teologia e missiologia, a ideia surgiu a partir do modelo bíblico de missões. O apóstolo Paulo,
por exemplo, era um tipo de sócio de uma startup da sua época que produzia tendas. Priscila e Áquila eram os dois demais colaboradores, sem dúvidas, Paulo investiu na vida desse casal no contexto corporativo, uma vez que, após um tempo, Priscila e Áquila acompanharam Paulo em sua viagem missionária e foram líderes da igreja local. Hoje há uma ideia de que o missionário é aquele que larga tudo e vai plantar igreja em um país distante. Chamamos de modelo tradicional, mas na verdade não poderia ser tradicional se esse modelo só tem alguns séculos de existência. A Igreja de Cristo sempre fez missões através de negócios.
O empreendedorismo e a inovação fazem parte da missão de Deus e, como cristãos, devemos ser intencionais com as habilidades e talentos que Ele nos deu.

Como aliar o empreendedorismo à evangelização?
Usamos empreendedorismo, tecnologias e inovação para transformar vidas enquanto resolvemos as necessidades mais urgentes do mundo. Nosso programa de aceleração leva o nome de The Big BaM!. A Bíblia não é um manual, ela nos orienta a como fazer, já que é um livro transcultural e atemporal. Na prática,
podemos levar em consideração a questão ética a partir da santidade,
da justiça e do amor na hora de tomarmos decisões. Por exemplo, receber propina não é algo do Reino de Deus. Nosso estudo comprova que 80% das pessoas que levam em consideração os princípios de Deus se negaram a receber propina. Penso que,
se o Brasil tivesse mais empreendedores voltados aos princípios dEle, o país não estaria assim, afundado na corrupção. Outro exemplo é o impacto desses estudos, como essas empresas voltadas ao Reino influenciam a vida das pessoas. O principal é levar a Palavra de forma voluntária, respeitando as diferenças.

É uma estratégia para desenvolver um trabalho missionário, certo?
Sim, somos missionários empreendedores. Uma das formas para ser um é a empregabilidade direcionada, em que o empresário escolhe algum público específico para dar emprego, ou seja, acaba ajudando aquele segmento. Pode-se optar por ex-presidiários ou ex-prostitutas que se recuperaram e que agora querem voltar ao mercado, por exemplo. Eles ajudam as pessoas e cumprem o seu papel. Uma startup residente que estamos acelerando é uma empresa que se preocupa com refugiados. Ajudamos os refugiados empreendedores a desenvolverem suas empresas e também empregamos a confessionalidade para o crescimento e o desenvolvimento de novas empresas de novas ideias.

Paulo HumaitáVocê se considera um missionário?
Sim. É o nosso trabalho direcionar startups ao empreendedorismo do Reino. Uma coisa que tenho percebido é que Deus tem feito muitas coisas entre os missionários, e muitas ações estão tocando o coração de empreendedores. A Janela 10/40 é uma região que abrange mais de 60 países onde a maioria das pessoas nunca ouviram falar de Jesus. São regiões muito fechadas para a Igreja, mas que precisam de desenvolvimento social e econômico.
E com as startups fica viável esse acesso. Há uma grande urgência da Igreja de chegar a esses locais e, com o empreendedorismo missionário, conseguimos atingi-los.

A Bluefields e várias outras empresas fazem parte de um programa global de Reino. Como funciona o The Big BaM!?
É o mais atual programa relacionado ao tema. Há livros e estudos sobre os projetos desenvolvidos, além de fundos de investimentos voltados para quem participa dele. Uma vez aprovada em nosso processo de seleção, a startup tem acesso a um programa de aceleração – The Big BaM! – de 17 semanas, composto por cinco pilares: acesso a investimento, gestão de projetos, academia de líderes, rede de mentores e educação empreendedora, além de oportunizar meios para o trabalho missionário. Na educação empreendedora, eles têm acesso a um conteúdo exclusivo que inclui tanto a parte técnica de desenvolvimento de negócios como um modelo de Kingdom Business – formas práticas em como desenvolver seu negócio com valores e princípios do Reino. Conteúdo desenvolvido por nossa aceleradora parceira dos EUA – a Sinapis – em conjunto com a Acton School of Business – escola de negócios do Texas, fundada por bilionários cristãos que perceberam um gap: empreendedores cristãos não conseguiam aplicar na prática as lições ouvidas nos cultos de domingo. Então, criaram o programa com 96 horas, no qual o empreendedor aprende como buscar clientes, desenvolver o negócio, montar uma apresentação a investidores. Sessões que chamamos de sprints de aceleração,
em que se aprende na prática aquilo que está nas passagens bíblicas de uma forma empreendedora, com apresentação de estudos de casos de sucesso de Harvard, por exemplo. Consideramos ser um dos melhores conteúdos disponíveis hoje no mundo.

Quantas startups já passaram pela aceleradora e hoje atuam em outros países?
Contando que somos parte de uma rede global de aceleradoras com esse modelo que chamamos de Kingdom Busines, já contabilizamos 700 startups aceleradas em países na África e cerca de 20 no Brasil, entre incubação e aceleração.

Paulo-HumaitáTodas devem ter esse propósito de missão?
Respeitamos muito os propósitos de cada um. Os empreendedores sentem direcionamentos diferentes e complementares. Alguns querem lugar para erradicação da pobreza, outros para reinserção de pessoas que não conseguiriam empregos naturalmente, outros querem ser líderes em tecnologia e inovação, em outros o coração bate também por povos não alcançados.
Mas o ponto central é que o Reino esteja em expansão pela causa do nosso Mestre.

Os gestores dessas startups participam de algum “treinamento missionário” a fim de evitar que tomem atitudes que possam colocá-los em perigo?
Os empreendedores que desejam empreender em um contexto transcultural devem procurar uma agência missionária. Para esses casos, deve haver uma sinergia entre o que oferecemos e as capacitações mais específicas que alguém que vai para um contexto transcultural precisa ter. Acreditamos também no envio da Igreja, que, no geral, ainda precisa compreender esse modelo de missões.

Quais os países mais difíceis de se aliar tecnologia e evangelização?
Países em guerra ou muito fechados como a Coreia do Norte. Não existe um segmento em específico que facilite a entrada nesses países, mas geralmente startups em setores que geram mais empregos.

Existem relatos de pessoas já impactadas por meio desse trabalho?
Sim, existe, e não são poucos. Mas por motivos de segurança, não podemos publicar casos em específico. Se observarmos na história, muitas igrejas começaram com pequenos grupos de profissionais e empreendedores. Em uma empresa na China,
por exemplo, o funcionário disse para o empreendedor: “Eu poderia trabalhar na Apple, no Facebook ou em qualquer empresa. Mas foi aqui na sua empresa onde aprendi como andar com Deus”.

Quais os próximos programas da Bluefields?
Até o final do ano vamos divulgar os programas para 2018. Neste primeiro tivemos 77 empreendedores inscritos e esperamos muito mais para os próximos. Em 2018, esperamos ter dois programas de aceleração (requerem seleção, o que é perfeito para empreendedores na fase de pré-comercialização até primeiras vendas) e quatro programas de pré-aceleração (não requerem seleção, o que é perfeito para empreendedores com estágio da ideia). Quem tiver interesse, é só curtir e ficar atento à nossa página do Facebook, https://www.facebook.com/bluefieldsdev/.

OUÇA A ENTREVISTA EM ÁUDIO COM PAULO HUMAITÁ

 

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