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sábado, 31 julho 2021

O que é mais fácil: submeter-se ou morrer?

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A mulher deve submeter-se ao marido; porém, o homem deve ser um líder amoroso, inteligente e sábio, capaz de morrer por ela

Por Clovis Nery

“Vós, mulheres, submetei-vos a vossos maridos, como ao Senhor; […] Vós maridos, amai as vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela” (Efésios 5:22 e 25).

Certa ocasião, ouvi de um pastor que, ao celebrar um casamento, no momento em que ele leu na Bíblia “Vós, mulheres, submetei-vos a vossos maridos”, a noiva que estava à sua frente fez uma careta para ele. É verdade que muitas mulheres detestam esta palavra “submissão”.

Não é novidade o fato de o texto acima suscitar polêmica, principalmente por enfatizar a submissão das mulheres aos homens. E, para complicar, corroborando os escritos de Paulo, o apóstolo Pedro inicia o capítulo terceiro, de sua primeira epístola, falando claramente que a mulher deve ser submissa a seu marido.

Ocorre, entretanto, que o texto paulino vai além. Ao enfatizar a submissão feminina, temos esquecido de que ao homem há uma ordem mais pesada: “Vós maridos, amai as vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela”. O termo “como também Cristo” indica que o homem deve morrer, se necessário, por sua mulher. Foi o que Cristo fez. Morreu por amor à Sua igreja. Qual é o maior sacrifício: submeter-se ou morrer?

Hoje em dia, nem a mulher, nem o homem, e principalmente este, estão dispostos a assumirem a ordem bíblica. Por isso, não é de se estranhar que se troca de cônjuge como se troca de roupa.

A mulher deve submeter-se ao marido; porém, o homem deve ser um líder amoroso, inteligente e sábio, capaz de morrer por ela. Um líder não é um chefe. Um líder tem seguidores, um chefe tem subordinados; um líder gera comprometimento, um chefe provoca ressentimento. Um líder está sempre presente. É responsável, competente, confiante e equilibrado, tem ideias brilhantes e angaria admiradores com bons exemplos. Jesus foi um líder. O marido deve espelhar-se n’Ele para exercer sua liderança em família. Será que seria difícil à mulher submeter-se a um homem desse naipe? O problema é que eles estão escassos.

Com a ausência masculina, a serpente tentou a mulher. Obteve sucesso, porque Eva não ouviu Deus! Ela viu a árvore (Gênesis 3:6). Amoldável às insinuações psíquicas, foi levada pelas emoções. Posteriormente, diante da proposta tentadora, Adão agiu levianamente e, ao perceber seu erro, acovardou-se, escondendo-se.  Confrontado por Deus, quebrou o silêncio de forma pouco temperamental, “atirando”, ao acusar a mulher e o próprio Deus.

Hoje em dia, a síndrome de Adão é notória. Em família, a figura paterna enfraquecida marca a personalidade dos filhos, mormente das crianças, que têm seu desenvolvimento emocional e psíquico comprometidos. Isso tem sido visível nos consultórios de psicologia e psiquiatria. Não foi por acaso que o primeiro homicida era filho do ausente, medroso e acovardado Adão.

A fragilidade da família ocidental, salvo exceções, tem suas causas bem delineadas. A resistência à sujeição, por exemplo, é um sintoma compreensível, porque, com o distanciamento dos princípios Sagrados, ocorreu uma generalizada inversão de valores que comprometeu e, não poucas vezes, corrompeu a estrutura familiar proposta.

A submissão cega é tão nociva quanto à insubmissão obstinada, ou a falta de liderança. No meu livro Compartilhando para crescer (Curitiba: Juruá, 2013), incluindo Notas de Casos Clínicos, mostro como essa questão gera transtornos comportamentais nos filhos.

A Bíblia estabelece as bases para um relacionamento equilibrado, onde cada um cumpre seu papel. Para Eva era difícil submeter-se a seu marido porque, podemos inferir, Adão, à luz de sua postura imprudente, jamais morreria pela esposa, o que não é muito diferente da atualidade.

Clovis Rosa Nery é Psicólogo e escritor

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