STF derruba prisão após segunda instância

Toffoli: ministro do STF deu voto decisivo no julgamento (Fellipe Sampaio /SCO/STF/Divulgação)
Toffoli: ministro do STF deu voto decisivo no julgamento (Fellipe Sampaio /SCO/STF/Divulgação)

Por 6 votos a 5, o STF reverteu seu próprio entendimento. Segundo o Ministério Publico Federal (MPF), condenados da operação Lava Jato serão beneficiados

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu ontem (7) contra a prisão após segunda instância. Assim também conhecida como validade da execução provisória de condenações criminais. Por 6 votos a 5, a Corte reverteu seu próprio entendimento, que autorizou as prisões, em 2016.

Os condenados com base na decisão anterior poderão recorrer aos juízes que expediram os mandados de prisão, para serem libertados. Segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o julgamento terá impacto na situação de 4,8 mil presos.

Os principais condenados na Operação Lava Jato podem ser beneficiados. Dessa forma, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O ex-presidente foi condenado por corrupção e lavagem de dinheiro pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), no caso do tríplex do Guarujá (SP). Além disso, o ex-ministro José Dirceu e ex-executivos de empreiteiras. Segundo o Ministério Publico Federal (MPF), cerca de 80 condenados na operação serão atingidos.

VOTOS

Após cinco sessões, o resultado foi obtido com o voto do presidente da Corte, ministro Dias Toffoli. Segundo o ministro, a vontade do Legislativo deve ser respeitada. Em 2011, uma alteração no Código de Processo Penal (CPP) definiu que ninguém será preso, senão em flagrante delito ou em decorrência de sentença condenatória transitada em julgado.

De acordo com Tofolli, a norma é constitucional e impede a prisão após a segunda instância. “A vontade do legislador, a vontade do Parlamento, da Câmara dos Deputados e do Senado da República foi externada nesse dispositivo, essa foi a vontade dos representantes do povo, eleitos pelo povo”, afirmou.

Durante todos os dias do julgamento, os ministros Edson Fachin, Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso, Luiz Fux e Cármen Lúcia votaram a favor da prisão em segunda instância. Marco Aurélio, Ricardo Lewandowski, Rosa Weber, Gilmar Mendes e Celso de Mello se manifestaram contra.

ENTENDA

No dia 17 de outubro, a Corte começou a julgar definitivamente três ações declaratórias de constitucionalidade (ADCs), relatadas pelo ministro Marco Aurélio e protocoladas pela Ordem dos Advogados, pelo PCdoB e pelo antigo PEN, atual Patriota.

O STF permite a prisão após condenação em segunda instância, mesmo que ainda seja possível recorrer a instâncias superiores. No entanto, a OAB e os partidos entendem que uma sentença criminal somente pode ser executada após o fim de todos os recursos. Dessa forma, uma pessoa condenada só vai cumprir a pena após decisão definitiva do STF.

A questão foi discutida recentemente pelo Supremo ao menos quatro vezes. Em 2016, quando houve decisões temporárias nas ações que estão sendo julgadas, por 6 votos a 5, a prisão em segunda instância foi autorizada. De 2009 a 2016, prevaleceu o entendimento contrário, de modo que a sentença só poderia ser executada após o julgamento do STF.

*Da redação, com informações da Agência Brasil


LEIA MAIS

Criminalização da homofobia em pauta no STF 
Dias Tófoli assume presidência do STF 
Fé vence no STF